Publicidade

Estado de Minas BLOQUEIO

Redes sociais censuram campanha de Dário 4e20, que defende a legalização da maconha em BH

Dário Moura, candidato a vereador de BH, foi censurado pelo Instagram, Facebook e Tik Tok. Censura dificulta trabalho dos candidatos que defendem a legalização da maconha no país


19/10/2020 21:20 - atualizado 20/10/2020 19:51

Bloqueios como este vêm sendo enfrentados pelo candidato a vereador Dário 4e20. Redes Sociais alegam apologia ao crime(foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa do candidato Dário Moura)
Bloqueios como este vêm sendo enfrentados pelo candidato a vereador Dário 4e20. Redes Sociais alegam apologia ao crime (foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa do candidato Dário Moura)
As redes sociais vêm desempenhando um papel importantíssimo nas campanhas eleitorais de 2020, que estão ocorrendo em meio à pandemia da COVID-19. Em Belo Horizonte, o candidato a vereador pelo PSOL, Dário Moura, conhecido como Dário 4e20, está sendo impedido pelo Facebook, Instagram e Tik Tok de divulgar suas propostas como candidato a vereador.

A campanha de Dário está baseada na defesa da legalização da maconha para fim medicinal e recreativo adulto e por esse motivo ele vem sendo proibido de realizar divulgações. As redes sociais alegam a apologia ao crime como fator principal do bloqueio.  

O caso principal é do Tik Tok. A rede excluiu o perfil de Dário, bem como todo o conteúdo que já havia sido publicado e o proibiu de fazer novas postagens. As redes Instagram e Facebook não excluíram os perfis do candidato, mas estão impedindo que novos anúncios sejam feitos e que suas propostas atinjam mais pessoas. Esta barreira imposta pelas redes sociais prejudica seriamente a campanha do candidato, visto que estas plataformas são as mais populares.

Diante disso, os conteúdos postados nas páginas do Instagram ou Facebook não alcançam 10% dos seguidores. Logo, os anúncios são considerados essenciais para a  expansão do conteúdo.“Dependemos de impulsionamentos para fazer nossa campanha chegar nas pessoas. Ao bloquearem nossos anúncios, Facebook e Instagram impedem o exercício democrático do debate. Se não pudermos falar sobre esse tema durante uma campanha eleitoral, quando a discussão será feita?”, questiona o candidato a vereador Dário 4e20. 

A Legislação Eleitoral autoriza a propaganda política em redes sociais, mas é necessário que o candidato siga uma série de mecanismos estabelecidos. “Infelizmente, o Facebook está abusando de seu poder e impondo seus valores privados à sociedade brasileira. Não cabe a nenhuma empresa o papel de censurar o discurso de um candidato a vereador no Brasil. O Facebook é obrigado a respeitar as leis brasileiras. Censurar uma pauta política é crime eleitoral. Dizer a palavra maconha, usar símbolos e mostrar plantas cultivadas legalmente, são ações protegidas e reconhecidas na constituição, como apontou o Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 187/2011”, argumenta Dário. 
 
 
Pontuou ainda que "o Código Eleitoral (Art. 248, 331 e 332) garante que impedir a divulgação de pauta política reconhecida pelo Estado brasileiro é crime eleitoral. Somente a Justiça Eleitoral pode censurar e, mesmo assim, não de maneira prévia. Uma empresa privada não pode agir em nome do Estado. Isso é livre manifestação do pensamento, no caso preconizado pela ADPF 187/2011. Se isto é um campo aberto da legislação, não se pode agir arbitrariamente, impedindo candidaturas com regras desiguais".

Os anúncios bloqueados abrangem temas como a legalização da maconha no país para fins medicinais, a guerra às drogas, encarceramento em massa e políticas de redução de danos. A candidatura também é composta por propostas relacionadas a participação no Conselho Municipal de Política de Drogas, criação farmácia Viva do SUS, atuação da Guarda Municipal no combate às drogas e diálogo com o Comando de Policiamento de Belo Horizonte.

“Todas essas políticas são do âmbito municipal. Ser vereador pela legalização é trabalhar pela ciência, por uma legislatura que paute suas decisões pelo conhecimento e deixe antigos preconceitos de lado. Vereador não promete obras, ele defende áreas, fiscaliza o governo e é um agente político que atua em instituições”, explicou Dário 4e20. 

Outras campanhas censuradas

Dário não está surpreso com a censura de sua campanha nas redes sociais. Em 2018, também foi impedido pelo Facebook de realizar anúncios da sua campanha eleitoral. Por esse motivo, é possível que Dário tenha perdido as eleições para deputado estadual, já que ficou como segundo suplente, recebendo 12.774 votos em Minas Gerais.
 
Parecer do Facebook
 
Ao Estado de Minas, o Facebook informou que o bloqueio sofrido pelo candidato Dário 4e20 não tem ligação com censura e sim a um erro que já foi corrigido. Afirmou ainda que os anúnicos da campanha de Dário já foram liberados e, assim, não há qualquer impedimento na página do Facebook do político. 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade