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Estado de Minas

Ciro fala em pôr Justiça na 'caixinha' e soltar Lula

A declaração do pré-candidato à Presidência da República foi dada em resposta a uma pergunta sobre a estratégia do PT em insistir com a candidatura de Lula


postado em 25/07/2018 11:12 / atualizado em 25/07/2018 11:35

Ciro Gomes disse que
Ciro Gomes disse que "só tem chance de sair da cadeia (Lula) se a gente ( ele, Ciro) assumir o poder e organizar a carga" (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo - O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - preso e condenado na Operação Lava-Jato - só terá chance de sair da cadeia se ele, Ciro, for eleito. A frase foi dita em entrevista concedida ao programa Resenha, da TV Difusora, no Maranhão, no dia 16 deste mês.

"Só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político", afirmou Ciro. A emissora disse que a entrevista foi ao ar no mesmo dia. Procurada, a assessoria de Ciro não respondeu até a publicação desta matéria.

O ex-presidente está preso desde 7 de abril em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) a 12 anos e 1 mês, além de ter de pagar multa no valor total de 1.400 salários mínimos (cerca de R$ 1 milhão), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

A frase foi dita no contexto de uma resposta ao jornalista Itevaldo Júnior em que o pedetista tentava explicar a estratégia do PT de insistir na candidatura de Lula - mesmo após a condenação em segunda instância da Justiça e prisão. "Estão cansados de saber que eles não vão deixar o Lula ser candidato, pela Lei da Ficha Limpa que o próprio Lula botou pra valer."

Ainda na resposta, Ciro descreve aquilo que o PT estaria pensando: "Nós (PT) vamos manter a candidatura do Lula, continuar dizendo que ele é candidato e, lá pelo meio de setembro, que a Justiça disser que o Lula não é candidato, o Lula, então, diria assim: 'Então, se não vão me deixar, vai ser fulano'".

O pedetista afirmou que o Brasil "não aguenta um presidente por procuração a uma altura dessas" - se referindo a um presidenciável que fosse escolhido por Lula. "Eu gosto muito do Lula, mas, só porque gosto muito, ele vai apontar outra Dilma (Rousseff)", disse Ciro, ao sugerir qual seria a reação do eleitor simpático ao ex-presidente. "O Brasil está em um momento muito difícil, precisando de pulso, liderança, autoridade até para corrigir a carga."

Ao se referir à "carga", Ciro diz: "Você imagina se, com um cabra desse do outro lado (candidato do campo da direita), o Lula tem alguma chance de sair da cadeia?", questionou, para continuar dizendo que o ex-presidente só teria chance de sair da prisão se ele (Ciro) assumisse o poder.

Ao se referir a possíveis nomes colocados pelo PT, no caso de Lula não ser candidato, Ciro afirma: "Com uma tragédia, só resta eu. Porque ninguém inventa (um nome) de um dia pra noite. Se inventa, mesmo dando certo, acaba dando errado".

Indulto


Em maio, Ciro chegou a declarar que propor um indulto a Lula seria "loucura". "Se eu prometesse indulto a Lula, eu estaria agindo contra ele, que é meu amigo há mais de 30 anos", disse à época. "Indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias. E Lula ainda está recorrendo da decisão que o condenou", afirmou Ciro, para acrescentar: "Por que vai me indultar? Sou inocente".

No programa da TV maranhense, Ciro confirmou que chegou a procurar Josué Gomes (PR), filho do ex-vice-presidente José Alencar, para ser vice na sua chapa. Josué também vinha sendo cortejado pelo PSDB. Ciro fez ainda elogios ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM).

A entrevista ocorreu quatro dias antes da convenção do PDT, na sexta-feira passada, dia 20, que confirmou o seu nome como candidato do partido à Presidência. Ela também foi feita no contexto de negociações entre Ciro e o Centrão (bloco composto pelo DEM, Solidariedade, PP, PR e PRB).

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