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Estado de Minas

Tarcísio Caixeta vive uma situação inusitada em plenário

Nessa terça-feira ele foi representante do prefeito num partido de oposição


postado em 04/07/2012 06:00 / atualizado em 04/07/2012 08:17

Com colegas de plenário, Caixeta não teve como evitar o assunto eleição (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
Com colegas de plenário, Caixeta não teve como evitar o assunto eleição (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
O representante do prefeito Marcio Lacerda (PSB) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, Tarcísio Caixeta (PT), ficou nessa terça-feira em uma saia justa. Um dia depois de o seu partido decidir pelo rompimento com os socialistas nas eleições municipais de outubro, ele se viu diante de uma pauta cheia de propostas de interesse do Executivo. Para evitar ficar mal com os petistas e com o prefeito, Caixeta preferiu adotar uma postura neutra. Os vice-líderes de governo, vereadores Bruno Miranda (PDT) e Daniel Nepomuceno (PSB), tomaram as rédeas das articulações. O vereador do PT Adriano Ventura garantiu que o partido vai deixar a liderança do prefeito no Legislativo.

Caixeta chegou ao plenário por volta das 15h, horário em que, normalmente, as votações começam, depois de meia hora de pinga fogo. O parlamentar, desavisado, chegou atrasado nessa terça-feira . Ele não ficou sabendo que havia um acordo entre vereadores e o presidente da Câmara, Léo Burguês (PSDB), para que a votação fosse acelerada, sem pinga fogo e nem manobras regimentais com o objetivo de limpar a pauta e evitar que a discussão eleitoral prevalecesse. A reunião extraordinária começou na hora marcada, às 14h30. O parlamentar não gostou da articulação do presidente. Disse que estava em uma reunião com o prefeito.

Além de Caixeta, reclamaram da atitude de Léo Burguês os vereadores Arnaldo Godoy e Neusinha Santos, que aproveitaram os momentos de discussão dos projetos para falar sobre o rompimento do partido com o PSB e criticar o prefeito Marcio Lacerda. O microfone foi desligado pelo presidente duas vezes enquanto Neusinha falava. Já o líder de governo evitou falar sobre as eleições, tanto no plenário, quanto em entrevista. Questionado se deixaria o posto de representante do prefeito,  resumiu: “Conversarei com Reginaldo Lopes e Roberto Carvalho sobre a liderança”.

Nas conversas com os colegas, no entanto, Caixeta não teve como evitar o assunto. Assim que chegou, depois de passar pela Casa da Dinda – uma sala no plenário onde é servido lanche aos parlamentares –, de onde saiu com o vereador Cabo Júlio (PMDB), ele foi rodeado por todos os parlamentares petistas. O líder da bancada do PT, vereador Adriano Ventura, disse, em entrevista, que o partido decidiu agir na Câmara de forma ponderada. “Vamos votar os projetos que forem de interesse da cidade, mas não deixaremos de fazer críticas ao prefeito”, observou, acrescentando que Caixeta vai atuar de forma mais temperada, como vereador e não como líder.

Já Silvinho Rezende (PT), que sempre esteve ao lado de Lacerda, afirmou que Caixeta continuará trabalhando como sempre na liderança até uma decisão do partido. Neusinha Santos (PT) disse que ele pode deixar a liderança ainda hoje, quando a chapa do PT para as eleições majoritárias estará, segundo ela, acertada no partido. Os vereadores do PSB afirmaram que o prefeito não vai retirá-lo do cargo por ainda acreditar na aliança.

A prefeitura conseguiu ontem aprovar, inclusive com o apoio dos petistas, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Projeto de Lei 2244/2012 que determina que o BRT não terá agente de bordo. A proposta de maior interesse, a que prevê a construção de um Centro de Convenções, no entanto, não chegou a ser votada. O vereador Sérgio Fernando (PV) usou de todas as manobras regimentais para protelar a discussão até cair o quórum. Nova reunião extraordinária deve ser realizada no próximo sábado.


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