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Estado de Minas ELEIÇÕES 2020

Candidatos à PBH falam em descentralização da administração municipal

Kalil diz que Orçamento Participativo era usado como ferramenta política


17/10/2020 04:00 - atualizado 17/10/2020 10:42

O prefeito Alexandre Kalil, candidato do PSD, diz que o Orçamento Participativo virou ferramenta política(foto: LEANDRO COURI/EM/D.A.PRESS)
O prefeito Alexandre Kalil, candidato do PSD, diz que o Orçamento Participativo virou ferramenta política (foto: LEANDRO COURI/EM/D.A.PRESS)


O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV começou há uma semana. Candidatos a prefeito de Belo Horizonte usam dois blocos diários de 10 minutos e as inserções ao longo do dia para apresentar propostas e fazer críticas a Alexandre Kalil (PSD), que tenta a reeleição.

Uma das pautas presentes nos programas é o Orçamento Participativo — programa que permite à população escolher obras a serem feitas pelo poder público. Os concorrentes ao Executivo municipal cobram também o fortalecimento das regionais e a descentralização da administração.

Kalil – primeiro colocado na última pesquisa Ibope, com 59% das intenções de voto – reconheceu a importância do Orçamento Participativo, mas disse que, ao assumir a prefeitura, percebeu a utilização do programa como “ferramenta política”. Segundo ele, cerca de 450 obras iniciadas a partir das decisões populares estavam paradas. Era festa, não era obra. Nós já estamos concluindo, das 450, mais de 300. Fazer reuniões demagógicas e prometer obras não faz meu estilo. Se a gente não zerar essa fila, não vamos fazer maldade com o povo. Não vamos prometer e não cumprir, reunir gente que precisa da obra, falar que vai fazer, mas não fazer”, afirmou.

João Vítor Xavier (Cidadania) – segundo lugar na pesquisa Ibope, com 7% – citou a violência de gênero em seu programa. Nesta semana, um dos pontos mais explorados por ele foi a proposta de criar uma casa para acolher vítimas de agressões. “Serão espaços seguros e confortáveis para acolher mulheres, mães e filhos que precisam de ajuda”, projetou, vislumbrando instalar um empreendimento do tipo em cada regional até o fim de um eventual mandato.

João Vítor começou a campanha em rádio e TV se dividindo entre críticas a Kalil e lembranças de sua atuação como deputado estadual na Assembleia Legislativa. As chuvas que assolaram a cidade no início do ano foram citadas pelo candidato, que criticou a demora da prefeitura na conclusão das obras. O mesmo ocorreu com a atuação de João Vítor no Parlamento à época da tragédia de Brumadinho. A propaganda, em tom de apresentação, foi repetida diversas vezes nos primeiros dias. Com 3min16 de cada bloco de 10 minutos, o político do Cidadania é dono do maior tempo. Por isso, acumula inserções ao longo dos intervalos comerciais.

Representante do PT, Nilmário Miranda cita as administrações petistas em BH (Patrus Ananias, nos anos 1990, e Fernando Pimentel, na década de 2000). A tentativa é vista, justamente, quando menciona a necessidade de dar mais poder às regionais. “Temos que fazer em cada regional desta cidade uma economia popular e solidária. Não é fazer tudo no Centro; é fazer em todos os lugares da cidade, ter administrações regionais, verdadeiras subprefeituras. Aproximar o poder de onde o povo vive”, afirmou durante seu programa ontem, salientando que os moradores têm ideias de como suas localidades podem ser melhoradas.
 
O deputado João Vítor Xavier, candidato do Cidadania, falou da violência contra mulheres em seu programa(foto: GUILHERME DARDANHAN/ALMG)
O deputado João Vítor Xavier, candidato do Cidadania, falou da violência contra mulheres em seu programa (foto: GUILHERME DARDANHAN/ALMG)
 

APLICATIVOS

O tom é similar ao de Luisa Barreto (PSDB), cuja campanha tem a ideia de “cidade colaborativa” como um dos eixos. Do último dia 9 pra cá, ela falou, por exemplo sobre a utilização de aplicativos de celular para melhorar a comunicação entre população e o Executivo. Ontem, a tucana destacou a violência contra a mulher e prometeu unir Guarda Municipal e assistência social para amparar quem está em situação de risco.

Aurea Carolina (Psol) tem apenas 16 segundos no horário eleitoral. Por isso, além de rememorar seus feitos eleitorais, como ter sido a vereadora mais votada em 2016, convida os eleitores a conhecer as propostas compiladas em seu site oficial.

O deputado federal Lafayette Andrada (Republicanos) tem poucos segundos nas emissoras, mas tenta mesclar a apresentação de propostas com menções diretas e indiretas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como fotos ao lado dele, e a defesa de pautas sobre costumes, como a família “tradicional”. A candidatura é vendida como uma chapa formada “em defesa da família”.

