Publicidade

Estado de Minas

Congresso tem nova configuração política

O sistema partidário se alterou, sendo o MDB e o PSDB os mais prejudicados na nova configuração


postado em 05/11/2018 06:00 / atualizado em 05/11/2018 07:48

Plenário da Câmara dos Deputados: com apoio inicial de 119 parlamentares na próxima legislatura, presidente eleito precisará de uma boa articulação com o Congresso Nacional para assegurar a governabilidade(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Plenário da Câmara dos Deputados: com apoio inicial de 119 parlamentares na próxima legislatura, presidente eleito precisará de uma boa articulação com o Congresso Nacional para assegurar a governabilidade (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Mesmo que alguns partidos tradicionais continuem com expressão após o resultado das urnas, siglas pouco conhecidas – como o PSL – surpreenderam especialistas que acompanharam o pleito de perto. Por mais que o PT tenha perdido um número importante de parlamentares e de governadores, que se concentraram no Nordeste, o partido se saiu melhor do que o PSDB e o MDB, avaliam os analistas procurados pela reportagem.

Para o cientista político Marcus Ianoni da Universidade de Brasília (UnB), o sistema partidário se alterou, sendo o MDB e o PSDB os mais prejudicados na nova configuração. O PSDB, partido que, desde que lançou Fernando Henrique Cardoso à Presidência, esteve na reta final das eleições, se posicionou em quarto lugar com a candidatura de Geraldo Alckmin (com menos de 5% do eleitorado), mostrando o pior desempenho desde 1994, explica o professor.

A vitória de João Doria ao governo do estado de São Paulo não é bem uma vitória da legenda, esclarece o pesquisador. Ele entende que o perfil do político tem enfraquecido a agremiação por se tratar de uma figura partidária com ambições individuais e sem tanto compromisso com o PSDB, enquanto “organização e coletivo de ideias”. “O PSDB saiu enfraquecido, mas continua vivo e está desafiado a se reformular, tal como o PT”, acredita.

O cientista político Antônio Flávio Testa conta que o PSDB saiu “muito chamuscado” do pleito, mas ressalta ter conquistado o governo do estado mais populoso do país, São Paulo. No entanto, a vitória de Doria fez com que, afirma o analista, os três grupos hegemônicos do partido – de FHC; José Serra e Geraldo Alckmin – saíssem enfraquecidos. “João Doria não é um tucano tradicional, é mais pragmático. Ele vai atrás de quem estiver ganhando”, diz.

É a capilaridade do MDB que faz com que o partido não possa ser comparado com o desenvolvimento do ninho tucano. Por mais que o partido do atual presidente tenha perdido cadeiras no Parlamento, Testa explica que a força do partido está na rede municipal, onde a legenda tem o maior número de prefeituras e de vereadores. “Continuará com uma influência relativa. Ainda acho que o MDB não vai ficar de fora do poder”, afirma.

Segundo Marcus Ianoni, o MDB teve o “pior desempenho de sua história”. O discurso de criminalização dos políticos, a agenda “ultraliberal” e o envolvimento de membros do partido em escândalos de corrupção, levaram o partido a este desempenho, explica o acadêmico. “Tudo isso foi capitaneado pelo PSL, agremiação que mais cresceu, navegando no bolsonarismo.”

Mesmo que tenha perdido a eleição presidencial e tenha obtido um resultado de votos menor do que em 2014, o PT ainda continua como o principal partido de oposição, posto que ocupa desde 1989, entende Ianoni. No entanto, o cientista político acredita que o partido mostrou uma melhora no desempenho em comparação a 2016 (na eleição municipal). “O PT cresceu, se recuperou, mas ainda não está no nível que alcançou nas eleições de 2014. Creio que ainda é um partido muito importante e procurará, no próximo período, se fortalecer como força de oposição ao governo Bolsonaro”.

Por terem bandeiras econômicas e sociais próximas, o pesquisador enfatiza que a união entre o PT, o PCdoB, o Psol e o PSB é possível. “O que ainda não está claro é como ficará a relação do PDT com o PT, em função do comportamento de Ciro Gomes desde o final do primeiro turno, que está procurando demarcar diferenças”, diz.

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade