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Estado de Minas

Tucanos e petistas adotam a tática de ataque à ex-senadora Marina Silva

O estilo "desagregador" de Marina Silva e a inexperiência adminsitrartiva da candidata do PSB são alvos de críticas


postado em 26/08/2014 06:00 / atualizado em 26/08/2014 07:13

Brasília – A ascensão de Marina Silva (PSB) nas pesquisas de intenção de voto – nesta terça-feira será divulgada um novo levantamento da corrida ao Palácio do Planalto – intensificou o bombardeio de tucanos e petistas à presidenciável socialista na véspera do primeiro debate na televisão. Os primeiros questionamentos ocorreram no fim de semana, quando Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) abordaram a inexperiência administrativa da ex-senadora, se comparada a uma presidente candidata à reeleição e a um governador eleito duas vezes seguidas. Mas os ataques prosseguirão questionando outros pontos, como a falta de um partido forte e o estilo “desagregador” de Marina.

No Rio, Aécio ironizou nessa segunda-feira a intenção do PSB de governar com apoio de dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Dilma, que já questionara no domingo as declarações de Marina, ao afirmar que um presidente que não se preocupar com a gestão está querendo ser a rainha da Inglaterra, aproveitou ontem, ao responder uma pergunta sobre atraso no pagamento de obras do PAC, para criticar novamente a adversária, sem citar o nome dela. “A atividade de presidente da República não é uma atividade que seja lateral ele gerir. É intríseco ao presidente da República se preocupar com gestão, porque se ele não se preocupar com a gestão, esse presidente está querendo ser rei ou rainha da Inglaterra”, disse.

A nova estratégia de ataque conjunto à ex-ministra ministra do Meio Ambiente é motivada por razões diferentes. Os tucanos querem conter o crescimento de Marina e evitar que ela, e não Aécio Neves (PSDB), chegue ao segundo turno. Já os petistas estão tensos porque os primeiros números divulgados mostram que Marina venceria Dilma Rousseff em um eventual segundo turno, encerrando a hegemonia do PT no Palácio do Planalto que já dura 12 anos.

Os adversários de Marina também cobram explicações sobre o avião alugado pela campanha socialista e que matou Eduardo Campos. Desde sexta-feira, Aécio começou a dizer que “homens públicos têm de estar preparados para dar explicações cobradas pela sociedade”. Mas a candidata socialista é questionada por outras coisas, mais relacionadas ao aspecto político. Além da inexperiência administrativa – foi ministra do Meio Ambiente por cinco anos e meio e senadora pelo PT –, Marina é vista pelos seus contendores como alguém com estilo político desagregador, como seria comprovada pela própria trajetória dela.

Em 2008, Marina deixou o cargo de ministra por divergências com a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o então ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Mangabeira Unger. Um ano depois, para concretizar o projeto de concorrer ao Planalto em 2010, ela deixou o PT e filiou-se ao PV. “O que aconteceu? Marina perdeu a eleição e deixou o PV em 2011, alegando divergências internas com a cúpula do partido que a havia abrigado”, disse um parlamentar petista. Marina tentou criar a Rede Sustentabilidade, mas teve o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Ela nem sequer conseguiu montar o próprio partido”, completou o petista.

Marina, que ontem fez campanha na Bienal do Livro, em São Paulo, admitiu que o momento será de responder aos ataques. “Essa é uma campanha na qual vamos ter que oferecer a outra face. Vamos oferecer a outra face e caminhar com sabedoria”, garantiu ela.  (Colaborou Grasielle Castro)

Alvo preferencial

Marina Silva vira alvo de tucanos e petistas durante a corrida eleitoral. Confira alguns argumentos que serão usados contra ela


Inexperiência administrativa

A candidata do PSB já começou a ser questionada ao longo do fim de semana sobre o fato de nunca ter tido experiências como governante. Ela foi ministra por cinco anos e meio e senadora pelo PT

Falta de quadros para governar
Tanto PSB quanto a Rede Sustentabilidade (que nem sequer foi criada) teriam poucos nomes técnicos e políticos para formular propostas ao país

Falta de sustentabilidade política
O PSB tem uma coligação pequena. O discurso contra o formato político atual dificulta uma política de alianças que dê estabilidade parlamentar para que Marina implante as medidas que julgar necessárias

Avião suspeito
O PSB está enrolado para explicar de quem é o jato que caiu em 13 de agosto, matando Eduardo Campos e outros integrantes da campanha do candidato socialista

Intransigência
Marina é conhecida por ser pouco conciliadora. Durante o governo Lula, deixou a pasta após desavenças com Dilma Rousseff (ministra da Casa Civil) e Mangabeira Unger (ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos). Filiou-se ao PV e deixou o partido por discordância com a cúpula verde. Assim que foi confirmada como candidata do PSB, praticamente todo o comando de campanha socialista acabou substituído

Ambiguidade no discurso
Marina ainda passa a impressão de não saber conciliar o discurso da sustentabilidade com o crescimento econômico. Adversários e empresários têm vivo na memória as críticas feitas por ela à construção de algumas rodovias e hidrelétricas do PAC

Discurso econômico básico
A socialista não apontaria os meios para retomar o crescimento econômico, limitando-se a propor a retomada do tripé câmbio flutuante, meta de inflação e responsabilidade fiscal

 


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