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Estado de Minas POLÍTICA

Ministro da Educação se exalta ao ser questionado sobre suposta declaração contra comunistas

Abraham Weintraub apontou governos anteriores como responsáveis pelo contingenciamento de recursos anunciados agora sob Bolsonaro


postado em 15/05/2019 17:41 / atualizado em 15/05/2019 18:06

(foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
(foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, se exaltou durante a sabatina a que está sendo submetido na tarde desta quarta-feira, 15, no plenário da Câmara dos Deputados. Depois de ser interpelado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB), que o questionou sobre supostas declarações de que comunistas merecem "tomar bala na cabeça", Weintraub disse não ter "ódio no coração" e disse odiar "o pecado e não o pecador".

Dizendo ser alvo de "agressões fúteis e superficiais", o ministro retrucou: "Quanto à bala na cabeça, que a deputada Jandira falou, eu não tenho passagem na polícia, eu não tenho processo trabalhista - nunca tenho - minha ficha é limpíssima". "Bala na cabeça quem prega não é esse lado aqui", emendou.

O ministro também acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estar por trás do pedido que resultou na demissão de uma analista do Santander, que distribuiu nota apontando que a reeleição da então presidente Dilma Rousseff resultaria em uma piora na economia.

"Quem ligou para o dono do Santander na Espanha, para pedir a cabeça de uma bancária colega minha porque ela ousou falar que se a Dilma fosse reeleita a bolsa ia cair e o dólar ia subir, foi o Lula", disse Weintraub, subindo o tom de voz.

O ministro apontou governos anteriores como responsáveis pelo contingenciamento de recursos anunciados agora sob Bolsonaro. Já a atual administração federal, de acordo com o ministro, está empenhada em recuperar "parte do dinheiro da Petrobras que foi roubado".

"Quero que vocês um dia enxerguem a razão e vejam que tudo o que vocês pregam gera mal, atraso, números ruins. E quem paga de maneira mais dura, mais abjeta, é o povo, é o pagador de imposto."

Contingenciamento


Ao isentar o atual governo da responsabilidade pelos cortes, o ministro citou como causa do problema o governo Dilma, destacando que a petista tinha como vice o também ex-presidente Michel Temer. "Não somos responsáveis pelo desastre na educação básica brasileira", disse.

Weintraub afirmou que a atual gestão está apenas "cumprindo a lei" e disse que, se as reformas apresentadas pelo governo, principalmente a da Previdência, forem aprovadas pelo Congresso, o ambiente econômico melhorará e o Executivo terá recursos para voltar a investir.

"O Brasil parou de afundar, mas infelizmente ainda não decolou. Paramos de investir e isso só vai passar quando aprovarmos a nova Previdência. Estamos no limiar de ver o Brasil decolar. A recuperação econômica vai gerar receita e poderemos ter recursos para investir na educação novamente", disse.

Weintraub defendeu novamente que as universidades públicas do País não podem ser soberanas e que, se preciso for, a polícia pode atuar nos campi destas instituições. "Autonomia universitária não é soberania. Se preciso, a polícia tem que entrar (nas universidades). E se preciso for, a polícia vai entrar, vai entrar sim", disse.

O ministro participa de uma audiência pública em comissão geral na Câmara. Ele foi convocado nesta terça-feira, 14, para explicar o contingenciamento que foi imposto às universidades federais.

Nesta terça, Weintraub já havia defendido a permissão para a atuação das polícias no ambiente das universidades. Essas instituições gozam de autonomia "didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial" garantida pela Constituição. O ministro também afirmou que é preciso "corrigir juntos (a educação) sem revolução, sem brigar, sem intolerância".

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