Publicidade

Estado de Minas O FUTURO EM CONSTRUçãO

Desenvolver, além de compensar

Como em brumadinho, plano para áreas impactadas visa à construção de futuro sustentável


postado em 28/06/2020 00:05 / atualizado em 28/06/2020 10:00

Além do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, no primeiro trimestre de 2019 a Vale precisou intensificar o gerenciamento do risco de outras barragens localizadas na região central de Minas Gerais e na Grande Belo Horizonte.
 
Algumas estruturas tiveram seu nível de alerta elevado  para 3, o que significa risco eminente de ruptura, e segundo os protocolos definidos nos Planos de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBMs), exige, entre outras medidas preventivas, a evacuação da população e o resgate de animais presentes na zona de autossalvamento (ZAS).
 
Foi necessário acionar o nível de alerta 3 das barragens B3/B4, no distrito de São Sebastião das Águas Claras (conhecido como Macacos), em Nova Lima, na região metropolitana da capital; da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, na porção central de Minas; e das barragens Forquilhas I e III, no Complexo de Fábrica, em Ouro Preto.
 
Além de implicar na remoção de centenas de famílias de suas residências e alocação em moradias temporárias, hotéis ou casas de parentes, conforme desejo dos atingidos, a nova situação configurada naquelas regiões impôs um enorme desafio: compensar as comunidades em relação aos danos decorrentes das evacuações nos entornos das barragens.
 
A dragagem do Rio São João, em Barão de Cocais, faz parte de pacote de obras de desassoreamento orçadas em R$ 7,5 milhões, recurso já repassado à prefeitura.(foto: Vale/divulgação )
A dragagem do Rio São João, em Barão de Cocais, faz parte de pacote de obras de desassoreamento orçadas em R$ 7,5 milhões, recurso já repassado à prefeitura. (foto: Vale/divulgação )
 
O objetivo não é somente compensar, mas também construir, de forma coletiva, soluções de desenvolvimento, com plano de compensação criado a partir de consulta pública. Nos três locais, os trabalhos do Plano de Desenvolvimento de Territórios Impactados (PDTI), com aporte de recursos de cerca de R$ 190 milhões, estão estruturados sobre quatro pilares que definem carências e impactos a compensar: educação, esporte e cultura; saúde, assistência social, infraestrutura, urbanismo e meio ambiente; desenvolvimento econômico; e turismo.
 
‘‘Toda as soluções foram definidas em conjunto, envolvendo a Vale, o poder público e os maiores interessados, as pessoas”, afirma o gerente-executivo de Reparação e Desenvolvimento de Territórios Impactados da Vale, Luiz Henrique Medeiros.
 
Nessa outra realidade, a reparação é sinônimo de desenvolvimento, pensado a partir da vocação de cada território e do diálogo permanente com as comunidades, a exemplo do que foi feito em Barão de Cocais, onde o plano de compensação está sendo construído com base na consulta pública. Ele se tornou um guarda-chuva estratégico, no qual ações poderão ser trabalhadas de forma sistêmica, com expectativa de construção de um círculo virtuoso de desenvolvimento. 
 
A consulta foi concluída e as propostas estão sendo analisadas por um comitê de monitoramento participativo, formado por representantes da sociedade civil, do poder público e da Vale a partir de critérios técnicos. Barão de Cocais foi mapeada em nove macrorregiões, agrupadas por proximidade e por características comuns.
 
“A consulta pública foi importante para direcionar o gasto do dinheiro, verificar com a comunidade quais ações ela quer que sejam feitas. Vamos considerar essas opiniões para colocar esse plano em ação”, afirma a gerente de Engajamento Social da Diretoria de Reparação da Vale, Maria Alice Moura.
 
O plano está em andamento, com ações como o termo de pactuação para a saúde, firmado com a prefeitura, apoio a diversas modalidades esportivas e reforma e estruturação de quadra esportiva.
 
