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Estado de Minas

"Ideologia de gênero" volta à pauta da Câmara Municipal de BH com emenda à Lei Orgânica

Autor do vídeo no Palácio das Artes com alunos de escola e professora, agora lidera bancada cristã para impedir políticas de tolerância para com a diversidade sexual


postado em 14/11/2017 17:48 / atualizado em 14/11/2017 19:44

 

A exploração política em torno da temática "ideologia de gênero" continua na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Capitaneada pelo vereador Jair Di Gregório (PP),a bancada cristã, que reúne aproximadamente 22 vereadores, apresentou uma emenda à Lei Orgânica do Município que proíbe qualquer proposição legislativa que trate da regulamentação de política de ensino, currículo escolar, disciplinas obrigatórias, ou mesmo facultativa, que tendam a aplicar o termo "gênero" ou "orientação sexual".

Como a proposta diz respeito à mudança da Lei Orgânica, é necessário quórum qualificado de pelo menos 28 vereadores.

Em seu afã de protagonizar e se firmar como o"líder" da bandeira que se opõe à educação sexual e ao aprendizado do respeito à diversidade, às minorias, e às questões contemporâneas da mulher vítima de violência sexual, Jair Di Gregório já se envolveu em várias polêmicas nesta legislatura.

A última delas: filmou e divulgou o vídeo de uma professora da escola pública que levava os alunos para assistir uma sessão de cinema no Palácio das Artes, sugerindo que o grupo estaria visitando uma exposição de arte com classificação indicativa para maiores de 18 anos.

A secretaria Municipal de Educação divulgou, na ocasião,  ofício em que afirmou que Jair di Gregório feria "o decoro parlamentar” e praticava “ato irregular grave” contra suas funções.

“Nesse sentido, vislumbra-se flagrante crime contra a honra da professora envolvida e da imagem dos alunos, acusados, erroneamente, de participarem do evento inadequado para a faixa etária dos mesmos. Consequentemente, houve prejuízo tanto para a escola municipal quanto para a Secretaria Municipal de Educação”, afirmou o ofício.

 

O que é gênero

 

Diferentemente do que costumam sugerir os críticos dos estudos de gênero, trata-se de um campo da ciência, não uma "ideologia". No âmbito das ciências sociais, os estudos de gênero apontam, historicamente, distorções nas relações de poder e de inserção social entre homens e mulheres e, entre pessoas que, embora tenham nascido com um sexo biológico, por razões que ainda não se tem clareza, não se identificam com esse sexo: são transexuais.

Há estudiosos que dizem ser a causa genética, outros hormonal ou social. O fato é que é preciso ensinar o respeito à condição de cada pessoa, para que, de forma cristã, os transexuais possam sobreviver sem sofrerem ataques físicos ou psicológicos. E isso se aprende na escola.

 

Não há levantamento confiável de pessoas trans no Brasil e no mundo. O processo de mudança de identidade no país é burocrático e bastante complexo, o que impede que população trans tenha acesso à educação e emprego.

A transexualidade não é bem aceita pelos movimentos religiosos, que fazem um cavalo de batalha em torno da palavra "gênero" e à orientação sexual, alegando que a chamada "ideologia de gênero" estaria "promovendo" e intentivando nas escolas que as crianças "experimentem" situações para a definição de seu papel de gênero. 

 

 

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