Publicidade

Estado de Minas

Grupo Globo diz que errou ao produzir reportagem sobre Heloisa Bolsonaro

A intenção do repórter era revelar o método de trabalho da profissional


postado em 16/09/2019 23:09 / atualizado em 17/09/2019 08:21

Heloísa é psicóloga (foto: Reprodução/Instagram)
Heloísa é psicóloga (foto: Reprodução/Instagram)
O Grupo Globo divulgou uma nota, nesta segunda-feira, em que assume que errou ao produzir reportagem sobre o curso de Heloisa Bolsonaro, esposa do deputado federal Eduardo Bolsonaro, intitulada "O coaching on-line de Heloísa Bolsonaro", publicada pelo jornalista João Paulo Saconi. Conforme o Estado de Minas publicou, a intenção do repórter era revelar o método de trabalho da profissional.
 
Leia a íntegra da nota:
 
“Como toda atividade humana, o jornalismo não é imune a erros. Os controles existem, são eficientes na maior parte das vezes, mas há casos em que uma sucessão de eventos na cadeia que vai da pauta à publicação de uma reportagem produz um equívoco.
 
Foi o que aconteceu com a reportagem “O coaching on-line de Heloisa Bolsonaro: as lições que podem ajudar Eduardo a ser embaixador”, publicada na última sexta-feira. ÉPOCA se norteia pelos Princípios Editoriais do Grupo Globo, de conhecimento dos leitores e de suas fontes desde 2011. Mas, ao decidir publicar a reportagem, a revista errou, sem dolo, na interpretação de uma série deles.
 
É certo que em sua seção II, item 2, letra “h”, está dito: “A privacidade das pessoas será respeitada, especialmente em seu lar e em seu lugar de trabalho. A menos que esteja agindo contra a lei, ninguém será obrigado a participar de reportagens”. A letra “i” da mesma seção abre a seguinte exceção: “Pessoas públicas – celebridades, artistas, políticos, autoridades religiosas, servidores públicos em cargos de direção, atletas e líderes empresariais, entre outros – por definição abdicam em larga medida de seu direito à privacidade.
 
Além disso, aspectos de suas vidas privadas podem ser relevantes para o julgamento de suas vidas públicas e para a definição de suas personalidades e estilos de vida e, por isso, merecem atenção. Cada caso é um caso, e a decisão a respeito, como sempre, deve ser tomada após reflexão, de preferência que envolva o maior número possível de pessoas”.
 
O erro da revista foi tomar Heloisa Bolsonaro como pessoa pública ao participar de seu coaching on-line. Heloisa leva, porém, uma vida discreta, não participa de atividades públicas e desempenha sua profissão de acordo com a lei. Não pode, portanto, ser considerada uma figura pública. Foi um erro de interpretação que só com a repercussão negativa da reportagem se tornou evidente para a revista.
 
Em sua seção 1, item 1, letra “r”, os Princípios Editoriais do Grupo Globo determinam: “Quando uma decisão editorial provocar questionamentos relevantes, abrangentes e legítimos, os motivos que levaram a tal decisão devem ser esclarecidos”. E o preâmbulo da mesma seção estabelece com clareza: “Não ha%u0301 fórmula, e nem jamais haverá, que torne o jornalismo imune a erros. Quando eles acontecem, e%u0301 obrigação do veículo corrigi-los de maneira transparente”.
 
É ao que visa esta Carta aos Leitores. Explicar o que levou à decisão editorial equivocada, reconhecer publicamente o erro e pedir desculpas a Heloisa Bolsonaro e aos leitores de ÉPOCA.”
 
Em publicação feita no Instagram, Heloísa já tinha se manifestado e alegou que João nunca se revelou como repórter. 
 
“Peguei meu celular e havia várias chamadas perdidas de um ‘ex-cliente’. Logo que vi, retornei, preocupada. ‘Será que está bem?’ pensei. ‘Então, estou ligando para te comunicar que eu registrei todas as nossas 5 sessões e vou publicar na revista Época. Você quer falar alguma coisa?’ Juro que eu nem entendi na hora, até respondi, confusa: ‘Oi?’ e perguntei: ‘Mas você acha ético isso?’'. 
 
O ex-cliente nunca se identificou como jornalista e muito menos que publicaria uma matéria, o que não teve minha autorização. Cheguei a questioná-lo na ligação, pois não estava acreditando: ‘Você já tinha a intenção de fazer isso, ao me contratar?’ e ele ‘Sim’. Senti-me completamente violada. Em nenhum momento o mesmo informou que estaria gravando. Inclusive, o jornalista quando questionado sobre seu nome completo, ocultou o último sobrenome, o mesmo que ele assina suas matérias”. 
 
 


Publicidade