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Estado de Minas

Superministro da Economia de Bolsonaro vai comandar ministério com 6 secretarias

Futuro titular da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes anunciou mais dois nomes para ocupar cargos diretamente subordinados a ele e diz que vai cortar até 30% do pessoal comissionado


postado em 30/11/2018 06:00 / atualizado em 30/11/2018 07:10


Brasília – O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou ontem que a pasta comandada por ele no governo de Jair Bolsonaro (PSL) terá seis secretarias especiais, cada uma delas com suas próprias secretarias para tocar áreas específicas. Guedes afirmou também que pretende cortar de 20% a 30% dos cargos comissionados que ficarão ligados ao Ministério da Economia. Ele explicou que os atuais ministérios da Fazenda, Indústria e Comércio Exterior e do Planejamento têm, juntos, 20 secretarias.

Para a Secretaria da Receita Federal e de Previdência, foi confirmada ontem a nomeação do economista Marcos Cintra. Essa secretaria vai abarcar a atual estrutura da Receita Federal, mas Guedes não deu certeza sobre a permanência do atual secretário do fisco, Jorge Rachid. Cintra tem quatro títulos superiores pela Universidade de Harvard (EUA) na área de economia, é professor nos cursos de administração de empresas e de administração pública da FGV e presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Ele defende a criação de um imposto único com alíquota de 0,7% nos pagamentos e recebimentos nos bancos. A possível criação de um tributo nos moldes da CPMF já foi rechaçada por Jair Bolsonaro em meio à campanha presidencial. Esse tema, inclusive, gerou tensão na campanha e apreensão no mercado.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) reagiu. Em nota, o sindicato diz que a nomeação de Cintra quebra uma regra adotada desde 2002, quando auditores fiscais passaram a ser indicados pelos titulares da Fazenda para comandar a Receita, além de responder diretamente ao gabinete do ministro.

ABERTURA ECONÔMICA A Secretaria de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais será comandada pelo economista Marcos Troyjo. Um dos focos desse órgão será tratar da abertura da economia. Troyjo tem graduação em ciência política e economia pela Universidade de São Paulo (USP) e é doutor em sociologia das relações internacionais pela USP, além de integrar o Conselho Consultivo do Fórum Econômico Mundial.

Em artigo publicado em outubro deste ano no site do Instituto Millenium, Troyjo ponderou que, na visão dele, novos parâmetros da competitividade abrangem indistintamente todos os setores, e não apenas a manufatura. Segundo ele, a elevação de renda, atualmente, está menos relacionada à mera industrialização e mais ao conteúdo de valor agregado em uma ou outra atividade.

OUTROS NOMES A Secretaria de Desestatização e Desmobilização, por sua vez, será ocupada pelo empresário mineiro Salim Mattar, presidente do Conselho da Localiza, já anunciado pelo futuro ministro.

Sob o guarda-chuva da pasta da Economia estará ainda a Secretaria de Fazenda, para a qual Guedes disse que Waldery Rodrigues Júnior é um “bom nome”, embora não o tenha confirmado no cargo. Rodrigues Júnior é hoje coordenador-geral na atual Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.

Haverá ainda uma Secretaria de Planejamento. Guedes elogiou o atual ministro do Planejamento, Esteves Colnago, e disse que seria um bom nome, mas não confirmou se ele permanecerá no novo governo. Outros nomes também estão sendo avaliados.

A sexta secretaria será a de Competitividade e Produtividade. O futuro ministro afirmou que o economista Carlos da Costa é o cotado para o posto. Guedes disse também que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) ficará ligada ao Ministério da Economia.

Informou ainda que vai convidar outros “Chicago Oldies” para compor seu ministério – em referência ao apelido de “Chicago Boys” dado aos egressos da universidade que é o berço do pensamento econômico liberal. Segundo o futuro ministro, a ideia é que haja dois “enviados especiais” para ajudar a desenvolver a política econômica que ele está desenhando, um mais ligado a temas da Europa, e outro, da China.

 

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