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Estado de Minas Eleitorado cobiçado

Carente de investimentos, Grande BH vira alvo de presidenciáveis

Região concentra 5,7 milhões de habitantes e 4,8 milhões de votos. Apesar disso, moradores ainda enfrentam problemas em setores como transporte, saneamento e habitação


23/09/2014 06:00 - atualizado 23/09/2014 07:36

Em Ribeirão das Neves, 99,29% dos moradores têm acesso a água, mas a rede de esgoto não chega a 73%(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 10/3/11)
Em Ribeirão das Neves, 99,29% dos moradores têm acesso a água, mas a rede de esgoto não chega a 73% (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 10/3/11)

Um território de muitos votos, e muitos problemas. A Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) fizeram campanha nesta terça-feira e Marina Silva (PSB) fará na sexta-feira, concentra 5,7 milhões de habitantes e 4,8 milhões de votos. Um terreno farto para a caça a eleitores que podem, no entanto, não ser tão fáceis de conquistar. Com 34 municípios, a Grande BH tem forte demanda por investimentos em áreas como transporte, saneamento básico e habitação. Dilma esteve em Ribeirão das Neves, um dos municípios mais pobres da região, com 319.310 habitantes, 185.447 eleitores e renda per capita de R$ 535,28, ocupando a 2.780ª posição entre os 5.564 municípios brasileiros.

Aécio foi a Betim, com 412.003 mil habitantes e 267.389 eleitores, e Contagem, a segunda maior da região – atrás apenas da capital –, com 643.475 habitantes e 443.587 eleitores, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para este ano e informações do portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim como Neves, os dois municípios têm índices elevados de população carente.

Betim abriga uma das maiores favelas de Minas Gerais, o Jardim Teresópolis, surgida na década de 70 em frente à Fiat Automóveis, a maior montadora do país, exatamente pela expectativa de geração de empregos. Hoje, a população do bairro já conta com asfalto, na maior parte das ruas, e iluminação. Em um dos últimos investimentos anunciados para o local, a Prefeitura de Betim e a Caixa Econômica Federal fecharam contratos para obras de R$ 130 milhões em saneamento e habitação.

A cidade visitada por Dilma Rousseff registra uma parcela elevada da população com acesso a água, 99,26%. Porém, precisa percorrer um longo caminho para fazer chegar o esgoto a todos os moradores. Ao todo, 73% dos habitantes do município não têm acesso ao serviço, segundo dados do Ministério das Cidades relativos a 2010.

De Contagem, onde esteve Aécio Neves, sai pelo menos parte do esgoto que polui a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. É no município que nasce a maior parte dos rios que deságuam nas águas de um dos principais cartões postais da capital. Apesar dos investimentos que já foram feitos para o tratamento de dejetos, ainda é grande o número de moradores das duas cidades que se negam a regularizar a rede de esgoto. O objetivo, acredita-se, é não pagar a taxa de saneamento básico.

TRANSPORTE Com parte da população trabalhando em Belo Horizonte, moradores de Contagem e Betim estão acostumados a ouvir, sobretudo em períodos de campanha, que haverá investimentos no metrô da capital de forma a atender as duas cidades. O sistema hoje tem apenas uma estação em Contagem. Para Betim o projeto sequer foi elaborado. Segundo a Associação Nacional as Empresas de Engenharia Consultiva de Infraestrutura de Transportes (Anetrans), as duas prefeituras redigiram um termo de referência do projeto de expansão do sistema para as duas cidades.

O texto pode ser considerado uma espécie de pré-projeto do que precisa ser feito para que o metrô chegue aos municípios, com intervenções necessárias, traçado e estações. Conforme cálculos das prefeituras e da empresa de transporte ferroviário que participou da elaboração do termo, as obras demandariam R$ 400 milhões.


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