
A pergunta que deveria ser feita
Apelou, perdeu. Aliás, já terá perdido. A presidente Dilma Rousseff (PT), seguindo conselho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já decidiu que não fará a tradicional transição de poder em sua saída do Palácio do Planalto. A informação foi passada a alguns deputados da cozinha do governo pelo ministro-chefe da Secretaria da Casa Civil, Ricardo Berzoini. Mesmo ligados ao governo, os ouvintes, é claro, deram com a língua nos dentes. Não surpreende. Os políticos agem assim mesmo. Querem se vangloriar de terem tido antes a decisão. Ciente de que sua volta à Presidência da República, antes provável, corre sério risco – e as últimas pesquisas mostram a brutal queda de sua popularidade –, foi o ex-presidente Lula que deu o conselho.
Se seguir a sugestão de Lula, o que é provável de acontecer, a presidente Dilma deixará de lado a dignidade política e sairá pela porta dos fundos do Palácio do Planalto, embora, por seis meses, poderá entrar pela frente no Palácio da Alvorada, já que terá direito a lá ficar até o desfecho do processo de seu impedimento.
Com a regalia garantida, Dilma vai aproveitar o 1º de maio, Dia do Trabalhador, para aumentar o benefício do Bolsa-Família em 1º de maio, domingo agora. Ao que se sabe, haverá um aumento na faixa de 5% para os beneficiários. O Ministério da Fazenda, no entanto, diz que não há espaço no Orçamento para isso. Lamentável. A própria presidente sabe muito bem disso. Ao sancionar, em 1º de janeiro deste ano a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ela escreveu e publicou no Diário Oficial da União: “Se sancionado, o reajuste proposto, por não ser compatível com o espaço orçamentário, implicaria necessariamente o desligamento de beneficiários do Programa Bolsa-Família”.
A presidente Dilma deixará o aumento de 1º de maio como herança maldita para o vice-presidente Michel Temer quando ele assumir?
Desagravo a vítimas de tortura
O jurista Miguel Reale Júnior fez um desagravo às famílias de pessoas torturadas pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a ditadura militar (1964-1985), em sua fala em defesa do impeachment da presidente Dilma na comissão especial do Senado, ontem. No dia 17, durante a apresentação do seu voto no plenário da Câmara, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) reverenciou Ustra: “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Reale lamentou que a sessão “tenha servido de oportunidade para que se homenageasse um torturador. “Há dois tipos de ditaduras: a explícita dos fuzis e a insidiosa da propina e do gosto pelo poder”, afirmou.
Disputa desleal
O deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que disputa a indicação para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deve ser preterido por Osmar Serraglio (PMDB-PR), aliado do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Serraglio será o indicado pela bancada para o presidir a comissão. Pacheco passou a sofrer boicote de Cunha depois de ter dado pareceres contrários a projetos dele e também por ter se aliado ao líder do PMDB, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), adversário do presidente da Câmara. No entanto, sob desculpa de pacificar o partido, rachado por causa do impeachment, Picciani já avisou que não vai interferir na indicação de Serraglio. A presidência da CCJ é fundamental para Cunha. Caso seu processo de cassação passe no Conselho de Ética, ele pode recorrer de sua aprovação na comissão antes de o relatório ir a plenário para ser votado.
Indignação
Ainda sobre a votação do impeachment na Câmara. Da mesma forma que causou revolta em setores da sociedade a lembrança do coronel Brilhante Ustra no voto de Jair Bolsonaro (PP-RJ), também provocou indignação em outros setores a justificativa do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que disse votar por “aqueles que nunca escolheram o lado fácil da história”. Glauber decidiu homenagear Carlos Marighella, o mesmo que, no Manual do guerrilheiro urbano, defendia “a exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia”. “É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, dos latifundiários, e dos imperialistas”, recomendava o terrorista.
Reajuste da Justiça
A Câmara dos Deputados atendeu a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e aprovou a urgência do projeto de lei que reajusta em até 41% os salários dos servidores do Poder Judiciário Federal. Com isso, o projeto não precisa mais passar por comissões da Casa e terá prioridade para ser votado pelos deputados em plenário, embora não haja prazo para essa votação. A estratégia de líderes partidários que votaram a favor do impeachment na Câmara é evitar que projetos que elevem gastos federais sejam votados até que o vice-presidente Michel Temer assuma a Presidência da República, em caso de afastamento da presidente Dilma Rousseff.
PINGAFOGO
“O impeachment é tão golpe quanto o Brasil é uma pátria educadora”
Cristovam Buarque (PDT-DF), senador
Mais um tucano vai assumir cargo no ministério do vice-presidente Michel Temer (PMDB), caso ele assuma a Presidência da República, o que é praticamente certo. E é mais um integrante do governo de Geraldo Alckmin (PSDB). O convite será feito ao ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Alexandre de Moraes. Ele deve assumir o comando
“Capacitação da Defesa Civil Estadual busca aumentar a resiliência a desastres em Minas Gerais. Curso trabalha ferramenta gerencial para direcionar os grupos atuantes nas ações de resposta em situações de emergência”. Título de matéria no site do governo.
Mas o que é “resiliência”? De acordo com o Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa significa “1. Ato de retorno de mola; elasticidade. 2. Ato de recuar (arma de fogo); coice. 3. Poder de recuperação. 4. Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico. Palavra esquisita, não?
