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Estado de Minas O FUTURO EM CONSTRUçãO

Consultoria para empreender

Projeto de incubação e aceleração de negócios valoriza cultura e matéria-prima locais


postado em 28/06/2020 00:06 / atualizado em 28/06/2020 10:04

Através de um processo de consultoria minucioso busca-se desenvolver as principais potencialidades dos negócios, sejam eles formais ou não. Em outras palavras, fazer do pequeno empreendimento uma grande oportunidade, apto a conversar em perfeita harmonia com o setor do turismo e da agricultura. E tudo isso graças à incubação de negócios, com vistas a fazer de Brumadinho e região terreno fértil para a geração de emprego e renda, sem jamais perder suas características originais.
 
Mesmo durante a pandemia do coronavírus, restaurante Tempero da Chef se mantém ativo, com venda de 100 marmitex por dia.(foto: Vale/divulgação)
Mesmo durante a pandemia do coronavírus, restaurante Tempero da Chef se mantém ativo, com venda de 100 marmitex por dia. (foto: Vale/divulgação)

A iniciativa é parte do projeto de requalificação de territórios, que busca as melhores tecnologias adequadas à preservação do meio ambiente, valorização da cultura e o uso de matérias-primas locais. A ideia é que essa ação fortaleça a identidade da população e seja a base da perenidade desse processo, que envolve ainda requalificação urbanística e saneamento básico.
 
O projeto tem a parceria do Instituto Kairós, que atua na fase de incubação e aceleração de negócios que têm potencial de se desenvolver e crescer. Um dos primeiros negócios nesse formato é o restaurante Tempero da Chef e a mercearia Cravo e Canela, da comerciante Ana Paula dos Santos Assis, de 33 anos, nascida e criada em Córrego do Feijão.
 
Ela abriu o restaurante, um sonho de criança, com a ajuda do amigo Thiago Badaró, que montou para ela um plano de negócios. Depois, com o Kairós, que percebeu nela potencial para empreendedora local, recebeu a pré-incubação, com diagnóstico, estudo de mercado, melhora da capacidade de compras, criação de marca e refinamento do plano de negócios.

A mercearia, que funciona no mesmo espaço do restaurante, ganhou força com a pandemia do coronavírus, já que os moradores não mais precisam se deslocar para Brumadinho para fazer as compras. “Montei a mercearia para não deixar o lugar onde moro se perder. A que tínhamos aqui acabou depois do rompimento da barragem e eu precisava fazer algo para o pessoal não desanimar”, conta.
 
O restaurante também vai de vento em popa, embora limitado à venda de marmitex no período atual – 100 por dia. “Trabalho de domingo a domingo. Tenho equipe formada e contratei cinco mulheres, uma forma de ajudar meu povo, pois não vou permitir que o lugar onde nasci e cresci desapareça.”
 
A analista Rosane Biasotto, especialista da área de Fomento da Vale, destaca que os negócios apoiados têm suas raízes na comunidade e contam com a disposição das pessoas para empreender. “São práticas e atividades que se desenvolvem a partir do conhecimento da comunidade e do aprimoramento da gestão, contribuindo para uma maior rentabilidade dos negócios e possibilidades de aumento da renda das famílias”, afirma.
 
Peças em crochê do Grupo Confio transformou a vida de moradoras depois do rompimento da barragem.(foto: Vale/divulgação)
Peças em crochê do Grupo Confio transformou a vida de moradoras depois do rompimento da barragem. (foto: Vale/divulgação)

Mais empreendimentos


Também estão sendo selecionados para incubação grupos locais que possam desenvolver atividades no espaço para cozinha-escola e vendas (padaria, pizzaria, confeitaria) a ser instalado no mercado comunitário previsto para o Córrego. 
 
Outros empreendimentos já instalados no território também serão incubados, principalmente aqueles ligados à agricultura familiar e de subsistência. “Um dos objetivos de uma reparação justa é gerar desenvolvimento, permitindo que as pessoas e empresas se reestruturem economicamente. Para isso, foram propostas ações que fomentem a sustentabilidade dessas regiões, gerando emprego e renda para sua população. Fomentar negócios em Brumadinho é uma das melhores formas de permitir um genuíno incremento para a região deixando legados positivos nestas comunidades”, explica Flávia Soares.
 
