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Estado de Minas

Bolsonaro perde votos com rejeição feminina e proposta de CPMF

Nova pesquisa do Ibope mostra redução da vantagem de Bolsonaro (PSL) para Haddad (PT), com os efeitos da mobilização de mulheres contra o deputado e da polêmica sobre imposto


postado em 25/09/2018 06:00 / atualizado em 25/09/2018 09:19


Alvo da campanha #EleNão, que ganhou forte adesão entre as mulheres nas redes sociais nas últimas semanas, o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) ficou estagnado pela primeira vez nas intenções de voto. O levantamento do Ibope/Estadão/TV Globo, divulgado na noite de ontem, aponta polarização entre o capitão reformado e o candidato do PT, Fernando Haddad, na corrida presidencial. Primeiro colocado, Bolsonaro manteve os 28% das intenções das pesquisas anteriores. Já o petista subiu três pontos percentuais e chegou a 22%. Pela primeira vez nas pesquisas, o petista ultrapassou o capitão reformado no segundo turno, com 43% da preferência dos eleitores para Haddad contra 37% para Bolsonaro.

Nas últimas semanas campanha divulgada por milhares de mulheres na internet com a hashtag  #EleNão ganhou força e repercussão internacional. Em vídeos e imagens, aparecem cenas do deputado do PSL defendendo que o salário de mulheres não deve necessariamente ser igual de homens e falando de forma agressiva contra parlamentares e repórteres do sexo feminino. A rejeição a Bolsonaro passou de 42% para 46% de acordo com o Ibope. Fernando Haddad também viu sua rejeição aumentar de 29% para 30%.

Outro tema que ganhou repercussão na última semana e ajuda a explicar a estagnação de Bolsonaro foi o bate-cabeça entre o candidato e seu já escolhido ministro da Fazenda, o economista Paulo Guedes, sobre a recriação do CPMF. Em palestra, Guedes citou a possibilidade de recriar imposto nos moldes da CPMF, mas foi rebatido logo depois pelo próprio candidato, que usou as redes sociais para garantir que é contra o aumento da carga tributária. No domingo, Bolsonaro usou suas redes sociais para divulgar uma foto ao lado de Guedes e demonstrar harmonia com o chefe de sua equipe econômica.

A vantagem de Bolsonaro sobre Haddad caiu de 18 pontos percentuais para seis, segundo o Ibope. Haddad é o único candidato com tendência de alta na série de pesquisas do instituto, que começaram a ser divulgadas em 20 de agosto. A pesquisa mostra ainda que Haddad ampliou a vantagem sobre o terceiro colocado, o candidato do PDT, Ciro Gomes, que saltou de 8 para 11 pontos percentuais – mesmo índice da pesquisa anterior. Geraldo Alckmin segue estagnado na quarta colocação, com 8% das intenções de voto, enquanto Marina Silva (Rede) aparece com tendência de queda no quinto lugar, com 5%.

SEGUNDO TURNO
A pesquisa mostra que Bolsonaro seria derrotado por todos os adversários, com exceção de Marina Silva (Rede), com quem aparece empatado tecnicamente com 39% das intenções de voto. Contra Ciro Gomes, o resultado apresentado na pesquisa foi de 46% a 35%. Na briga direta com Haddad, o petista ultrapassa Bolsonaro e venceria as eleições por 43% a 37%.

No questionário que mede a rejeição dos candidatos, Bolsonaro aparece na frente, apontado por 46% dos entrevistados como aquele em quem não votaria de jeito nenhum. Haddad é rejeitado por 30% dos eleitores, Marina por 25% e Alckmin por 20%.


O Ibope entrevistou 2.506 pessoas em 178 municípios brasileiros, entre 22 e 23 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que significa nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu o número BR201006630/2018. 

 

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