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Estado de Minas

Segundo laudo aponta que Adélio tem problemas mentais

Em conversas com psicólogos, agressor de Bolsonaro disse que ainda não cumpriu sua missão e ainda pretende matar o presidente


postado em 07/03/2019 15:12 / atualizado em 07/03/2019 19:05

(foto: Reprodução/internet)
(foto: Reprodução/internet)


Um segundo laudo psiquiátrico, solicitado pela Justiça Federal, aponta que o agressor do presidente Jair Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, sofre de “transtorno delirante permanente-paranoide” e, por isso, é considerado inimputável. Ou seja: não pode ser punido criminalmente pelo fato. A informação foi revelada pela TV Globo e confirmada pelo Estado de Minas junto a uma fonte na Justiça Federal em Juiz de Fora (Zona da Mata).

De acordo com o documento divulgado, em entrevistas com psicólogos e psiquiatras, Adélio afirmou que não cumpriu sua missão e que saindo da cadeia iria “matar o presidente”.

Mineiro de Montes Claros (Norte de Minas), o agressor de Bolsonaro está detido no Presídio Federal de Campo Grande (MS), para onde foi levado dois dias após a prisão dele em flagrante e a confissão de ter esfaqueado o então candidato a presidente pelo PSL em um ato de campanha em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018.

Em outubro do ano passado, o EM revelou que um primeiro laudo, emitido pelo psiquiatra paulista Hewdy Lobo Ribeiro, indicado pela defesa de Adélio, apontou que ele é acometido por um quadro "distúrbios que alteram sua percepção da realidade". O resultado do exame feito pelo médico particular serviu de base para os advogados requererem uma avaliação de Adélio Bispo por uma equipe de perícia oficial.

Agora, o laudo oficial deverá subsidiar a análise pela Justiça de um procedimento para investigar a sanidade mental do acusado. O chamado incidente de sanidade mental foi o argumento apresentado pela defesa do agressor e caminha paralelo à ação penal na 3ª Vara Federal de Juiz de Fora, cujo titular, o juiz Bruno Savino, está de férias.

Com base nesse parecer, os advogados pretendem pedir que Adélio seja transferido a um hospital psiquiátrico.  De acordo com o advogado Marco Alfredo Mejia, um dos defensores de Adélio, com base no resultado do laudo oficial, a defesa espera a confirmação do incidente de sanidade mental. "O processo segue o seu rito e a defesa espera  uma sentença determinando medida de prisão com tratamentos psicoterapêuticos", disse. Informou ainda que vai juntar ao processo o laudo de Hewdy Ribeiro.

A Justiça Federal já aceitou a denúncia contra Adélio por prática de atentado pessoal por inconformismo político e o tornou réu, mas ainda não julgou o caso.

Procurado pelo EM, no final da tarde desta quinta-feira, o MPF em Minas Gerais informou, em nota, que o laudo psiquiátrico oficial de Adélio Bispo foi apresentado em 15 de fevereiro. “Paralelamente, foi juntado aos autos laudo psicológico, solicitado pelos próprios médicos peritos”. 

O MPF lembra que antes desses dois laudos, a própria defesa já havia apresentado laudo psiquiátrico particular. “Considerando que o incidente de insanidade mental tramita em sigilo, o MPF nada pode informar sobre o teor desses três laudos. Sobre o andamento do processo, contudo, pode-se dizer que o MPF solicitou esclarecimentos complementares, por entender que há divergências relevantes entre os três. O assistente da acusação (vítima) e a defesa também terão prazo para solicitar esclarecimentos, após o que a Justiça Federal decidirá se submete os quesitos complementares aos peritos”, relata a nota.  

O QUE É

Indivíduos acometidos por "transtorno delirante permanente-paranóide" não conseguem diferenciar fatos que são reais daqueles criados pela própria mente. No entanto, de acordo com informações da cadeira de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), podem manter sua rotina normal, mesmo acometidos pela doença. 

“Os indivíduos com esse transtorno mantêm relativa preservação de sua personalidade e psiquismo, apesar do surgimento e desenvolvimento de um sistema delirante. Esse sistema se apresenta de forma cristalizada em domínio da sua personalidade, não comprometendo o restante. Sua ocorrência se dá em indivíduos de idade mais avançada – geralmente após os 40 anos – e se apresenta de maneira estável e crônica”, informa a instituição. 

Esse tipo de paranoia se difere da esquizofrenia, já que é caracterizado por delírios "não-bizarros". Na esquizofrenia, o individuo pode acreditar que tem contatos com seres extraterrestres ou que seus pensamentos podem ser transmitidos para outras pessoas. No transtorno delirante, o paciente pode acreditar que outra pessoa está apaixonada por ela, que está sendo traído pelo parceiro ou que tem contato com uma pessoa famosa ou entidade divina. Ao ser preso, Adélio afirmou que estava agindo a mando de Deus.

INQUÉRITOS

Após o atentado em Juiz de Fora, dois inquéritos foram abertos pela Polícia Federal. O primeiro, finalizado em 28 de setembro de 2018, conclui que Bispo agiu sozinho no momento do ataque. Nesse, ele foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional.

A denúncia do MPF foi aceita pela Justiça. A Polícia Federal segue com outra frente de investigações. O segundo inquérito foi aberto para apurar possíveis conexões de Adélio com pessoas que podem tê-lo ajudado a planejar o crime. (Com agência)


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