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Estado de Minas

Vice-governador de MG Antonio Andrade já está solto

Antonio Andrade foi liberado juntamente com outros 17 implicados na Operação Capitu, da Polícia Federal, que investiga organização criminosa, obstrução da Justiça, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro


postado em 13/11/2018 09:57 / atualizado em 13/11/2018 11:37

Vice-governador Antonio Andrade(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 01/05/18)
Vice-governador Antonio Andrade (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 01/05/18)

O  vice-governador de Minas Gerais,  Antonio Andrade (MDB), foi solto  nessa segunda-feira. Também foram beneficiados com habeas corpus outros 17 implicados - entre eles  o empresário e um dos donos da JBS, Joesley Batista, e o deputado estadual João Magalhães (MDB). Todos são implicados em investigação da Polícia Federal, que deflagrou na sexta-feira (9) a Operação Capitu para apurar indícios de corrupção no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento durante a gestão de Andrade, entre 2013 e 2014,  no governo Dilma Rousseff.

De acordo com a PF, a corrupção investigada tinha por finalidade o financiamento ilegal da candidatura do então deputado federal Eduardo Cunha (MDB) para a presidência da Câmara dos Deputados e , ainda, um caixa dois para a campanha do MDB em Minas Gerais nas eleições de 2014.

Entre 19 mandados de prisão, 16 haviam sido cumpridos em Belo Horizonte, Vazante, São Paulo, Brasília, Curitiba e Rondonópolis (Mato Grosso).

A Operação batizada de Capitu é um desdobramento da Operação Lava-Jato e  se baseou em delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro – ligado ao MDB – sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Ministério da Agricultura em 2014 e 2015.

Em troca de medidas que beneficiassem a JBS foram pagos pelo menos R$ 37 milhões em propinas. A maior parte, R$ 30 milhões, foi paga durante a gestão de Antonio Andrade. Metade do valor foi destinado à campanha de Eduardo Cunha ao comando da Câmara dos Deputados, e os outros R$ 15 milhões ficaram sob responsabilidade de João Magalhães, que na ocasião era deputado federal, para rateio entre integrantes da bancada do MDB mineiro.

A distribuição dessa propina, segundo a PF, serviu para comprar o apoio dos deputados à candidatura de Andrade para vice-governador em 2014. Agentes federais fizeram buscas ontem no gabinete do deputado João Magalhães, na Assembleia Legislativa.

Supermercados


O esquema de repasse do dinheiro envolveu duas redes de supermercado de Belo Horizonte e seis escritórios de advocacia em Belo Horizonte e Uberaba, no Triângulo Mineiro. No primeiro caso, houve uma espécie de “compensação financeira” entre os supermercados e a JBS, fornecedora de produtos.

Em vez de as lojas quitarem suas dívidas com a cadeia de frigoríficos, elas repassavam os valores a João Magalhães. De acordo com o delegado Mario Veloso Aguiar, responsável pelo inquérito, há provas de entrega do dinheiro em malas e até caixas de sabão. Outro mecanismo foi a doação de R$ 9 milhões a candidatos do MDB nas eleições de 2014. Um dos empresários citados no esquema é Pedro Lourenço de Oliveira, dono da rede de supermercados BH. Procurada, a empresa informou que não vai se pronunciar a respeito.

Entraves


Ao longo do trabalho da Polícia Federal, foram apurados outros crimes. Além da propina paga ao MDB, a JBS teria pago R$ 2 milhões para que o Ministério da Agricultura regulamentasse a exportação de despojos (parte de gado bovino que é consumida basicamente no mercado asiático) de forma a limitar a atuação de pequenos frigoríficos. Outros R$ 5 milhões foram pagos pela JBS para que o ministério instaurasse um ato normativo proibindo o uso no gado do antiparasitário ivermectina – a medida atendia a uma reclamação de importadores norte-americanos, que se queixaram da alta concentração do remédio encontrada na carne.

“Esse grupo dependia de normatizações e licenciamentos do ministério e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão da pasta em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado”, informou a Polícia Federal.

Segundo o delegado Mário Veloso Aguiar, foi verificado ainda o pagamento de R$ 50 mil para o então deputado federal Manoel Júnior (MDB), atualmente vice-prefeito de João Pessoa, capital da Paraíba. Ele foi o autor de uma emenda à MP 853/14, que tratava do setor farmacêutico. O parlamentar incluiu trecho para garantir que as inspeções de frigoríficos fossem feitas exclusivamente pelo Ministério da Fazenda, sem qualquer interferência municipal ou estadual. O apartamento dele, no Bairro de Altiplano, foi alvo de operação de busca e apreensão.

Os acusados serão indiciados por organização criminosa, obstrução da Justiça, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As penas podem variar entre três e 120 anos de prisão.

A assessoria do vice Antonio Andrade informou que a defesa vai se manifestar assim que tomar conhecimento do conteúdo do inquérito. “Durante o depoimento, Antonio Andrade respondeu a tudo o que lhe foi perguntado e colaborou com o trabalho da Polícia Federal”, diz a assessoria.

Capitu


A operação foi batizada com o nome da famosa personagem de Dom Casmurro, obra de Machado de Assis, porque a PF verificou que empresários e funcionário da JBS, que inicialmente atuaram em colaboração premiada com a polícia, teriam praticado atos para obstruir a Justiça e prejudicar as investigações. No livro de Machado de Assis, Capitu é uma personagem dissimulada e acusada de traição por Bentinho. A operação incluiu 63 mandados judiciais de busca e apreensão e 19 de prisão temporária, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

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