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Estado de Minas

"Vamos pedir perdão ao povo de BH", diz Reginaldo Lopes, candidato à PBH

Deputado afirma que erros do PT são grande oportunidade para debater o tema corrupção


postado em 26/07/2016 06:00 / atualizado em 26/07/2016 07:39

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

No quarto mandato de deputado federal, Reginaldo Lopes (PT) quer comandar a Prefeitura de Belo Horizonte para apresentar uma nova forma de gestão. Se chegar lá, vai priorizar um modelo de mobilidade urbana voltado para o trabalhador não só da capital, mas da Região Metropolitana. Na busca dos votos, o petista promete uma campanha barata, sem grandes eventos, cabos eleitorais e material gráfico. Será também o momento de pedir desculpas ao eleitor pela prática do caixa 2, adotada por vários partidos, entre os quais o PT, segundo ele.  “Queremos assumir o erro para mostrar que nós não vamos fazer uma campanha com gastança”, diz o parlamentar, o quinto entrevistado pelo Estado de Minas na série feita com os candidatos a prefeito de Belo Horizonte.

 

Por que o eleitor de Belo Horizonte deve votar no senhor?
Porque nós vamos representar o novo. Eu acho que chegou a hora de o belo-horizontino fazer parte de todo o processo. É uma cidade extremamente plural, uma cidade que acolhe todos, uma capital de todos os mineiros. Para responder à origem da criação da nova capital é preciso uma nova gestão, que coloque em primeiro lugar a radicalização da participação popular. Nos últimos anos, a participação popular é um produto de marketing, falam que estão fazendo para fazer propaganda, ela não ocorre na prática. Um exemplo: é impossível melhorar o transporte público sem ouvir quem usa o transporte. Nosso governo terá uma marca forte, que é o retorno do debate com a população belo-horizontina.

Qual o principal problema de Belo Horizonte hoje? Como o senhor vai resolvê-lo?

Eu diria que tem vários problemas, grandes desafios. Mas eu acredito – como o eixo programático do nosso governo é o direito à cidade – que você não tem direito à cidade se tem um transporte sem qualidade. Portanto, buscar construir um modelo de mobilidade urbana é fundamental, porque você garante o direito à cidade. Nós vamos trazer uma política metropolitana integrada para o transporte público e vamos debater a criação do bilhete único. É impossível melhorar o transporte se não ampliar o modal mais importante, que é o metrô. Portanto, nós queremos repensar o metrô. O metrô precisa ser para os trabalhadores, precisa ser metropolitano, retomar Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, onde se concentra boa parte dos trabalhadores.

O senhor pertence a um partido que está no centro da crise política nacional e de denúncias de corrupção. Até que ponto a filiação ao PT pode repercutir na candidatura do senhor?

Essa será uma grande oportunidade, pois nós queremos fazer um debate sobre a corrupção. Em primeiro lugar, vamos reafirmar que somos do PT, mas também, com muita humildade, reconhecer que nós erramos e pedir desculpas para o povo de Belo Horizonte. Uma das origens dos nossos erros é a falência do modelo político e eleitoral brasileiro. Não vamos aceitar uma acusação moralista sobre corrupção de partidos que estão envolvidos, porque a essência é o modelo político. É lógico que uns se utilizaram para fazer campanha, outros para se enriquecer pessoalmente. Eu tenho quatro mandatos (de deputado federal) e não tenho nenhuma acusação ou escândalo. Mas queremos assumir o erro para mostrar que vamos fazer uma campanha sem gastança. Vamos fazer uma campanha sem contratação de cabos eleitorais, sem palanque, sem poluição sonora e visual, sem marqueteiro. Queremos convidar nossos concorrentes a fazer a mesma coisa, fazer uma campanha no campo das ideias e das propostas. A partir daí, não vamos aceitar que candidatos de partidos envolvidos nesse modelo falido do processo eleitoral nos acusem de corrupção.

Que erros são esses que o senhor diz que o PT cometeu? Caixa 2 nas campanhas?

É o modelo de campanhas muito caras, marqueteiros muito caros, esse modelo político-eleitoral de que o PT participou, que não é ilegal, que é legal, e que não foi o PT que criou. Foram as elites que criaram. O PT nasceu para contrapor, mas aderiu a esse modelo que prioriza não a política, mas os burocratas, quem tem o poder econômico e que acaba dominando os partidos políticos. O PT tem que largar a burocracia, priorizar a política.

Em um eventual segundo turno, o senhor vai buscar o apoio do PSB e do prefeito Marcio Lacerda caso o candidato dele não esteja na disputa?
Não estamos preocupados com apoios meramente pragmáticos. Vamos estabelecer acordos programáticos. A campanha do Executivo é a única possibilidade de o cidadão dialogar diretamente com o candidato. Na nossa concepção de cidade, queremos de fato estabelecer um diálogo direto com o belo-horizontino. Evidentemente que com aquele que não for para o segundo turno estabeleceremos um diálogo programático. Eu não serei candidato à reeleição e comporei o governo com paridade de gênero. Não vou usar a estrutura meramente burocrática de quem comanda o partido para fazer indicação nos governos, como aconteceu com Michel Temer (presidente em exercício), que convocou apenas homens brancos e de terno preto. Vamos compor sim, mas desde que os partidos escolham pela meritocracia e indiquem mulheres, negros.

O PSB está dentro deste leque de linha programática?

O governo do Marcio deve à cidade, em especial um pouco pelo desmonte das políticas sociais. E o governo impediu muito a participação popular verdadeira, para além do marketing. Por isso, sendo essa a compreensão do PSB, é lógico que apoio nós queremos. Mas dentro da carta programática. Não vamos, em hipótese alguma, alterar nosso programa em busca de aliados.

Qual vai ser a participação do governador Fernando Pimentel na campanha do senhor?

Pelas suas obrigações como governador e também respeitando a sua base, que tem vários candidatos, a melhor contribuição é a amizade que estabeleço com ele. E também a oportunidade de trocar ideias sobre Belo Horizonte, tendo a gestão dele como das melhores da cidade. Com ele, quero pensar novas respostas para os problemas que não foram superados até hoje. É sempre uma alegria ter o Fernando ao lado (em eventos), mas isso cabe a ele decidir. Mas o que espero dele é uma participação programática, como espero de todos os belo-horizontinos.

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