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Estado de Minas

Participação do candidato do PV em debate da TV repercute nas redes sociais

Eduardo Jorge tem dia de estrela após debate na TV e ganha popularidade na internet


postado em 28/08/2014 00:12 / atualizado em 28/08/2014 07:20

" A legislação (do aborto) é cruel. Ela coloca 800 mil mulheres à própria sorte, procurando clínicas clandestinas e morrendo ou ficando com sequelas" , disse Eduardo Jorge (foto: Miguel Schincariol/AFP)

Ele aparece com apenas um ponto percentual em todas as pesquisas de intenção de voto, mas foi quem mais chamou a atenção no primeiro debate entre os presidenciáveis na noite da última terça-feira (26). A participação do médico sanitarista e candidato do PV à Presidência da República, Eduardo Jorge, 65 anos, foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Chegou a ser chamado de “Mujica brasileiro”, referência ao presidente do Uruguai, José Mujica, que, como ele, é a favor do aborto e da liberação da maconha. Como o uruguaio, Eduardo Jorge nunca usa terno – era o único no debate que não portava o traje – e costuma ser visto chegando aos compromissos de campanha de transporte coletivo. A defesa pelo candidato de temas considerados tabus foi alvo de vários memes positivos, como são chamadas as referências feitas a determinadas pessoas ou assuntos que alcançam grande popularidade na internet. Mas também “apanhou” por causa de um comentário a respeito da aparência da candidata do PSB, Marina Silva, chamada por ele de “magrinha”. O PV aproveitou a onda de popularidade e compilou em sua página na internet as declarações do candidato que mais geraram comentários.

Ao questionar a candidata do PSB sobre a dívida pública brasileira, Eduardo Jorge disse que, se ela fosse auditada, sairia “magrinha”. “Parecida com você”, disse o candidato, arrancando risadas da plateia e um olhar fulminante da adversária, que não rebateu a colocação durante o debate. Feministas e defensores dos direitos das mulheres acusaram o candidato de reproduzir a cultura machista ao usar a aparência da mulher para desqualificar ou fazer piadas. Marina postou ontem, em sua página no Facebook, um vídeo para quem a considera “magrinha e fraquinha”. “O pessoal diz que a Marina é magrinha, fraquinha. Eu sou magrinha. Mas, olha, eu venho da Amazônia”, afirma candidata no vídeo, gravado durante um comício, onde ela se compara a uma árvore que não se verga nem com machado e ainda “solta faísca”.

Mas não foi só Marina que se irritou com Eduardo Jorge. Nessa quarta-feira, em entrevista a um portal de notícias, ele defendeu o fim do salário para vereadores. Segundo ele, se eleito, vai propor projeto para acabar com o salário dos vereadores em todo o país. Na opinião do candidato, com essa medida seria possível aumentar o número de vereadores e fortalecer a democracia representativa. “Porque a gente quer que o povo volte a gostar da democracia representativa”, defendeu o candidato, que, até 2003, era filiado ao PT.

Proposta semelhante foi defendida por ele em Belo Horizonte, em campanha no início deste mês, ao lado dos vereadores Leonardo Mattos (PV) e Sérgio Fernando (PV), que, na mesma hora, protestaram contra a fala do candidato. A reação levou Jorge a admitir que há falta de apoio ao projeto dentro do partido. Na capital mineira, o candidato fez campanha andando de bicicleta pela orla da Lagoa da Pampulha.

‘Lei cruel’


Na terça-feira (26), em sua participação no debate, Eduardo Jorge criticou a atual legislação brasileira, que considera crime a interrupção da gravidez e permite que ela seja feita apenas se não houver outra forma de salvar a vida da gestante ou no caso de gravidez resultante de estupro. Para ele, a legislação  é cruel. “Ela (a lei) coloca 800 mil mulheres à própria sorte, procurando clínicas clandestinas e morrendo ou ficando com sequelas”, disse Jorge, que questionou o candidato do PSDB, Aécio Neves, sobre o tema e ouviu do tucano que, se eleito, não mudaria a lei que trata do assunto.

Ao ser indagado sobre formas de reduzir a violência, Eduardo Jorge surpreendeu ao defender a regulamentação das drogas como uma maneira de combater a esse problema. Em entrevistas anteriores, o candidato já vinha defendendo a regulamentação da maconha, proposta que consta inclusive de seu programa de governo. No debate, ele se posicionou ainda a favor do sistema parlamentarista e do fim do voto obrigatório, citou Leon Tolstói , John Lennon e Mahatma Gandhi ao defender a cultura de “paz e amor”.


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