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Estado de Minas

Agressor de Bolsonaro 'falava coisas sem nexo', dizem familiares

Ele afirmou à polícia que agiu 'a mando de Deus'


postado em 07/09/2018 15:44 / atualizado em 07/09/2018 15:47

(foto: (foto: Reprodução/WhatsApp))
(foto: (foto: Reprodução/WhatsApp))

Um homem evangélico, que domina duas línguas estrangeiras e que, até então, sempre demonstrou ser pessoa tranqüila, mas ultimamente apresentava comportamento estranho. Este é o perfil de Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, o homem que esfaqueou o candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), na tarde de ontem em Juiz de Fora, na  Zona da Mata. O perfil é traçado pelos parentes de Adelio, em Montes Claros, no Norte de Minas. Adélio, que foi preso em flagrante e agora se tornou conhecido internacionalmente, por causa do atentado, é oriundo de família pobre, de cinco irmãos. Aos 10 anos, ficou órfão de mãe e, aos 23 perdeu o pai. Desde a infância foi tratado pelo apelido de “Tuca” pelos mais próximos. Ele nunca se casou e não tem filhos. Há vários anos, vive afastado da família. Além disso, entrou para a igreja Evangelho Quadrangular, da qual se tornou missionário.

No fim da tarde e início da noite de ontem, numa casa humilde do Bairro Maracanã, na Região Nordeste de Montes Claros, a reportagem do Estado de Minas localizou parentes do autor do atentado a Bolsonaro, que, mesmo que não tendo nenhuma relação direta com o fato, estão amedrontados, temendo represálias de seguidores do candidato à Presidência do PSL. Sobrinha de Adelio, M. disse que a família ficou surpresa com o crime cometido pelo tio e que não aprova qualquer ato violento.”

“O que ele (Adelio) fez foi um ato isolado. Somos uma família de paz e não aprovamos nenhuma forma de violência contra ninguém, seja contra Bolsonaro, contra qualquer outro candidato, contra uma pessoa importante ou com um mendigo”, declarou M. Ela afirmou que não acompanha nenhum candidato a presidente. “Vou votar nulo”, disse. M. relata que há três anos Adelio começou a apresentar comportamento estranho, “falando coisas sem nexo”. “Mas ele nunca foi agressivo”, assegura.

Nas redes sociais, Adelio Bispo mistura publicações com ataques à direita e conspirações contra a maçonaria. No entanto, a sobrinha dele disse que, para a família, Adelio nunca demonstrou ter militância ou engajamento em algum movimento partidário. “A única coisa que ele fala que é contra a corrupção e sempre reclamou da situação do Brasil”, disse.

Conforme seus parentes, Adelio deixou a casa dos pais em Montes Claros aos 18 anos e foi trabalhar em Santa Catarina, para sobreviver, “onde encarou de tudo”. Lá estudou e chegou a trabalhar como camareiro em um cruzeiro marítimo. “Ele fez cursos e aprendeu a falar inglês e espanhol para trabalhar no navio”, relata J., outra sobrinha do autor do atentado contra Bolsonaro. M. conta que há três anos o tio não dava informações para a família sobre o paradeiro dele. “Eu só sabia que ele estava sempre viajando entre Uberlândia, Uberaba e Florianópolis. Pensei que realmente estivesse trabalhando. Nunca imaginava que ele fosse se envolver com uma coisa dessa”, disse M., se referindo ao atentado.

J., que é irmã de M., disse que tomou conhecimento do crime cometido por meio do marido dela, que assistia televisão ontem à tarde e acompanhou a notícia do atentado contra a vida de Jair Bolsonaro. “A nossa família entrou em pânico. A gente nunca esperava uma coisa dessa”, disse J., que está em tratamento de um câncer no intestino. Com medo de represálias, as duas irmãs não quiseram mostrar os rostos em fotos. J. disse que um primo dela sofreu ameaças nas redes sociais.

Adelio mantinha perfil no Facebook com publicações desconexas, críticas à maçonaria e supostos ataques a políticos.

 

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