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Estado de Minas

Após chamar jornalista de 'homossexual terrível', Bolsonaro diz: 'Eu erro'

Neste sábado, o presidente comentou a repercussão das investigações do Ministério Público envolvendo o senador Flávio Bolsonaro


postado em 21/12/2019 14:38 / atualizado em 21/12/2019 15:39

O presidente Jair Bolsonaro durante entrevista, em frente ao Palácio da Alvorada, neste sábado(foto: Isac Nóbrega/PR )
O presidente Jair Bolsonaro durante entrevista, em frente ao Palácio da Alvorada, neste sábado (foto: Isac Nóbrega/PR )

Um dia depois de atacar o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), o Ministério Público (MP) carioca e a imprensa, o presidente Jair Bolsonaro recebeu jornalistas no Palácio da Alvorada e disse: "Se não tiver a cabeça no lugar, eu alopro".

As declarações do chefe do executivo federal  giram em torno da repercussão das investigações do MP sobre recursos não declarados  de R$ 2,3 milhões envolvendo o filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido).

Na sexta-feira, ao comentar as investigações, o presidente, acuado, disse a um jornalista: "Você mesmo, tem uma cara de homossexual terrivel". Após a repercussão negativa da declaração, neste sábado, ele tentou se retratar: "Sim, eu erro, não deveria ter falado".

Na conversa com os jornalistas, o presidente defendeu o controle do MP. Segundo Bolsonaro, a instituição estaria abusando na condução das investigações envolvendo o filho dele.  "Então, a questão do MP. Tá sendo um abuso. É o que noto. Qual a interferência minha? Zero",  disse o presidente.

Chefe de organização criminosa


O senador Flávio Bolsonaro é suspeito de ser chefe de organização criminosa que desviava dinheiro  por meio de um expediente  batizado de 'rachadinha', ou seja, funcionários são contratados como servidores públicos e parte do salário é repassado para o contratante,  em geral parlamentares.

O episódio teria acontecido no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, envolvendo um assessor dele, Fabrício Queiroz.

Nessa quarta-feira (18), Queiroz e ex-assessores de Flávio Bolsonaro foram alvos de busca e apreensão por meio de mandados expedidos pela Justiça do Rio de Jasneiro.

Caso Flávio


Na conversa, em tom informal, neste sábado, Bolsonaro usava uma camiseta do Flamengo e afastava moscas com tapas no ar. Ele disse que a condução da investigação contra Flávio pelo Ministério Público do Rio "está sendo um abuso" e que, se teve um "estardalhaço enorme", pode ter sido por falta de materialidade do processo. "Todo poder deve ter uma forma de sofrer um controle", afirmou. "Se eu não tiver a cabeça no lugar, eu alopro".

Federalização do caso Marielle


O presidente também afirmou que "seria bom" federalizar as investigações sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), mas que a medida seria "indicativo de que querem me blindar com a Polícia Federal".

Eleição em SP


Bolsonaro disse ainda não ter compromisso com ninguém na eleição para a prefeitura de São Paulo, mas afirmou ter boa relação e estar conversando com o apresentador José Luiz Datena. O presidente declarou que não prometeu apoio ao deputado federal Marco Feliciano a prefeito de São Paulo.

Aliança pelo Brasil


Bolsonaro voltou a afirmar que o partido Aliança pelo Brasil não deve sair papel a tempo das eleições municipais de 2020: "1% de chance". O presidente disse que defende candidaturas avulsas e que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), concordou em pautar no próximo ano a discussão sobre o voto impresso.

Guedes 'Patrão'


Questionado sobre questões econômicas e criação de novos tributos, Bolsonaro disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, "é o patrão", mas que a determinação é não ter novos impostos, apenas substituir os que já existem. O presidente sinalizou que deseja estender faixa de isenção de imposto de renda para R$ 3 mil reais.

Provocação a jornalistas


Bolsonaro disse que se controla ao falar com jornalistas e que a mídia o "provoca" para ter manchete. Ele disse que reflete sobre algumas declarações e que se arrepende, em alguns casos. Bolsonaro comparou a relação com a imprensa ao futebol e comparou, em tom irônico: "É igual futebol: ali na frente, de vez em quando, você mande seu colega para a ponta da praia (base da Marinha que teria sido usado como local de tortura na ditadura militar). Depois vai tomar uma tubaína com ele", afirmou.

Abraham Weintraub


Bolsonaro disse que Abraham Weintraub melhorou o Ministério da Educação ao assumir a pasta, mas revelou que fez cobranças sobre o comportamento espalhafatoso do ministro, como quando ele divulgou nas redes sociais um vídeo parodiando o filme "Cantando na Chuva" para dizer que estava "chovendo fake News". "Falta (a Weintraub) dar uma calibrada. Está fazendo uma de Bolsonaro quando deputado", disse Bolsonaro.

STF


O presidente revelou que considera um bom nome para indicar a uma vaga do Supremo Tribunal Federal (STF) o do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira. Também repetiu que o ministro da Advocacia Geral da União, Luiz Mendonça, é avaliado a outra vaga. Ele repetiu que pretende indicar um evangélico ao Supremo e disse que a ideia surgiu após a Corte decidir criminalizar a homofobia.

Juiz de Garantia


Bolsonaro disse que ainda está em avaliação o veto à criação do juiz de garantia no Pacote Anticrime. Segundo ele, o ministro da Justiça, Sergio Moro, pede para vetar o trecho, pois o custo seria elevado para contratação de novos magistrados. Já Bolsonaro sinalizou ser favorável à presença de um segundo juiz em alguns casos. Ele usou um caso pessoal como exemplo. " Fiquei chateado quando peguei multa, arquivada, R$ 10 mil, pelo Ibama do Rio. Fui multado 11h da manhã sendo que tinha meu dedo no painel de votação da Câmara", relatou Bolsonaro. Em seguida, ele disse que o mesmo fiscal avaliou o seu recurso sobre a multa e que um segundo "juiz" seria importante neste caso.


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