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Estado de Minas

Desemprego preocupa Bolsonaro e reflete em baixa da popularidade

Lentidão da retomada da economia e a alta do desemprego nos quatro meses de governo representam entraves ao governo, que prometeu tirar o país da crise


postado em 05/05/2019 06:00 / atualizado em 05/05/2019 07:30

No 1º de Maio, Bolsonaro evitou fazer menção às taxas de desemprego (foto: Mauro Pimentel/AFP)
No 1º de Maio, Bolsonaro evitou fazer menção às taxas de desemprego (foto: Mauro Pimentel/AFP)

Brasília – A alta do desemprego está sendo um tormento para o governo. São só quatro meses completos de gestão, mas o presidente Jair Bolsonaro está preocupado com a lentidão do reaquecimento da economia. A ministros e interlocutores mais próximos, demonstra angústia com o crescimento das pessoas que não trabalham, nem estudam, os “nem-nem”. Por mais que desdenhe das pesquisas que apontam para o crescimento da rejeição ao governo – por considerá-las um recorte de momento –, o chefe do Executivo federal sabe que a retomada econômica é essencial para melhorar a popularidade, e pode ajudar a reverter a pressão do Congresso.

A insistência por mudanças na articulação política, de ceder à abertura de indicações de apadrinhados, aumentou desde que a reforma da Previdência chegou à comissão especial da Câmara. Nas bases eleitorais, deputados e senadores garantem que notam um descontentamento com o governo, motivado, sobretudo, pelos indicadores de emprego. É uma situação que, dizem líderes, reforça a cobrança para que a Casa Civil atenda às demandas dos partidos.

Especialistas afirmam que, normalmente, há queda na popularidade de presidentes nos primeiros meses porque, na maioria dos casos, a elevada expectativa do início é frustrada, já que as mudanças não se concretizam da noite para o dia. Para economistas, porém, uma recuperação na taxa de emprego vai demorar para acontecer.

E os números não jogam a favor do governo. No primeiro trimestre deste ano, as admissões superaram as demissões em 164,2 mil. Ou seja, foram criados postos de trabalho. No entanto, o saldo foi 15,9% inferior ao mesmo período em 2018, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foi um dos motivos, além do aumento da taxa de desemprego e subutilização da massa de trabalho – medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que levaram Bolsonaro a adotar um pronunciamento conservador na quarta-feira, Dia do Trabalho, sem fazer menção a dados de empregabilidade.

Ânimo A equipe econômica tem sido cobrada por Bolsonaro a adotar ações que ampliem a geração de empregos. O IBGE mostrou que o número de pessoas que procuram emprego subiu para 13,4 milhões nos três primeiros meses, o que representa uma alta de mais de 10% em comparação com o último trimestre de 2018. Além disso, a população subutilizada bateu o recorde da série histórica, atingindo 28,3 milhões de brasileiros.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e técnicos da pasta adotam o discurso de que os atuais problemas de curto prazo são questões de longo prazo não resolvidas anteriormente, em referência à gestão petista. O argumento, no entanto, não tem convencido o presidente, que exige medidas ainda para este ano, a fim de melhorar o ânimo da sociedade e, consequentemente, trabalhar o convencimento de parlamentares para a aprovação das agendas reformistas.

O ministro tem uma expectativa otimista, mas cuidadosa em relação ao atual cenário. Guedes sabe que cautela, no caso dos consumidores, significa recuo da demanda no mercado de bens e serviços. Mas, pressionado por Bolsonaro, pediu para que os técnicos da pasta intensifiquem estudos e análises para destravar intervenções microeconômicas de injeção no consumo, como no governo Temer.

Uma das propostas é liberar saques de contas inativas do PIS, voltado para trabalhadores do setor privado, e do Pasep, que atende aos servidores públicos. As medidas ainda estão sendo estudadas, mas cálculos da equipe econômica apontam para uma injeção de até R$ 10 bilhões. Atualmente, apenas pessoas com mais de 60 anos podem acessar os recursos.

Resposta

Em seu perfil no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) reagiu à campanha do Burger King que convoca para vídeo publicitário participantes “de um comercial de banco que tenha sido vetado e censurado nas últimas semanas”. A rede de fast food lançou ação de marketing em que critica a retirada do ar de propaganda do Banco do Brasil, que ocorreu após pedido de Bolsonaro. “Pode ser homem, mulher, negro, branco, gay, hétero, trans, jovem, idoso. Curtir fazer selfie é opcional. No Burger King, todo mundo é bem-vindo. Sempre”, diz o vídeo de convocação, em referência direta à propaganda do banco, em que a selfie era um dos critérios para a abertura da conta por aplicativo. Em resposta, o presidente postou: “Qualquer empresa privada tem liberdade para promover valores e ideologias que bem entende. O público decide o que faz. O que não pode ser permitido é o uso do dinheiro dos trabalhadores para isso. Não é censura, é respeito com a população brasileira”.

 

 


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