
Vítimas do caos econômico e pressionado pelos eleitores para que restabeleçam a normalidade nos estados que administram, 13 governadores estarão também hoje em Brasília, entre eles o anfitrião, Rodrigo Rollemberg (DF), para discutir a deterioração das contas públicas. A idéia do grupo, suprapartidário, e que inclui os governadores dos três maiores estados dos país – Geraldo Alckmin (SP), Fernando Pimentel (MG) e Luiz Fernando Pezão (RJ) – é elaborar um documento conjunto, com pleitos e carências, que será posteriormente levado à presidente Dilma Rousseff.
O encontro no Palácio do Planalto abordará os quatro eixos pensados pelo governo para tentar reverter a crise que paralisou os investimentos brasileiros, aumentou o desemprego e fez a inflação disparar no primeiro ano do segundo mandato da petista. Segundo apurou a reportagem, os quatro eixos são: previdenciário; mecanismos para melhorar as relações entre patrões e empregados para brecar o desemprego; mecanismos para aumentar o nível de investimentos no país; e debates sobre uma nova reforma tributária.
São pontos espinhosos, de difícil diálogo com o Congresso e com os movimentos sociais. O primeiro deles, por exemplo – a reforma da Previdência –, gerou ruídos com a base social do governo. Mal assumiu o cargo de ministro da Fazenda, Nelson Barbosa sinalizou a necessidade de adoção de uma idade mínima para aposentadoria. As centrais sindicais, especialmente a CUT e a Força Sindical, reclamaram, alegando que este tema não estava na pauta de discussões do fórum criado pelo governo para discutir a Previdência.
Os outros pontos da agenda tampouco são fáceis de serem alcançados. Setores do PT e do governo chegaram a defender, quando Joaquim Levy ainda era o ministro da Fazenda, que fosse usada parte das reservas internacionais para aumentar o nível de investimentos públicos. Levy rechaçava a ideia e ela foi repelida com ênfase por Barbosa tão logo assumiu o posto. Ele classificou a proposta de “primária”.
Quanto às propostas que ainda estão em tramitação no Congresso, o governo deve tentar retomar, com poucas chances de êxito, o debate sobre a recriação da CPMF como uma maneira de financiar a Saúde. Além dos ministros econômicos – Nelson Barbosa, Valdir Simão (Planejamento), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Miguel Rossetto (Previdência) – devem participar do encontro o chefe da Casa Civil, ministro Jaques Wagner, e o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.
Enquanto isso...
...Cunha traça estratégias
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desembarca hoje em Brasília com a agenda ainda em aberto. Na semana passada, ele comandou uma reunião de líderes para debater os próximos passos do processo de impeachment da presidente Dilma e marcou uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, para questionar alguns pontos da decisão do STF. Foi surpreendido com a abertura do encontro para a imprensa. Embora fragilizado pelas denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava-Jato, Cunha ainda se mantêm firme no cargo de presidente da Câmara, especialmente enquanto o STF não julgar – o que deve acontecer no início de fevereiro – o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que ele seja afastado do cargo e do mandato de deputado.
