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Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida


postado em 10/06/2016 12:00 / atualizado em 10/06/2016 07:30

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

O jeitinho brasileiro e o  jatinho dos políticos

Quando o mau exemplo vem de cima, mais brasileiros pensam em deixar de fazer o mesmo. Muito antes pelo contrário, passam a admitir que “já deram um jeitinho” quando se deparam com algum problema que precisa ser resolvido. É o primeiro sinal de que poderá haver mudança de comportamento, diante do mau exemplo de alguns dos principais políticos do país e mais uma coleção de parlamentares.  É o que revela pesquisa feita pela consultoria Ipsos e divulgada pela BBC Brasil.

Mas atitude mesmo, ainda deve demorar. “Estamos vivendo um momento de transformação de valores. Não significa dizer que de uma hora para outra todo mundo vai começar a agir de forma correta”, alerta o diretor na Ipsos Public Affairs e responsável pela pesquisa Danilo Cersosimo.

Quem diria? Gente como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e muito mais gente estão levando os cidadãos do antigo “jeitinho brasileiro” a repensar os seus conceitos e começam a rejeitá-lo.

“Quando as pessoas começam a ver que ações contra corrupção vão dar resultado, elas começam quase como obrigação moral a rever seus conceitos”, faz o resumo da ópera Danilo Cersosimo.

Daí a importância da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Os brasileiros, diante do combate à corrupção nunca antes visto no país, acham que a operação pode fazer com que o Brasil seja um “país sério”. O índice é de 75%, e vem de outra pesquisa da Ipsos.

Até aqui, a coluna traz um tom otimista, mas na política a esperança não é a última que morre, e já está morrendo. Quer um exemplo, um só? Foi adiada mais uma vez na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, esta semana, a votação do pedido de cassação de seu presidente afastado, Eduardo Cunha. É a terceira vez que isso acontece.

Se houver uma “Operação Lava Jatinho de Parlamentares” no Congresso será necessária uma nova eleição, porque não haverá quórum para as votações, tantos são os envolvidos em denúncias de corrupção ou, no mínimo, de tráfico de influência.

É o jatinho que muitos deles adoram pegar carona para voltar às bases. E os empresários, donos dos aviões, adoram atender aos pedidos, porque sabem que a recompensa vem na hora em que precisarem. É voo que precisa arremeter.

Pedido de socorro
“Mariana e Ouro Preto precisam acessar o fundo criado para danos ambientais. Por quê? Ora, seria estranho fazer toda a recuperação ambiental e as prefeituras ficarem falidas sem dinheiro para educação e saúde. Pedimos ao ministro Eliseu Padilha, que faça estudos para alteração dos estatutos do fundo”. É o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) cobrando, em audiência na Casa Civil, junto com os prefeitos de Ouro Preto e Mariana – cidade em que a  arrecadação despencou sem os impostos da Samarco.

Otimismo palaciano
No Palácio do Planalto, a previsão é otimista para o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o agora ex-ministro Romero Jucá (PMDB- RR) e o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Assessores do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) acham que eles são figurões demais para que o Supremo Tribunal Federal (STF), pelo menos por enquanto, aceite o pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal (MPF). É, pode ser. Mas resta saber: já combinaram com os ministros do STF?

Afastar todo mundo
Escreve o deputado Júlio Delgado (PSB-MG): “Em momento algum fui à tribuna defender a presidente afastada Dilma Rousseff ou contestar o processo de impeachment contra ela. Fui à tribuna questionar os deputados pela demora ou omissão no processo de cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Numa analogia, afirmei que cabe a nós afastar de um mandato legítimo (obtido através da escolha popular) quem está usando o cargo para ganhos pessoais, como fizemos com a presidente Dilma (sem entrar no mérito da questão) e devemos fazer também com Eduardo Cunha”.

Para as lavadeiras

Varal da Cidadania. O nome já é uma boa ideia, a iniciativa também. A Prefeitura de Montes Claros lançou programa para elevar a renda e a qualidade de vida das cerca de 50 lavadeiras que atuam nas seis lavanderias comunitárias da cidade. Quer exemplo? Então vamos lá: o projeto vai atender gente como a aposentada Zelita Santos Batista, de 77 anos. Foi trabalhando como lavadeira que ela criou quatro filhos e hoje ainda ajuda na criação de três netos. E continua trabalhando.

PINGAFOGO

Mais uma declaração da dona Zelita da nota sobre o Varal da Cidadania: “Só a aposentadoria não dá. Gosto de trabalhar na lavanderia, é melhor do que ficar dentro de casa”.

Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa não constata irregularidades em compra de carteiras. Calma, gente. Não são carteiras de pôr dinheiro, são carteiras escolares.

E por falar em educação, o juiz da Operação Lava-Jato, Sérgio Moro, aceitou denúncia da Procuradoria da República conta Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha. Só não respeitou a máxima de que “mulheres na frente”.

Que o “Mensalinho em Valadares” – da feliz e “na mosca” manchete de ontem deste Estado de Minas – não sirva de exemplo, melhor dizendo, não sirva de “exemplão” para outros municípios.

E que outros vereadores nem pensem em fazer o mesmo, porque o Ministério Público e a Polícia Federal estão de olho. Ah! E os moradores também.

 


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