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Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida


postado em 06/09/2018 12:00 / atualizado em 06/09/2018 07:45

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Misturou! Política e futebol: Galôô

 

Qual será o “limbo jurídico” da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)? Indecisão? Incerteza? Ou o significado que parece mais apropriado: lugar onde estão as almas sem batismo, temporariamente afastadas de Deus, até que sejam perdoadas do pecado original de ter se metido com a Odebrecht? Só perguntando para o advogado Eugênio Aragão, um dos defensores do petista.

Só que eles já deram a resposta: “Mas o que a gente pode dizer é que a gente tem estado em diálogo permanente com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nós estamos buscando ajustar a nossa conduta com o MPE (Ministério Público Eleitoral). Tivemos reunião com os ministros da propaganda”. Continua se tratando da defesa de Lula. Mas tem mais.

“Ocorre que, na madrugada de sábado, dia 1º de setembro, o plenário do TSE, sem aviso-prévio”... Uai, alguém foi mandado embora do emprego sem direito ao aviso prévio? Será que erraram de tribunal e queriam dizer Tribunal Superior do Trabalho (TST)?

Para deixar claro, ainda sobre o recurso de Lula, a ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, respondeu, ao ser indagada no momento em que chegava à corte: “Tem o rito”. E balançou a cabeça de forma afirmativa ao ser questionada se analisaria a questão. A defesa do petista também tenta tirar o triplex que ele não tem do meio do caminho. O assunto está com o ministro Edson Fachin.

Tem mais notícias de política? Pior é que tem, só que também passa pelo Judiciário. Mais especificamente pelo Ministério Público de São Paulo. O promotor Ricardo Manuel Castro pediu até que o “maior número possível de colegas” e “demonstração de união” que estivessem juntos na entrevista em que acusa Geraldo Alckmin (PSDB) de improbidade administrativa.

O tucano deve estar rindo à toa e sem precisar subir no muro, culpado ou não. A pretensão do promotor é risível de tanta burrice. E será necessário que ele abra mão do processo, declarando estar impedido, no jargão judicial. Só que, antes disso, ele já pediu o bloqueio de mais que R$ 39 milhões para garantir ressarcimento e a multa de Alckmin.

Por fim, embora religião e futebol não se misturem, para a política agora tem exceção. E com direito a agradar à Galoucura. “Kalil é o prefeito mais popular e bem-avaliado no país. Tem uma história de liderança popular extraordinária com a torcida do Galo”.  A frase é do presidenciável do PDT, Ciro Gomes. O que mais dizer? Só tem um jeito: “Galôôôôôôôôô...!

 

Retratos da crise
Duas fotos valem mais que mil palavras para as crises econômicas. O Brasil já viu o retrato da crise com o Plano Collor, que fez água. Agora é a vez do presidente da Argentina, Maurício Macri, e seu plano econômico. Com direito a ir ao FMI.

 

Coerência
“A princípio, pouco provável.” Candidato do MDB à Presidência da República, Henrique Meirelles foi buscar em sua praia o discurso político. Foi “econômico” ao ser perguntado sobre um eventual indulto de Natal, como é praxe, caso se eleja presidente da República. E olha que Meirelles foi presidente do Banco Central na época do primeiro governo Lula, entre 2003 e 2011. Como foi ministro da Fazenda do presidente Michel Temer (MDB) depois que ele assumiu diante do impeachment de Dilma Rousseff (PT), pelo menos está sendo, a princípio, coerente.

 

“Tal colóquio”
Já que falamos do ministro Edson Fachin, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), vale o registro que trouxe de volta Roberto Jefferson (PTB). “Com relação ao almejado encontro com o investigado Roberto Jefferson, concedo à defesa constituída o prazo de cinco dias para que especifique data, horário e duração estimada de tal colóquio”, determinou Fachin. Trata-se do pedido da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para visitar o papai.

 

Nem conheceu
A defesa do ex-presidente Lula – alguns dos advogados mais caros do país – perdeu mais uma vez. Depois de o Ibope acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre sua pesquisa eleitoral, veio a resposta do ministro Luís Felipe Salomão: “Ante o exposto, recebo a presente petição como consulta e não a conheço”. Faz sentido a decisão, embora não tenha vindo do TSE. Quando o ex-presidente Lula está na lista, seus seguidores são fiéis. Quando não está, mostram pesquisas, é significativo o aumento de brancos, nulos e indecisos.

 

Enfim...
O Garotinho continua danado de levado, mas, desta vez, pelo jeito, se deu mal. Corre o risco de não poder disputar o governo do Rio de Janeiro por ter sido condenado em segunda instância, de acordo com a jurisprudência. Em tese, já que a inelegibilidade depende de ser publicado o acórdão, o que pode demorar algum tempo. Ou seja, Anthony Garotinho (PRP) ainda pode ser candidato, mas, no meio do caminho, pode deixar de ser. Coisas da política brasileira.

 

PINGA FOGO

 

É com tristeza que a coluna faz um registro. A morte da ótima atriz Beatriz Segall de tantas novelas. Só que ela remete a um papel que leva à situação atual da política brasileira. Mais especificamente à sua personagem Odette Roitman. Nada mudou, o “vale- tudo” continua valendo como nunca no país. A Operação Lava-Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que o diga.

 

Em tempo: para deixar clara a necessidade de autorização do ministro Edson Fachin para Cristiane Brasil (foto) visitar o pai, Roberto Jefferson, é que os dois estão proibidos de manter contato, porque respondem a outros processos.
Se Fernando Haddad (PT) foi almoçar em São Bernardo, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e depois foi até a portaria da Volkswagen, vale a pergunta: foi o Lula quem sugeriu a agenda?.

Sendo assim, já que não dá pra perguntar em Porto Alegre, o jeito é ficar por aqui. A novela continua. Não a da Odette Roitman, nem a Segundo Sol. Afinal, a política deve andar quente nos próximos capítulos da vida real.

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