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Estado de Minas BOLSONARO, ANO 1

Como a queda na popularidade de Bolsonaro afetou os bastidores do governo

Queda na popularidade desafia Bolsonaro Aprovação do presidente caiu de quase 50%, no início do ano, para 29%, segundo Ibope. Índice é o mesmo atingido pelo ex-presidente Collor, que sofreu impeachment


postado em 22/12/2019 04:00 / atualizado em 22/12/2019 07:40

O presidente não consegue agregar apoio de parte da sociedade além dos eleitores fiéis(foto: Agência Brasil)
O presidente não consegue agregar apoio de parte da sociedade além dos eleitores fiéis (foto: Agência Brasil)

O governo precisará encontrar a melhor sintonia do diálogo com o Legislativo. Caso a articulação não funcione, dependerá muito de uma melhora da economia para tocar a ampla agenda de reformas defendida pelo ministro Paulo Guedes e manter a pauta, de um jeito ou de outro. Tradicionalmente, o presidente eleito costuma ter a seu favor o apoio popular no primeiro ano de mandato, um elemento chave para induzir o Parlamento a apoiá-lo. A aprovação de Jair Bolsonaro, contudo, caiu de quase 50%, no início do ano, para 29%, aponta o Ibope. O índice é o mesmo atingido pelo ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment e, em seu primeiro dia de governo, anunciou o confisco da poupança.
Basicamente, Bolsonaro mantém uma taxa dos que consideram seu governo ótimo ou bom em um patamar próximo aos 31% do índice de intenção de votos que tinha antes do primeiro turno das eleições de 2018, de acordo com o próprio Ibope. Em outras palavras, o presidente não consegue agregar apoio de parte da sociedade além dos eleitores fiéis. O senador Otto Alencar (BA), líder do PSD na Câmara, alerta para as dificuldades no relacionamento com o Executivo e associa a incapacidade em agregar às próprias decisões tomadas.

O parlamentar cita, como exemplo, as cisões internas do governo. “O próprio partido que o elegeu, o PSL, se dividiu. Quem não pensa igual, Bolsonaro tira do caminho. Isso dificulta a relação, mas o Congresso está tendo muita responsabilidade e votando a favor do equilíbrio”, afirma. Alencar considera negativa a instabilidade institucional que o presidente transmite. “Ninguém consegue decifrar o caminho que ele vai tomar, muda de opinião de uma hora para a outra, tem descontroles verbais que constrangem os próprios aliados. O governo é confuso e instável, tanto que, em um ano, trocou muita gente. Ele faz sempre diáspora dentro do próprio grupo, mantendo um estado completo de beligerância”, explica.

Segundo mandato

A análise é endossada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), líder do partido na Casa. Para ele, Bolsonaro tem característica autoritária, e isso se reflete em dificuldades para debater opiniões diferentes. “Na cabeça dele, o Congresso deveria ser uma extensão do governo, dos desejos dele. Mas o Congresso é autônomo, independente e tem se posicionado assim. O que favorece é o fato de que a agenda econômica coincide com a agenda da maior parte dos congressistas, fica uma aparente imagem de que tem maioria, mas não tem. Uma das dificuldades é que ele ficou prisioneiro do discurso de que não ia ter toma lá dá cá, que não ia fazer jogo com o Congresso. Mas está sendo feito o tempo todo. Nunca houve um governo que tirasse tanta verba de ministérios e colocasse para emendas”, acusa.

A jornalistas, ontem, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez uma avaliação de seu primeiro ano, que considera bom. Enalteceu o trabalho feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem chamou de seu “patrão”, e projetou um cenário positivo para 2020, com foco na economia. Ele bancou a aprovação da reforma tributária, mas destacou que o carro-chefe para o próximo ano será a criação de empresas. “O que nós queremos é facilitar a vida de quem empreende”, sustenta. Diz, inclusive, ter pedido ao chefe da equipe econômica para lançar o plano Minha Primeira Empresa.

A economia, na cabeça de Bolsonaro, se confirmada a recuperação projetada por analistas de mercado, será a sua grande ponte para o segundo mandato. O governo aposta que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá entre 2,5% e 3% em 2020, índice suficiente para reduzir a taxa de desemprego para próximo de 10%. A seu favor, terá ainda a inflação sob relativo controle e os juro nos níveis mais baixos da história. O grande desafio do presidente, em meio a esse quadro favorável, será domar o instinto de criar problemas. Bolsonaro sabe que aí mora o seu grande ponto fraco. (IS)


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