Publicidade

Estado de Minas

Advogados de Adelio pedem proteção à polícia após ameaças de morte

Integrante da defesa do agressor de Jair Bolsonaro, Fernando Magalhães diz que ele e Zanone de Oliveira Júnior receberam ligações e mensagens que indicam estarem sendo seguidos


postado em 10/09/2018 18:34 / atualizado em 10/09/2018 18:44

"Já nos disseram coisas como, 'eu sei que vocês chegaram no escritório'", diz Fernando Magalhães (foto: Alexandre Guzanche/EM/D.A Press)

Os advogados responsáveis pela defesa de Adelio Bispo de Oliveira – homem que esfaqueou o candidato a presidente da República pelo PSL, Jair Bolsonaro – querem proteção policial.

O pedido foi formalizado nesta segunda-feira por Fernando Magalhães e Zanone Manuel de Oliveira Júnior nas polícias Civil e Militar em razão de ameaças de morte sofridas por ambos via telefone, WhatsApp e Facebook.

A denúncia também foi apresentada ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a seção mineira da entidade, além de subseções no interior do estado.

De acordo com Fernando Magalhães, familiares também receberam ligações com ameaças de violência física e indícios que eles estão sendo monitorados. “Já nos disseram coisas como, 'eu sei que vocês chegaram no escritório'. Minha mulher recebeu uma ligação dizendo que sabem onde ela mora”, disse o advogado.

De acordo com ele, alguns autores das ameaças já estão sendo identificados e são pessoas que se dizem simpatizantes de Jair Bolsonaro. Ainda segundo o advogado, os colegadas Marcelo Manoel da Costa e Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa não relataram ter recebido qualquer tipo de ameaça. “Gostaria de ser esquecido como eles”, afirmou Magalhães.

Apesar do transtorno para si e familiares e as críticas que vem recebendo por estar na defesa de Adélio Bispo, o advogado disse que não se arrepende de ter aceitado atuar no caso.

“Esse é o ofício que eu nasci para fazer. Mas a gente vê com preocupação quando o direito é esquecido. Nós não defendemos uma pessoa que tentou matar o Bolsonaro, mas o direito de uma pessoa que tentou matar o Bolsonaro”, explicou.


Insanidade mental


De acordo com o advogado, no final da tarde desta segunda-feira (10)  a defesa protocolou na Justiça em Juiz de Fora um “incidente de sanidade mental”, que poderá resultar na transferência de Adélio para um hospital psiquiátrico.

Caso a Justiça acate o incidente, será nomeado um perito judicial para avaliar as condições psicológicas do agressor do candidato a presidente.

No documento, os advogados solicitam que os exames sejam feitos em até 45 dias. Adélio está preso em um presídio de segurança máxima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, desde o último sábado.

Para fazer o pedido, os advogados se basearam em declarações de Adelio Bispo sobre o uso de remédios controlados e histórico de questões neurológicas e psiquiátricas. Se ele for considerado totalmente incapaz, cumprirá pena em um hospital psiquiátrico. Caso a incapacidade seja parcial, há uma atenuante para a pena, que poderá ser cumprida no presídio.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade