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Estado de Minas

Coluna Baptista Chagas de Almeida


postado em 23/01/2018 12:00 / atualizado em 23/01/2018 09:33

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

 Tentar não custa ao presidente Temer


A semana começou com dois embarques para o presidente Michel Temer (PMDB). O primeiro foi no metrô do Distrito Federal. Anunciou recursos para a sua expansão. O segundo foi levantar voo para Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial. Esperar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem pensar. A posse da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), a filha do ex-deputado, não custa repetir, do presidente do partido, Roberto Jefferson, que dispensa maiores apresentações, foi adiada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mais uma vez. Fica para depois. Ou melhor, não vai ter, diante da coleção de ações judiciais.

Michel Temer vai tentar atrair investimentos em Davos. Nesta confusão toda em Porto Alegre, embarcou para lá. A desculpa é boa: convencer os maiores empresários do mundo que a economia anda, mesmo diante das questões políticas. Na verdade, a crise, alegam alguns importantes economistas, já foi precificada, para usar o jargão deles próprios. O Brasil é grande demais para o empresariado ignorar.

Se o rombo da Previdência bate novo recorde – R$ 267 bilhões no ano passado – a votação da reforma previdenciária ainda não se sabe, mas o governo tem absoluta consciência que, se não for no mês que vem, logo na volta dos trabalhos no Congresso, não tem mais. Ano eleitoral fala por si. Quanto mais perto da eleição ela ficar, mais difícil até de ser votada. Aprovada, então, nem se fala.

Não à toa que o presidente Michel Temer vai recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a “não posse” de Cristiane Brasil. No recesso, com a presidente Cármen Lúcia, sabe que perde. É a calculadora do Palácio do Planalto que indica ao fazer as contas. Não dá para ficar sem os votos petebistas, já que no meio do caminho tem Roberto Jefferson. Se, pelo menos, não fingir, o governo sabe que fica sem eles. E a reforma também mais difícil fica. Cada voto perdido afasta o governo do placar de 308 votos necessários para aprovar a reforma previdenciária.

Enfim, o certo é que nada de importante ficará definido antes da volta do recesso, tanto no Judiciário, com a exceção do julgamento de Lula quanto no Congresso. Aliás, lá muito menos. Achar deputado ou senador, excluindo os petistas que vão a Porto Alegre, é tarefa muito difícil, quase impossível. Não querem por nada deste mundo enfiar mão nesta cumbuca tão louca.


Só ministros
Na comitiva algum parlamentar, um deputado federal que seja, um senador da República? Que nada! Só ministros. Trata-se ainda da viagem do presidente Michel Temer (PMDB) a Davos, para o Fórum Econômico. O detalhe da viagem, no entanto, é curioso, mesmo com o Congresso em recesso. Na comitiva, vale repetir, só ministros, nenhum deputado ou senador para ajudar o presidente a vender a imagem do Brasil no exterior. O programa da semana é outro, muito diferente. Até para estrangeiros. Vários jornalistas de fora ou os correspondentes estarão em Porto Alegre.

Agasalho?
Se o clima político no Brasil anda quente, fervendo mesmo com o julgamento no Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, em Davos o presidente Michel Temer deve se agasalhar bem, diante da neve. Bem, há possibilidade de esquentar. Afinal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estará presente e vai discursar, o que um comandante americano não faz há um bom tempo. Com Trump ao microfone, tudo é possível.

Faz de contas

“A suspensão leva em consideração, entre outras razões, a atual conjuntura econômica pela qual passa o Brasil, “em especial a situação recessiva do estado de Minas Gerais, refletida em sucessivos déficits orçamentários desde 2015”. Faz de conta, então, que não foi a grande repercussão dos “gastos com diária de viagem e passagem aérea na instituição”. Não dá para embarcar, né? Para deixar claro, é notícia do próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE) diante da repercussão negativa sobre os seus gastos com viagens e outras regalias.

E se descarrilar?
A restrição no perímetro será por via “aérea, terrestre e naval”, segundo o secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer. É isso mesmo. Aviões proibidos de voar no espaço aéreo nas imediações do tribunal onde Lula será julgado e na orla do Rio Guaíba, onde embarcações das forças de segurança estarão posicionadas. Bem, então o jeito é pegar um trem e passar bem longe deste julgamento. Ihh! Nem saia de casa. Melhor ver pela TV mesmo. Ferrovia também é terrestre. Fraquinha esta, mas não deu para resistir.

“Enormidade”


Foi este o termo usado presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Hilton Queiroz . Ela fica em Brasília. Daí a necessidade de ter mais uma vara para tratar de processos que envolvam de crimes contra o sistema financeiro à lavagem de dinheiro. Na tradução simultânea para o termo político, a corrupção que assola o país afora, em especial com os recursos que saem do governo federal. Basta o exemplo da Lava-Jato, que é primeira instância, mas os políticos sempre recorrem.

PINGAS
. “O Brasil superou a crise e voltou a crescer”. Pelo menos, o presidente Michel Temer tem a seu favor no Fórum Mundial, em Davos, boas notícias da economia brasileira para apresentar. Julgamento, que julgamento? Deve perguntar...

. Briga de peritos. De um lado, os do Ministério Público do Rio de Janeiro. De outro, os peritos criminais federais, por meio de sua associação (APCF). No meio, as imagens das regalias do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) na prisão.



. Já foi falado, mas dá para fazer uma coleção de apostas. Quantos recursos o Palácio do Planalto ainda vai fazer para tentar emplacar a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). Desta vez, o encarregado é vice-procurador-geral Luciano Maia o encarregado.

. Nada menos que 150 câmeras de segurança e atiradores de elite. É, tem mais, muito mais, mas só isso já basta. É óbvio que trata, de novo, do julgamento do ex-presidente Lula amanhã em Porto Alegre.

. E depois do apagão, diante das tempestades, rápidas, mas cheias de raios e trovoadas que caíram ontem em Belo Horizonte, melhor ficar por aqui. Ainda bem que foram poucas horas. Já na política, as trovoadas...


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