Publicidade

Estado de Minas

Rombo na Petrobras equivale ao valor de 145 milhões de barris de petróleo

Volume equivale aos R$ 18,3 bilhões em perdas para os cofres da Petrobras rastreadas pelo TCU e na Lava-Jato, cifra superior ao valor de mercado de gigantes como a Cemig e a Gerdau


postado em 11/01/2015 06:00 / atualizado em 11/01/2015 07:24

(foto: AFP PHOTO/Yasuyoshi CHIBA )
(foto: AFP PHOTO/Yasuyoshi CHIBA )

Menos de um ano depois de lançada a Operação Lava-Jato – em 17 de março de 2014, a Polícia Federal realizou as primeiras prisões no âmbito das investigações sobre desvios e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras –, a soma do rombo deixado nos cofres da estatal até agora alcança o montante de R$ 18,3 bilhões. Um valor superior à atual cotação de mercado da Companhia Energética de Minas Gerais (R$ 16,044 bilhões) ou da siderúrgica líder no segmento de aços longos, a Gerdau (R$ 16,68 bilhões). Equivale ainda a 145,23 milhões de barris de petróleo à cotação de US$ 47,78 (R$ 126,09) registrada na sexta-feira, volume que representa quase 10 meses da produção média diária de 500 mil barris no pré-sal alcançada em julho, oito anos depois da descoberta das reservas.

Os casos de corrupção vieram à tona depois que órgãos de fiscalização passaram um pente-fino nas relações entre funcionários de alto escalão da Petrobras com grandes empreiteiras, responsáveis pelas maiores obras da estatal. A partir de investigações e relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional – com indícios de graves problemas na gestão da empresas –, o Estado de Minas chegou ao rombo de R$ 18,3 bilhões na Petrobras, valor ainda passível de variação, uma vez que a reportagem considerou apenas apurações dos órgãos oficiais (confira o levantamento na página 4).

E o prejuízo não se limita à cifra bilionária. O escândalo levou a um efeito sanfona nos papéis da Petrobras em bolsas de valores. Se em maio de 2008 os papéis da empresa chegaram ao recorde de R$ 46,87, a estatal vem amargando quedas que resultaram em valores inferiores a R$ 9. Para se ter uma ideia, na segunda-feira passada, as ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 8,01%, a R$ 8,61, e as ordinárias recuaram 8,11% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), passando a R$ 8,27 – o menor valor desde 30 de setembro de 2003, quando atingiram a cotação de R$ 8,23.

Nos últimos cincos anos, a Petrobras ainda teve uma queda vertiginosa no seu valor de mercado – que representa o quanto uma empresa vale na bolsa da valores, consideradas todas as ações negociadas e a sua cotação, ou seja, quanto os investidores estão dispostos a pagar por ela. Se em 2011 a maior estatal brasileira valia a R$ 291,5 bilhões, na primeira semana deste ano está cotada em R$ 111,45 bilhões, atrás da Ambev e dos bancos Itaú e Bradesco, segundo dados de quinta-feira da consultoria Economática. No mesmo período, o lucro líquido da estatal também despencou: passou de R$ 33,3 bilhões para R$ 10,3 bilhões até junho do ano passado. Os dados consolidados de 2014 ainda não foram divulgados, à espera da realização de uma auditoria externa.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade