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Estado de Minas MORO NO FANTÁSTICO

Moro sobre ira de apoiadores de Bolsonaro com denúncia de interferência na PF: 'Verdade inconveniente'

Ex-ministro sente que Bolsonaro tem perdido popularidade por atitudes controversas à frente do governo


postado em 25/05/2020 01:26 / atualizado em 25/05/2020 01:44

Sergio Moro sente que Bolsonaro tem perdido popularidade por atitudes controversas à frente do governo(foto: Reprodução TV Globo)
Sergio Moro sente que Bolsonaro tem perdido popularidade por atitudes controversas à frente do governo (foto: Reprodução TV Globo)
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, lamenta que parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro tenha reagido com ira à sua denúncia de que o presidente interferiu politicamente na Polícia Federal. Durante entrevista ao Fantástico, da TV Globo, nesse domingo, ele tratou o fato como “verdade inconveniente”.

“Veja, eu, quando deixei o governo, fiz aquele pronunciamento e depois prestei um depoimento, eu deixei muito claro que nunca foi minha intenção prejudicar o governo de qualquer maneira. O que aconteceu, na minha avaliação, foi uma interferência política do presidente da República na Polícia Federal, tanto na direção como também na superintendência do Rio de Janeiro. Entendi pela relevância do assunto que era minha obrigação revelar a verdade por trás da minha saída. Cabe agora às instituições - PGR, Polícia Federal e o próprio Superior Tribunal Federal - fazer avaliação sobre esses fatos. Da minha parte não cabe omitir opinião específica a esse respeito”, disse.

Um dos fatos apontados por Moro como prova para a interferência do presidente na PF foi a reunião ministerial de 22 de abril, na qual Bolsonaro se dirigiu a ele e falou que iria ‘interferir sim’.

Horas antes da reunião, o presidente havia enviado uma mensagem a Moro informando que Maurício Valeixo seria tirado do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. “Moro, o Valeixo sai nessa semana. Isso está decidido', escreveu Bolsonaro às 6h37 de 22 de abril, em mensagem de Whatsapp.

Moro falou sobre a mensagem e confirmou que, durante a reunião de ministros, Bolsonaro olhou para ele quando afirmou que interferiria na PF. “Ele mandou estas mensagens, de fato, no dia 22, dizendo, ‘olha, vai trocar de qualquer jeito, você escolhe apenas a forma’. Isso demonstra essa argumentação (do presidente) de que não havia interesse de interferência na Polícia Federal não é propriamente correto. Esse vídeo é mais um dos elementos de prova. Nós tivemos a reunião, né, Ministerial, no qual novamente ele externou essas situações de que ele iria trocar, intervir, né, porque os serviços de inteligência não funcionavam, ele precisava trocar, e ele ali me parece claro, até no gestual que ele realiza, que se refere a mim, à Polícia Federal”.

“Acho que o vídeo fala por si. quando ele olha na minha direção, isso evidencia que ele estava tratando desse assunto, falando desse assunto, da Polícia Federal”, agregou em outro ponto da entrevista à TV Globo.

Divisão entre bolsonaristas

Apesar de saber que muitos apoiadores de Jair Bolsonaro ficaram decepcionados com sua postura de denunciar o presidente pela interferência na PF, Moro disse que o importante foi relatar a verdade.

Por outro lado, ele constata que o presidente tem perdido popularidade por diversas ações controversas. “Acho que algumas verdades inconvenientes surgiram, muitos apoiadores do próprio presidente me diziam, antes da minha saída, um tanto quanto frustrados contra essa falta de empenho maior na agenda anticorrupção”.

“Me desculpem aqui os seguidores do presidente, se essa é uma verdade inconveniente, mas essa agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente da República para que nós implementássemos”, completou Moro.

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