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Estado de Minas CúPULA DOS BRICS

Guedes quer livre comércio

Ministro diz que governo iniciou conversas com a China sobre acordo para eliminar tarifas nas transações comerciais entre os países. Para ele, o Brasil precisa se integrar


postado em 14/11/2019 04:00 / atualizado em 14/11/2019 08:04

Paulo Guedes vê atraso nos negócios no mercado indiano. Para ele, integração está tirando %u201Ca população global da miséria%u201D (foto: Fátima Meira/Estadão Conteúdo)
Paulo Guedes vê atraso nos negócios no mercado indiano. Para ele, integração está tirando %u201Ca população global da miséria%u201D (foto: Fátima Meira/Estadão Conteúdo)

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil quer ampliar e diversificar o comércio com a China. Em pronunciamento durante seminário sobre o New Development Bank (NDB), o banco do Brics, o ministro afirmou que foram iniciadas conversas com os chineses em torno de um acordo de livre comércio entre os dois países, ou seja, um tratado pelo qual a maior parte ou todos os bens e serviços importados e exportados dos dois lados seria livres de tarifas. Guedes, no entanto, não deu detalhes. “Já fizemos acordo com a União Europeia e agora estamos conversando sobre ‘free trade’ (livre comércio)”, afirmou.

A formalização de um acordo de livre comércio, no entanto, não é algo que dependa apenas do Brasil. Como o país é membro do Mercosul, e as regras do bloco exigem a concordância de todos os membros em negociações comerciais com terceiros países, seria preciso o apoio de Uruguai, Paraguai e Argentina. Guedes, no entanto, mostrou pressa: “Queremos nos integrar às cadeias globais de produção. Já perdemos tempo demais”, disse.

Guedes também ressaltou o espaço de negociações com a Índia, outro parceiro do Brics com o qual o volume de troca comercial com o Brasil está em torno de US$ 4 bilhões ao ano. “Estamos bem atrasados nas possibilidades com a Índia. O maior upside (expansão) de comércio é com a própria Índia, pois o comércio é limitado. Há um enorme espaço. Não temos nada ainda realizado em termos de comércio”, disse. Ao defender mais investimentos no país, Guedes citou em vários momentos do discurso a importância de o Brasil aumentar sua integração no mercado internacional. “O comércio internacional está tirando a população global da miséria. Está todo mundo melhorando o padrão de vida quando entra na integração”, disse.

Paulo Guedes também qualificou como “especial” o fato de a China e a Índia serem, atualmente, os países indutores do crescimento global. Ao mesmo tempo, ele lembrou que o Brasil ficou “isolado por 40 anos”, o que prejudicou o país. “Estamos agora em uma estrada para a prosperidade”, disse Guedes no início de sua fala. “A globalização nos últimos 20 ou 30 anos tem sido um fenômeno grandioso. Isso explica a maioria das incertezas e também da prosperidade”, defendeu. Guedes afirmou que a indução do crescimento global pela China e pela Índia faz com que haja uma mudança do “mundo ocidental” para o “mundo oriental”.

Fila de espera O ex-secretário de comércio exterior Welber Barral, consultor da Barral M Jorge Consultores Associados, acredita que ainda tenha uma fila de países à frente da China, com quem o Brasil já tem negociações de comércio em andamento. “Não é tão simples assim, ainda mais com países tão grandes quanto a China. A abertura comercial com outros países, como o Canadá, por exemplo, deve vir bem antes que essa”, comentou.

De acordo com os dados oficiais, as exportações brasileiras para o gigante asiático alcançaram US$ 51,53 bilhões, de janeiro a outubro deste ano. No mesmo período, as importações de mercadorias daquele país atingiram US$ 30,07 bilhões. Ou seja, o saldo comercial, em 2019, está favorável ao Brasil em US$ 21,45 bilhões.

Embora a China seja nosso maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, Barral destaca que o Brasil tem dificuldades para exportar outras coisas além de commodities, como soja, petróleo e minério de ferro. “Outra coisa é que a questão de falta logística do Brasil é uma grande barreira para o comércio exterior, tem um custo imenso na indústria brasileira. Então, primeiro tem que tornar mais eficiente, implementando infraestruturas, à medida em que a economia se estabilize”, afirmou.

A diferença de competitividade entre as economias do Brasil e da China é um dos motivos que leva empresários, sobretudo do setor industrial, a ver com cautela a possibilidade de um acordo de livre comércio entre os dois países. O temor é de uma invasão de produtos chineses que acabe por inviabilizar setores produtivos brasileiros.


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