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Estado de Minas

Candidatos a vereador reclamam que não adiantou nada obter muitos votos

Candidatos reclamam por ter ficado de fora das câmaras municipais apesar de terem sido escolhidos por grande contingente de eleitores


postado em 10/10/2012 06:00 / atualizado em 10/10/2012 07:54

O contador Heráclites Gonçalves Filho, o Júnior de Sambambaia, foi o candidato mais votado para vereador em Montes Claros, no Norte de Minas, com 3.461 votos. Entretanto, os eleitores não verão seu trabalho na Câmara Municipal. Ele não será empossado porque o partido dele, o PSC, não atingiu o quociente eleitoral (7.800 votos) para eleger pelo menos um vereador na cidade, que a partir de janeiro terá oito cadeiras a mais no Legislativo Municipal, passando para 23. A história de Heráclites se repete em centenas de cidades e deixa nos candidatos bem votados, mas sem direito ao cargo, um sentimento que mistura derrota e revolta. Só em Belo Horizonte, 42 candidatos tiveram mais votos que Elvis Côrtes (PSDC), que ficou com a última vaga e foi escolhido por 3.537 eleitores. Isso se deve ao sistema proporcional, que privilegia a representação com o maior número possível de legendas (leia quadro).

Wellington Bessa (PSB), o Sapão, recebeu 6.612 votos para vereador na capital. Se valesse o voto nominal, ele seria o 29º mais votado e ficaria com uma das 41 cadeiras. “É complicado falar sobre isso. Tive muito voto, mas não consegui alcançar meu objetivo”, raciocina Sapão, que ficou com a primeira suplência do PSB. Ele é funcionário da Secretaria Municipal de Saúde e tem base eleitoral no Bairro Independência, na Região do Barreiro. Na última eleição, foi candidato pelo PRP e teve 4.023 votos. A votação expressiva motivou o convite do PSB. Como é o primeiro suplente da coligação que apoiou o prefeito reeleito Marcio Lacerda, ele espera que um dos seis vereadores eleitos do seu partido integre o primeiro escalão da prefeitura. “Vai depender do prefeito, mas estou à disposição”, avisa.

O primeiro suplente da coligação PT-PMDB é o atual vereador Reinaldo Preto do Sacolão (PMDB). Com 6.612 votos, ele precisaria de mais 17 votos para ficar com a vaga do vereador Silvinho Rezende (PT), o 28º mais votado. Treze vereadores tiveram menos votos que ele, mas conquistaram uma vaga. “Se o PMDB tivesse candidatura própria teria eleito mais dois vereadores e, provavelmente, teria levado a eleição para o segundo turno”, aposta Reinaldo. Na avaliação do vereador, o partido tomou a decisão sem levar a conta o posicionamento dos vereadores.

Mudanças


“Fiquei muito indignado. Mais chateados ainda estão as pessoas que votaram em mim e acreditaram no meu trabalho”, lamenta Júnior de Samambaia, o mais votado de Montes Claros. Ele vive a decepção pela segunda vez. Em 2008, era vereador e se candidatou à reeleição pelo PV. Foi o terceiro mais votado do município, com 3.049. No entanto, não assumiu porque ficou em segundo lugar na sua coligação, que conseguiu votos para eleger apenas um vereador. A vaga acabou sendo ocupada por Edwan do Detran, que ficou em primeiro lugar na coligação com 3.376 votos. “Tem que existir uma mudança na legislação, de tal forma que aqueles mais votados realmente sejam os eleitos”, defendeu Samambaia. Montes Claros terá vereador que recebeu 1.301 votos, como o bancário Eduardo Madureira (PT), o menos votado entre os 23 nomes que conquistaram vagas no Legislativo Municipal.

A mudança na legislação, que só poderia ser feita pelo Congresso, é defendida também em Belo Horizonte. “Eu sempre fui a favor de uma reforma política, partidária e eleitoral. O sistema eleitoral privilegia situações muita injustas, que proporcionam poderes econômicos distintos levando a uma disputa política desigual”, entende Neila Batista (PT), candidata a vereadora em Belo Horizonte, que teve 6.154 votos. Se o quociente eleitoral fosse diferente Neila teria sido eleita como a 34ª mais votada. A candidata derrotada avalia que há uma série de equívocos a serem corrigidos. “A lógica atual é o voto na pessoa e não na ideologia”, lamenta Neila. Com o rompimento do PT com Lacerda as chances de Neila “subir” para a Câmara são pequenas. “Não tenho expectativa e não desejo que ninguém da coligação suba. Não foi isso que apresentamos para a população de Belo Horizonte. Vamos fazer oposição”, garante Neila.

Politiquês/Português

Quociente eleitoral


O cálculo é feito a partir da soma de todos os votos válidos – excluindo brancos e nulos – dividido pelo número de cadeiras a serem preenchidas. No caso de Belo Horizonte, foram 1.254.659 votos válidos para vereador dividido por 41 cadeiras, o que resulta 30.601. Uma vez obtido o quociente eleitoral, passa-se à distribuição das vagas a serem preenchidas. Na primeira fase, a distribuição das vagas é feita por meio do quociente partidário, que é a divisão do número de votos válidos de uma coligação pelo quociente eleitoral. As vagas restantes (não preenchidas pelo quociente partidário), são obtidas dividindo-se o total de votos válidos de cada coligação ou partido pelo número de vagas já preenchidas mais 1. O partido que obtiver a maior média ficará com a vaga. O cálculo se repetirá para a distribuição de cada um dos lugares restantes.

 

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