Para a dragagem do Córrego São Miguel, o Corta Goela e o Rio São João, R$ 7,5 milhões foram repassados ao Executivo municipal. Além do desassoreamento dos três cursos d’água, o termo inclui a contenção de encostas instáveis, reposição de mata ciliar e revisão do sistema de esgotamento sanitário da cidade.
 
Atualmente, estão sendo compiladas as informações de mais de 3,7 mil ações propostas na consulta pública. Esse processo permitiu maior abertura e transparência nas ações que a Vale fez e fará como compensação pela situação de emergência e também para o desenvolvimento da região’’, destaca o gerente de Reparação e Desenvolvimento para Barão de Cocais, Lucas Soares Silva. 

Propostas


Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Barão de Cocais (Aciabac), Hélio Magno Moreira, a consulta pública foi uma oportunidade válida para a população se posicionar. “Acredito que a maior demanda é por melhorias nos serviços de educação e saúde, uma vez que são serviços essenciais para a população brasileira”, diz. A associação também participa do pacto com a empresa, tendo apresentado três propostas.
 
Um dos projetos é a criação de uma escola de ofícios e artesanato, centro de apoio para abertura de novos negócios e centro de aperfeiçoamento do pequeno e médio empresário. A intenção é diminuir a dependência da cidade com relação às grandes empresas, criando novas oportunidades e áreas a serem exploradas.
 
A revitalização da Praça da Matriz valoriza o maior símbolo de Barão de Cocais, o Santuário de São João Batista e suas obras de Aleijadinho. Um plano de desenvolvimento do turismo também foi proposto, com a catalogação de todos os pontos turísticos da cidade.

A revitalização de Macacos 


Ecoturismo, gastronomia e regionalismo próprio são alguns dos elementos que conferem charme especial a Macacos, distrito de Nova Lima, na Grande BH, e que serviram de base para o plano local de compensação. “O maior desafio foi legitimar questões, porque os pleitos individuais também devem ser atendidos’’, diz o gerente de Reparação de Território e Desenvolvimento de Macacos, Romário Galter.
 
Restabelecer a condição de convívio em Macacos – liberar estradas, permitir a entrada e saída de pessoas do distrito e promover processo de escuta qualificada – foi uma das principais ações. Com diálogo nas comunidades, a empresa entendeu a necessidade de uma nova escola, da reforma da capela de São Sebastião das Águas Claras, e de promover o retorno dos trilheiros.
 
Dentro do programa negociado de revitalização, foi feita, por exemplo uma campanha de marketing (www.vemprano- valima.com.br e #vempramacacos). Além disso, o Centro de Macacos será revitalizado e ganhará espaço de convivência para o turista; esplanada multiuso para fomentar a produção de alimentos, receber a tradicional feirinha de Macacos e promoção de shows.
 
Durante o pacto com a comunidade de Macacos, a Vale incluiu no projeto de compensações a reforma da capela de São Sebastião das Águas Claras.(foto: Vale/divulgação )
Durante o pacto com a comunidade de Macacos, a Vale incluiu no projeto de compensações a reforma da capela de São Sebastião das Águas Claras. (foto: Vale/divulgação )
 
“A ideia é articular todas essas oportunidades. A Vale não realiza nada, ela instrumentaliza”, ressalta Galter. Também estão planejadas intervenção no trânsito para potencializar a chegada de visitantes e a circulação no interior, num roteiro de quase 1 quilômetro exclusivo para pedestres, que compreende bares e lojas de artesanato.
 
As trilhas entram na rota da revitalização com serviços de sinalização e georreferenciamento iniciados na Trilha das Perdidas. Algumas pontes do distrito serão renovadas. A região do Bairro Capela Velha terá restauradas quadra, praça e ruas.
 
O novo prédio da Escola Municipal Rubem Costa Lima, a única do distrito, será entregue em agosto, com capacidade para acolher alunos da creche até o ensino fundamental 2 – atualmente, ela contempla até o primeiro ciclo. A proposta é que o colégio atenda em tempo integral, com aulas de música, balé, artes marciais, artesanato, pintura e informática.

