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Estado de Minas

Presidente do TCE renuncia para disputar a prefeitura de Barbacena

Antonio Carlos Andrada, anuncia em plenário que vai renunciar ao cargo vitalício para tentar retomar o poder em Barbacena, hoje nas mãos dos Bias Fortes


postado em 26/04/2012 06:00 / atualizado em 26/04/2012 07:09

O lado político falou mais alto. O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antonio Carlos Andrada, vai renunciar ao cargo no mês que vem para disputar a Prefeitura de Barbacena, no Campo das Vertentes, conforme antecipou o Estado de Minas na edição de 23 de março. E a missão dele vai além de tentar vencer uma eleição: o objetivo é derrotar Danuza Bias Fortes (PMDB), atual prefeita e integrante de uma família que há 90 anos disputa o poder com os Andrada, que aliás têm perdido espaço na vida pública nos últimos anos.

Antonio Andrada já foi vereador e prefeito de Barbacena entre 1989 e 1996 e ex-deputado estadual, de 1999 a 2005, quando renunciou ao mandato para assumir uma vaga de conselheiro no TCE. O cargo é vitalício e ele poderia se manter nele por mais 19 anos, com um salário de R$ 26 mil mensais. “Na política, tenho mais liberdade. No tribunal, seria conselheiro a vida inteira, cheio de limitações. No TCE eu tenho estabilidade, mas na política eu tenho possibilidades”, afirmou ontem o conselheiro.

Pesaram ainda para sua decisão, segundo ele, um abaixo-assinado com 10.600 nomes de adeptos do Volta Toninho, movimento que já ganhou as ruas de Barbacena. Um dos irmãos de Antonio Andrada, Martin Andrada (PSDB), governou a cidade entre 2005 e 2008 e perdeu a reeleição para Danuza. A avaliação na cidade é de que o tucano não tem força política para derrotá-la em outubro. Até então pré-candidato a prefeito, Martim mudou ontem seu discurso: “Já está tudo acertado e não serei mais o candidato.”

O acerto a que ele se referiu é que o irmão disputará a prefeitura e ele uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2014. Outro irmão deles, o deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB), tentaria uma vaga na Câmara dos Deputados daqui a dois anos. O parlamentar foi secretário de Defesa Social no governo Anastasia e deixou o cargo há quase dois meses, depois do aumento nos índices de criminalidade no estado.

Já o patriarca dos Andrada, o deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB), deve ficar de fora da disputa de 2014. Em baixa no cenário político, nas eleições de 2010 ele ficou como quarto suplente para a Câmara dos Deputados, e só assumiu o mandato graças à convocação de três parlamentares para o secretariado do governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB).

Em nota divulgada à imprensa, o TCE informou que a renúncia será marcada entre 15 e 20 de maio. De acordo com a legislação, o prazo para desincompatibilização de conselheiros e magistrados é de quatro meses antes do pleito que este ano será em 7 de outubro. Ocupantes de cargo no Executivo, por exemplo, têm que deixá-los este mês. Andrada tem até 7 de junho para se filiar a um partido político, que deverá ser o PSDB.

Sucessão

Na sessão plenária realizada ontem pela manhã – quando Andrada anunciou sua decisão –, os conselheiros ainda aprovaram parecer da consultoria jurídica sobre a sucessão do comando do órgão. De acordo com o documento, havendo vacância do cargo antes dos seis meses finais do mandato (que será em 8 de fevereiro de 2013), deve ser realizada nova eleição. A regra será incluída no regimento interno do TCE e o consenso é que Wanderley Avila será o novo presidente.

Até então, a expectativa era de que assumiria o cargo a vice-presidente, Adrienne Andrade. Mas se ela assumisse a vaga, seria impedida de disputar a eleição para a próxima gestão, marcada para dezembro deste ano. Pelo acordo de rodízio que existe entre os conselheiros, ela será vitoriosa na disputa.

 

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