Ontem, em seu horário na TV e no rádio, Lafayette ressaltou a proposta de alistamento facultativo com o objetivo de aumentar o contingente da Guarda Municipal. Ele propõe também a convocação dos aprovados no último concurso da corporação, mas ainda não chamados, para ocupar os cargos.

Rodrigo Paiva (Novo) busca atrair o empresariado propondo desburocratizar a abertura e a gestão de negócios. “Todo mundo está com medo de perder o emprego. Eu, como empreendedor, sei exatamente que para criar empregos é preciso diminuir impostos e acabar com a burocracia”, afirmou.

Wadson Ribeiro (PCdoB) aposta em campanha diferente da estratégia adotada por grandes nomes de seu partido. Em Porto Alegre, por exemplo, Manuela D'Ávila faz poucas menções ao nome da legenda — utilizando, inclusive, ainda que de forma discreta, o apelido “Movimento 65”, que dirigentes comunistas tentam emplacar. Em Belo Horizonte, por outro lado, o candidato do PCdoB utiliza seu tempo de rádio e TV para se firmar como ‘cabeça’ de uma candidatura de esquerda e criticar Bolsonaro.

CABOS ELEITORAIS

Há ainda candidatos que têm reprisado constantemente o teor de suas inserções. Marcelo Souza e Silva (Patriota), até agora, só colocou no ar o vídeo de apresentação, citando sua ligação com o setor lojista da cidade. Enquanto isso, o deputado estadual Professor Wendel Mesquita (Solidariedade) se apresenta como “homem de fé inabalável”.  Quem também mostrou suas “credenciais” ontem foi Fabiano Cazeca (Pros). Em sua primeira participação no horário eleitoral, adiada por causa de imbróglio com o partido, ele convocou o eleitorado a conhecer o site da campanha.

Figuras de relevância nacional têm aparecido pouco nos materiais dos candidatos belo-horizontinos. O governador Romeu Zema (Novo) tem sido apresentado pelo correligionário Rodrigo Paiva, enquanto Nilmário Miranda recorreu a vídeos do ex-presidente Lula em alguns comerciais. Fora as fotos mostradas por Lafayette Andrada, Bolsonaro só é citado nominalmente, mesmo, em tom crítico. Isso porque Bruno Engler, candidato dele em BH, é filiado ao PRTB, partido sem acesso ao tempo de TV em virtude do desempenho ruim na eleição passada. O mesmo ocorre com Marília Domingues (PCO), Wanderson Rocha (PSTU) e Cabo Washington Xavier (PMN).

AGENDA DOS CANDIDATOS

Compromissos de campanha na corrida pela Prefeitura de Belo Horizonte
Alexandre Kalil (PSD)
Não informou seus compromissos. 

Áurea Carolina (Psol)
Caminhada em ocupações urbanas (Vitória, Esperança e Rosa Leão). 

Bruno Engler (PRTB)
Pela manhã, carreata no bairro Castelo com adesivação de carros.
À tarde, visita a clube de tiro e caça.

Cabo Washington Xavier (PMB)
Não informou seus compromissos. 

Fabiano Cazeca (Pros)
Reunião interna pela manhã.
À tarde, gravação de programas de rádio e TV para horário eleitoral.

João Vitor Xavier (Cidadania)
Pela manhã, encontro com lideranças comunitárias em Venda Nova.
À tarde, almoço na Feira dos Produtores no bairro Cidade Nova. 

Lafayette Andrada (Republicanos)
Reunião com candidatos a vereador do partido pela manhã.
À tarde, gravação de programas de rádio e TV para horário eleitoral e reunião interna.

Luisa Barreto (PSDB)
Caminhada pelo corredor comercial do bairro Jaraguá pela manhã.
À tarde, adesivaço no bairro Vista Alegre e reunião no bairro Vila Nazaré. 

Marcelo Souza e Silva (Patriota)
Visita a grupo folclórico no bairro Carlos Prates pela manhã.
À tarde, encontro com lideranças de motoclubes no bairro Santo Agostinho.  

Marília Domingues (PCO)
Evento virtual com juventude militante pela manhã.
À tarde, reuniões internas. 

Nilmário Miranda (PT)
Pela manhã, carreata pela regional Norte.
À tarde, evento virtual. 

Rodrigo Paiva (Novo)
Encontro com moradores do bairro Taquaril pela manhã.
Logo depois, encontro com o presidente do Clube Ginástico. 

Wadson Ribeiro (PCdoB)
No início da manhã, caminhada pelo bairro Padre Eustáquio. Logo em seguida, caminhada em Venda Nova.
À tarde, caminhada pelo bairro Santa Mônica e, logo depois, pelo bairro Serra. 

Wanderson Rocha (PSTU)
Reunião com professores da rede municipal pela manhã.
À tarde, visita a apoiadores na Pampulha e em Venda Nova. 

Wendel Mesquita (Solidariedade)
Pela manhã, caminhada no bairro Santa Terezinha.
À tarde, gravação de programas de rádio e TV para horário eleitoral.
Encontro com lideranças religiosas à noite.


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