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Estado de Minas

Política dá o tom das músicas finalistas do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas

Críticas bem-humoradas envolvem membros do Judiciário e políticos dentro e fora do governo


postado em 04/02/2018 07:00 / atualizado em 04/02/2018 09:42

Canções com letras que questionam e debocham da situação do país embalam foliões nas ruas(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Canções com letras que questionam e debocham da situação do país embalam foliões nas ruas (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

O desencanto esquentou os tamborins, virou samba e, sob o tom de uma crítica bem-humorada, invadiu a pauta da final do 7º Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, que será hoje, a partir das 19h, durante baile no Mercado Distrital do Cruzeiro. Sem papas na língua, oito dos dez finalistas fazem troça com membros do Poder Judiciário e ocupantes do Palácio da Alvorada. Não pouparam ironias às classes média alta, empresarial e movimentos financiados por partidos políticos que fazem vistas grossas aos escândalos de corrupção envolvendo os atuais governantes. E fecharam a folia escancarando a mágoa belo-horizontina com as promessas de um metrô que se alongam por 30 anos.


“Abram alas pra esse cortejo tão funesto, diabos vestem togas e terno, é a marcha do assombração”, desafia na “Marchinha da Assombração”, o carnavalesco Gustavo da Macedônia. “O vampiro, o covarde mestre salas, se esconde na Alvorada, sangue de pobre que é bom”, continua ele. “Sorria, vais trabalhar noite e dia, a sua aposentadoria, vai ser na outra encarnação”, debocha.


Se as críticas dirigidas ao presidente da República não nominaram Michel Temer, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes é a vedete de outras marchinhas. Se nas redes circula com força a marchinha “Alô, alô Gilmar, vem me soltar”, para a final do concurso foi selecionada a “Dancinha da Tornozeleira”, inspirada nos habeas corpus concedidos pelo ministro ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho; ao ex-ministro dos Transportes Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR; e ao empresário Jacob Barata Filho, o ‘rei do ônibus’. É da Orquestra Royal a composição: “Começou o carnaval do Gilmar, liberou a brincadeira, quero ver quem vai dançar, a dancinha da tornozeleira (…) Cuida da Rosinha, adula o angorá, libera o Barata, faz acordo com Jucá”.

 

Saiba mais: além de cíticas a políticos, concurso tem homenagem ao músico Flávio Henrique 


O “mito” Bolsonaro, assim chamado por seu eleitorado cativo, terá motivos para gritar. Tem o nome de “Bolsomico” uma outra composição finalista: “Tem que ter QI de mico, pra ficar lambendo bota de milico, cérebro de periquito, pra chamar esse boçal de mito, memória de tanajura, pra dizer que nunca houve ditadura, cabeça de camarão, para querer voltar pros tempos da inquisição”. A composição prossegue: “É melhor Jair, Jair embora, sair correndo para a aula de história, é melhor Jair, Jair embora, e leve o prefeito Dória, leve também a turma desses idiotas, MBL, Crivella, Alexandre Frota, pra completar a verdade o bom seria, levar o mico pra aula de economia”.


O metrô de Belo Horizonte, uma promessa recorrente em anos eleitorais, também ganhou samba no pé, na composição “Esperando o metrô”. A finalista dá o seu recado: “Há tempos tô esperando, esperando o metrô, eu era criancinha, hoje eu sou avô, eu era criancinha de colo, quando o governo anunciou, que o metrô ia chegar ao Barreiro, tem mais de 30 anos e ainda não chegou”. E prossegue: “Será que vem? Acho que não! Dizem que é culpa da inflação, cadê a verba? Desapareceu! Será que está em Brasília ou o gato comeu?”.

 

Para embalar

Veja trechos de algumas das finalistas do concurso e de outras marchinhas “politicas”

A dancinha da tornozeleira
Começou o Carnaval do Gilmar
Liberou a brincadeira
Quero ver quem vai dançar
A dancinha da tornozeleira

Relaxa o Garotinho
E solta o bicudo
Abraça o mineirinho
com o Supremo com tudo

Bolsomico
Tem que ter QI de mico
Pra ficar lambendo bota de milico
Cérebro de periquito
Pra chamar esse boçal de mito

É melhor Jair, Jair embora

Sair correndo para a aula de história
É melhor Jair, Jair embora
E leve o prefeito Dória


Alô, Alô, Gilmar
Alô, alô, Gilmar
Eu tô em cana
Vem me soltar

Marchinha da Assombração
Abram alas
pra esse cortejo tão funesto
diabos vestem togas e terno
é a marcha do assombração
O vampiro
o covarde mestre salas
Se esconde na Alvorada
Sangue de pobre que é bom
“Não fale em crise, trabalhe!”

Esperando o Metrô
Há tempos estou esperando, esperando o metrô
Eu era criancinha, hoje sou avô
Há tempos estou esperando, esperando o metrô
Eu era criancinha, hoje sou avô

Será que vem, será?
Dizem que é culpa da inflação
Cadê a verba? Desapareceu
Será que está em Brasília ou o gato que comeu?

 

Ouça as dez finalistas:

 

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