Sustentabilidade


Construção sustentável, com energia solar e reaproveitamento de água da chuva, o prédio está estruturado de forma que todo o lixo orgânico se transforme em adubo para a horta da escola, que vai fornecer alimentos aos alunos. “As pessoas só pensam na escola. É uma mudança total na vida de quem mora em Macacos. Eles vão ser parte integrante de todo um projeto educativo, confeccionado a várias mãos – comunidade escolar, prefeitura e Vale. A criança entenderá que vai à escola para estudar, aprender e desenvolver outras habilidades. A comunidade merece", ressalta a diretora da escola, Vânia Baia. 
 
Vale/divulgação
https://i.em.com.br/xOFQUVwvNR6_XxXu3pqns5q64bE=/683x400/smart/imgsapp.em.com.br/app/noticia_127983242361/2020/06/28/1160307/20200626174612587940a.jpg?erro=No module named pil.PIL
Nova escola do distrito de Nova Lima em obras e a perspectiva depois de pronta: projeto de construção sustentável, e que vai oferecer variados cursos, de música a artesanato. CRÉDITO (Credito: Vale/divulgação Vale/divulgação )

Compensações contemplam Itabirito


Num ano em que Minas Gerais ficou debaixo d’água por causa de fortes chuvas, Itabirito, na Região Central do estado, comemora não ter sofrido com as enchentes.

O feito é atribuído ao desassoreamento do Rio Itabirito, parte das ações do plano de compensação cumprido pela Vale, e que inclui ainda a construção de quadras em cinco escolas, das quais duas delas nos distritos de São Gonçalo do Bação e Engenheiro Correia (pertencente a Ouro Preto) e o restante na sede.
 
Foram também providenciadas entrega de ambulâncias, doações à Defesa Civil de Itabirito e de Rio Acima, além da reforma em curso de um colégio no distrito do Marzagão, e revitalização do centro de educação ambiental da cidade. 
 
O prédio que abriga a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) também receberá obras e uma unidade básica de saúde será construída no distrito de Bonsucesso, distante 15 quilômetros da sede.
 
As barragens de Forquilhas ficam em Ouro Preto, mas as manchas de inundação chegam à zona rural de Itabirito. Cinco famílias foram evacuadas e uma compensação a Itabirito entrou no radar da Vale por causa da repercussão na cidade, que não teve impacto direto, mas vários efeitos indiretos, como explica o gerente de Territórios para Itabirito, Nildo Frasão.
 
Reforma de quadra no distrito de Engenheiro Correia faz parte das ações.(foto: Vale/divulgação )
Reforma de quadra no distrito de Engenheiro Correia faz parte das ações. (foto: Vale/divulgação )

A zona urbana está distante mais de 10 quilômetros da barragem. Estão empregadas 142 pessoas nos postos de emergência e 15 no escritório – todo o pessoal da Vale vive na cidade, incluindo os supervisores. O plano de compensação tem 35 projetos, dos quais 16 estão aprovados e o restante em processo de análise. 
 
“Acredito que, de fato, a empresa pode contribuir para a melhoria da comunidade, em conjunto com ela. “A parceria entre poder público, comu- nidades e empresa é o caminho pa- ra se resolver os problemas, relata Frasão”.
 
O prefeito de Itabirito, Orlando Amorim Caldeira (Cidadania), comemora o aporte de R$ 7 milhões, já garantidos, destacando que as obras são necessidades antigas na cidade. “Fomos o único município perto de Belo Horizonte que teve apenas problemas pontuais com as chuvas. A reforma das ambulâncias e o novo equipamento que ganhamos também foram muito importantes, pois não temos unidade de terapia intensiva (UTI) no município e precisamos recorrer a Ouro Preto e BH”, conta. 

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade