Publicidade

Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida


postado em 09/10/2018 12:00 / atualizado em 09/10/2018 07:36


O elogio da OEA e a viagem a Curitiba

Devidamente desaconselhado, Fernando Haddad (PT) já tinha recebido o aviso para dele se descolar, mas, mesmo assim, insistiu em se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Curitiba, que está preso na sede local da Polícia Federal (PF) desde abril. Burrice pouca não é bobagem e ainda deu um azar danado. A notícia se misturou com outra, só que vinda da ONU.

O Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a deixar claro e objetivamente também ontem que a queixa apresentada pelo advogado do ex-presidente Geoffrey Robertson sobre o caso de Lula só será pautada no ano que vem.

“Não pode ter tema tabu numa campanha. Temos que discutir todos. O que eu penso que vai nortear o segundo turno é o modelo econômico”, declarou Haddad ainda em Curitiba, onde chegou de avião a jato, acompanhado de Emídio de Souza e Luiz Eduardo Greenhalgh.

Já Jair Bolsonaro (PSL) prometeu comparecer a debates neste segundo turno. “Debater com o PT não tem dificuldade”, começou avisando. Melhor esperar para ver, embora no debate, ops, na entrevista que deu ontem, ele deixou claro qual será o seu tema predileto: “Meu compromisso é com a minha Pátria, não com corruptos na cadeia”.

Quem já veio em missão de observação sobre as eleições aqui no Brasil foi a Organização dos Estados Americanos (OEA), com os pitacos de sempre. Bem, culpa dela não é, veio porque foi devidamente convidada. O registro de que a eleição foi feita com “profissionalismo e perícia técnica” faz todo sentido, a votação em urna eletrônica é exemplo a ser seguido mundo afora.

Quanto ao fato de ter havido “polarização e agressividade”, a OEA preferiu voltar até mesmo à facada sofrida por Bolsonaro. Não dá mesmo para contrariar, sem direito a trilha sonora com trocadilho besta, mas fazer o quê? E claro que não poderia faltar a imensa coleção de fake news nas redes sociais, mas a OEA reconheceu o esforço feito, em especial pela imprensa e, claro, também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Diante de tanto esforço, o jeito é esperar para ver como serão os próximos dias do segundo turno das eleições presidencial e estaduais. Haverá bombardeio pesado ou os candidatos serão capazes de trazer uma postura mais cuidadosa? Difícil saber, pelo menos até o andar da carruagem deixar mais claro o caminho.

Esperava mais
Ele esperava bem mais, mas diante do cenário complicado como nunca antes na história deste país, o deputado Mário Heringer, presidente estadual do PDT, até que parece ter respirado aliviado. Foi reeleito com 89 mil votos. “Foi bem, 70 mil já me elegeria”. Só que ele esperava mais. Citou o exemplo de Paulo Pereira da Silva, seu ex-colega de partido e hoje no Solidariedade. Heringer conta que ele esperava mais, pelo menos 200 mil votos, mas teve pouco mais de 75 mil. E correu sério risco de não se reeleger.

Teve estrada
Carlos Roberto Massa, o Ratinho, apresentador de TV, comemorou, como não poderia deixar de ser, a vitória do seu filho, em primeiro turno para governador do Paraná, Ratinho Júnior. E olha que o filhote nem precisava de apoio do pai. Ratinho, embora tenha apenas 37 anos, é escolado em política. Já foi deputado estadual e federal, secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e presidente do Paranacidade, uma espécie diferente de uma secretaria que tem como objetivo executar ações de política de desenvolvimento institucional e regional no Paraná.

O ditado
Quem com ferro fere, com ferro será conferido nas urnas eleitorais. Alguns políticos mineiros e experientes têm feito avaliações como estas para mostrar o quanto saiu pela culatra a decisão de fazer com que o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda, que era do PSB, batesse em retirada da política. Tudo por causa da derrota nas urnas de domingo do governador Fernando Pimentel (PT), já no primeiro turno, que forçou a barra para que o PSB se aliasse à sua campanha, o que Lacerda não aceitava de jeito algum. Deu no que deu.

O desabafo
“Vida que segue. Bola pra frente. Foram 36 anos dedicados à política e à administração pública. Esta etapa agora se encerra. Novos horizontes virão.” Frases do deputado Marcus Pestana  que comentou a votação em Juiz de Fora, que deu a ele apenas sete mil votos. E, por fim, mostrou a sua calculadora:  “Esperava 129 mil, totalizei pouco mais de 72 mil”. Pestana ficou na primeira suplência da sua coligação, que incluía, além do seu PSDB, PSD, SD, PTB, PPS, PMN, PSC, DEM, PP, PTC, Patri e PMB.

Fora do muro
Desta vez, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nem precisou definir de que lado do muro ele desceria. Tucanou logo de cara, já pressentindo que haveria forte resistência no ninho e declarou que não iria apoiar nem Fernando Haddad (PT), como havia especulações, e muito menos Jair Bolsonaro (PSL), que ele não apoiaria mesmo. FHC se apressou em deixar isso claro pelas redes sociais. Meio do jeito tucano de ser, mas deixa pra lá, nem dá para gastar mais tempo com ele.

PINGAFOGO

“O que jamais faremos é apoiar o Bolsonaro. Uma das sugestões em análise é dar um apoio crítico ao Fernando Haddad (PT).” A frase feita às 15h foi do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Deve ter seguido o conselho do presidente estadual Mário Heringer, que a fez ainda de manhã.

Ela queria o foro privilegiado, mas não deu certo. Filha do ex-deputado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, agora terá que se explicar. Não sobre o seu desempenho nas urnas, mas por causa das acusações de corrupção.

Já deu para perceber que se trata da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), acusada de denúncias na época em que estava no comando do Ministério do Trabalho. Como não se reelegeu, a partir de fevereiro cai nas garras da primeira instância.

Falar nisso, o fato é que os políticos com mandato que não conseguiram se reeleger já começam a lamentar o fato de caírem nas mãos, em vários casos, do juiz Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).

Sendo assim, o jeito é esperar para ver, já que a fila deve andar. Ontem, a Câmara dos Deputados estava totalmente vazia, mas alguns parlamentares prometem dar uma passadinha por lá amanhã ou depois. Melhor aguardar.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade