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Estado de Minas LEGISLATIVO

MP apura denúncia de compra de votos e rachadinha em Divinópolis

As irregularidades relatadas estão ligadas, principalmente, a uma empresa terceirizada pela Câmara Municipal


postado em 21/08/2019 06:00 / atualizado em 21/08/2019 07:45

Vereadores estão sendo ouvidos pelo MP o sobre as denúncias (foto: Divulgação/CMD)
Vereadores estão sendo ouvidos pelo MP o sobre as denúncias (foto: Divulgação/CMD)

O Ministério Público investiga compra de votos para eleição da Mesa Diretora da Câmara de Divinópolis, na Região Centro-Oeste do estado, e também a prática conhecida como “rachadinha”.

Desde o início das investigações foram ouvidos vereadores e assessores pelo promotor Gilberto Osório. A denúncia foi protocolada pelo vereador Sargento Elton (Patriota). Nela, ele afirma ter áudios de um ex-assessor da Câmara, com 16 anos de atuação, relatando que houve distribuição de cargos para eleger a atual Mesa Diretora.

Conforme a denúncia, cada vereador que votou a favor da chapa eleita recebeu uma cota pré-determinada para indicar pessoas da confiança para ocupar cargos no Legislativo municipal. Apenas um vereador teria recebido cota para indicar 11.

As irregularidades relatadas estão ligadas, principalmente, a uma empresa terceirizada pela Câmara. Ela é a responsável por contratar 45 funcionários para atividades-meio, como telefonista, recepcionista, copeiro, segurança. O assessor apontou a existência da prática também na prefeitura, mas neste caso a troca seria por apoio na votação de projetos.

Sobre a rachadinha, o ex-assessor teria dito, conforme a denúncia, que o percentual devolvido aos vereadores pelos assessores era para levantar recursos para futuras campanhas eleitorais. O promotor confirmou que o caso está sob investigação, mas não quis dar detalhes para não atrapalhar a apuração. Sargento Elton contou que o ex-assessor o procurou várias vezes no gabinete com as denúncias. 

“Eu não podia segurar para não ser omisso. Eu simplesmente encaminhei para o Ministério Público”, afirmou, acrescentando que os áudios foram enviados pelo ex-assessor por meio de WhatsApp.

O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), nega compra de votos e a suposta rachadinha. Criticou o que chamou de “denuncismo” e afirmou que é “reflexo da pior legislatura” que a Câmara de Divinópolis já teve. “Isso é por causa da ferrada que dei nele (Sargento)”, atacou, referindo-se à eleição da Mesa Diretora e completou: “Derrotei eles e vou derrotar quantas vezes for necessário.”

Kaboja disse ainda que Sargento foi “infeliz” na denúncia. “Ele pode denunciar onde ele quiser. Ele precisa provar. Na turma que votou em mim, não tem rachadinha. Não procede da minha parte”, atacou, defendendo a fiscalização. O atual presidente foi eleito por 11 votos a 6. Sargento Elton disputou como primeiro-secretário na chapa opositora.

Reação


A Comissão de Ética deverá ser provocada por alguns vereadores que se sentiram ofendidos com a denúncia. Ainda não há nada oficializado. A informação é de que alguns parlamentares estão aguardando a aprovação do novo Código de Ética para cobrar explicações. O anteprojeto com normas mais rígidas contra a falta de decoro parlamentar deve ser protocolado ainda esta semana. “Ninguém quer colocar mordaça na boca de nenhum vereador. O que queremos é respeito. Não está tendo isso entre os pares”, afirmou o presidente da Comissão, Eduardo Print Jr. (SD).

Em nota, a prefeitura disse respeitar o “princípio democrático e republicano do papel fiscalizador do Poder Legislativo” e tratou a questão “como uma forma desesperada de quem quer tentar antecipar o processo político e transformar o denuncismo descabido, mal que atinge nossa sociedade, em palanque eleitoral para 2020”. Classificou a denúncia como “vazia, descabida e inconsequente”. (Amanda Quintiliano)
 



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