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Estado de Minas RESPOSTA A CRÍTICOS

Versão light de Bolsonaro é expectativa em discurso na ONU

Após série de embates com líderes mundiais sobre desmatamento, investimentos e orientação política, que abalaram as relações internacionais do país, presidente diz que vai se explicar, em tom de conciliação


postado em 23/09/2019 06:00 / atualizado em 23/09/2019 08:39

O presidente disse que responderá a questionamentos em Nova York defendendo a soberania nacional (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 7/9/19)
O presidente disse que responderá a questionamentos em Nova York defendendo a soberania nacional (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 7/9/19)

Diante dos holofotes de todo o mundo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) abre amanhã a sessão anual da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) – espaço normalmente reservado ao presidente do Brasil – com a missão de tentar minimizar a imagem negativa de seu governo pelo mundo afora. Na semana passada, em entrevista à TV Record, ele afirmou que fará um discurso “conciliatório”, “diferente” e em “defesa da soberania nacional” – uma resposta aos questionamentos de lideranças, ativistas e personalidades internacionais em razão do aumento das queimadas e desmatamento ilegal da Amazônia. Para isso, espera-se que ele mostre como vai trabalhar pela preservação do meio ambiente.

“Já comecei a rascunhar o discurso, um discurso diferente dos que me antecederam. É conciliatório sim, mas (irá) reafirmar a questão da nossa soberania e do potencial que o Brasil tem para o mundo, coisa que poucos ou quase nenhum presidente teve uma postura dessa natureza na ONU”, disse Bolsonaro, que já se considerou vítima de uma perseguição internacional por parte de países que querem se apropriar da Amazônia e de grupos que fazem oposição ao seu governo. Na elaboração do texto, o presidente teve a assessoria dos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, que o acompanham na viagem aos Estados Unidos.

A política ambiental do governo Bolsonaro, que envolve uma negativa dos desmatamentos na Amazônia, críticas à atuação de ONGs e a exploração econômica de reservas indígenas, foram capazes de ameaçar acordos comerciais e investimentos internacionais. Na quarta-feira passada, em comunicado conjunto, 230 fundos de investimentos – que administram juntos US$ 16 trilhões, ou R$ 65 bilhões – divulgaram nota em que pedem ao Brasil que adote medidas eficazes para proteger a floresta amazônica.

Para ter ideia do que esse valor representa, o volume de recursos sob a gestão do grupo é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) da China, calculado em US$ 13 trilhões. “Estamos preocupados com o impacto financeiro que o desmatamento pode ter sobre as empresas investidas, aumentando potencialmente os riscos de reputação, operacionais e regulatórios”, diz trecho da nota.

O Parlamento da Áustria também se manifestou. Com a justificativa da crise na Amazônia, no último dia 19, quase todos os partidos do subcomitê da União Europeia votaram contra o acordo com a zona de livre comércio do Mercosul. “A floresta tropical é incendiada na América do Sul para criar pastagens e exportar carne com desconto para a Europa”, afirmou comunicado de Elisabeth Koestinger, ex-ministra da Agricultura, do Partido Popular. “A UE não deve recompensar isso com um acordo comercial.” A decisão do parlamento ainda pode ser revertida, até porque o texto do acordo só deverá ficar pronto no início do ano que vem. O presidente da França Emmanuel Macron, com quem Bolsonaro andou se estranhando, já havia ameaçado bloquear o acordo entre UE e Mercosul.


Merkel e Bachelet


A Alemanha também reagiu às queimadas na Amazônia e o governo anunciou a suspensão de investimentos do país na região. Em entrevista à imprensa, o presidente brasileiro disse que a Alemanha precisa de mais investimentos no setor que o Brasil. “Eu queria até mandar recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu 80 millhões de dólares pra Amazônia. Pega essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”, disse, em recado à chanceler alemã. Em agosto, o país europeu anunciou o congelamento do equivalente a R$ 155 milhões no financiamento de medidas de proteção da floresta, sob o argumento do aumento no desmatamento.

Temas delicados, como a ditadura militar e os direitos humanos, ganharam destaque na mídia mundial. A última delas envolveu a Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, – cujo pai, o general Alberto Bachelet, foi morto na prisão, em 1974, depois de ser torturado pelo regime de Augusto Pinochet. Ao afirmar que houve uma “redução do espaço cívico e democrático” no Brasil, Bachelet ganhou como resposta elogios à ditadura de Pinochet – que durou de 1973 a 1990.

Jair Bolsonaro chega aos Estados Unidos na tarde de hoje. A agenda inclui um jantar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Algumas reuniões foram suspensas, em razão da cirurgia a que foi submetido no início deste mês. O presidente passou por uma correção de hérnia, provocada pela série de operações, necessárias em razão do ataque a facada que sofreu em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, há um ano, durante ato da campanha eleitoral. Na sexta-feira, após passar por vários exames médicos, Bolsonaro foi autorizado a fazer a viagem. O retorno dele está previsto para esta quarta-feira.

NA VITRINE


Coleção de polêmicas abertas pelo presidente da República, que provocaram duras críticas no exterior

“Esses países não mandam dinheiro por caridade. Mandam com interesse, para atingir a nossa soberania”

Ao comentar que ONGs ambientalistas trabalham para quem “paga mais”

“Lamento que o Presidente Macron (Emmanuel Macron, presidente da França) procure instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazônia — apelando até com fotos falsas — não contribui em nada para a solução do problema”

Em resposta à sugestão do presidente francês pra que os incêndios na Amazônia fossem debatidos na reunião dos países do G7, grupo das maiores economias no mundo, realizada no mês passado

“Não humilha, cara. KKKKKKKKKK”

Ao comentar meme em que um de seus seguidores comparava a aparência física das primeiras-damas francesa, Brigitte Macron, e brasileira, Michele Bolsonaro. “Agora entende porque o Macron ataca o Bolsonaro?", dizia o comentário respondido pelo presidente

“Em torno de 40% do Fundo Amazônico vão para as... ONGs, refúgio de muitos ambientalistas. Veja a matança das baleias patrocinada pela Noruega”

Resposta à decisão do governo norueguês de suspender repasses de R$ 133 milhões para o Fundo da  Amazônia. As imagens postadas, no entanto, referiam-se à caça de mamíferos na Dinamarca

“Michelle Bachelet, seguindo a linha do (presidente francês Emmanuel) Macron, em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”

Escreveu o presidente sobre a ex-presidente do Chile

"Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece de que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época"

Sobre a Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, que, no início do mês, criticou a “redução do espaço cívico e democrático no Brasil” ao comentar os incêndios florestais



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