Excedente da colheita dos Quintais Produtivos é vendido na feira semanal na comunidade do Córrego do Feijão.(foto: Vale/divulgação)
Excedente da colheita dos Quintais Produtivos é vendido na feira semanal na comunidade do Córrego do Feijão. (foto: Vale/divulgação)
 
As mulheres são também protagonistas e têm perspectiva de crescimento de atividades no Grupo Confio. Elas começaram a trabalhar com crochê depois do rompimento e a produção, que era apenas uma maneira de ocupar o tempo, de conversar, estarem juntas, se tornou janela de negócio.
 
Foi criada a marca e rede social. Hoje elas têm interesse em melhorar a produção para vender os crochês no mercado comunitário e fora dele. E ainda terão espaço apropriado para produzir dentro do futuro Centro de Cultura e Artesanato, cujas obras devem começar ainda este ano.

Ideias que valem R$ 1 milhão


Melhorar a qualidade de vida das comunidades passa, essencialmente, por fortalecê-las. Em Brumadinho, as organizações sociais, principalmente das áreas diretamente atingidas pelo rompimento da barragem, passam por processo de qualificação, por meio do programa Valorizar cuja intenção é também reconhecer projetos e iniciativas desenvolvidas por elas.
 
Este ano, estão previstas oficinas e capacitações em elaboração de projetos, captação de recursos, além de outros temas importantes para o terceiro setor. A Vale vai destinar recursos de R$ 1 milhão para o programa, no ciclo 2020-2021. 
 
O Valorizar existe desde 2013 e ao longo dos anos mudou seu formato para incentivar as instituições a caminharem de forma autônoma. Em Brumadinho, ele foi implementado em 2018 e volta este ano, com readequações.
 
Na primeira fase, as organizações que se inscreveram vão aprender, relembrar processos e ganhar novas tecnologias para tratar e executar os temas ligados ao terceiro setor. Na segunda etapa, prevista ainda este ano, será lançado edital para selecionar projetos que receberão investimento social da empresa nas de geração de trabalho e renda, cultura e turismo, saúde da comunidade, entre outras.
 
“À medida que se consegue fortalecer a organização social naquele território, em paralelo vem uma série de contribuições que tem impacto nas políticas públicas. As organizações precisam ser fortalecidas e entender seus direitos. E o Valorizar vem nesse sentido de contribuir com o incremento do capital humano e social”, afirma a analista da Gerência de Fomento Econômico, Fernanda Victório.
 
Ela reforça o papel das organizações, enquanto representantes de determinada comunidade ou grupo. “Espero comunidades mais fortalecidas, mais engajadas, sabedoras de seus direitos enquanto cidadãos. Há muitos processos e políticas públicas voltados para a população, inclusive de geração de renda e melhora da qualidade de vida, que as pessoas não têm conhecimento. A inserção, principalmente para Brumadinho, significa resgate cultural e senso de pertencimento ao território. É importante organizações e cidadãos saberem a força que têm.”
 
A Associação dos Catadores do Vale do Paraopeba (Ascavap) se inscreveu para as capacitações e está à espera da abertura de editais para captação de recursos financeiros, a exemplo de 2018, quando também participou. Além de melhorias nas condições dos trabalhadores, um dos pontos são as mobilizações de conscientização da população de Brumadinho sobre a importância da coleta seletiva.
 
“As mobilizações devem ser contínuas e ajudam mais ainda nos trabalhos internos, facilitando a vida dos catadores no seu horário de produção”, afirma Priscila Aparecida, segunda-secretária da Ascavap.
 
Segundo ela, parcerias são importantes para o andamento e visibilidade da associação, além de possibilitar a ampliação dos lugares de coleta. “Os trabalhos feitos na Ascavap são de importância social e ambiental, pois retiram do meio ambiente matérias que poluem os ecossistemas e que podem ser recicláveis ou reutilizáveis”, diz. 
 
Se numa ponta a associação ajuda a limpar a cidade, na outra, garante também aos catadores emprego e geração de renda. “As pessoas passam a conhecer mais sobre os recicláveis, ajudando, assim, a melhorar a coleta seletiva em nossa cidade.”
 
Projetos apoiados pela Vale, como o Batucabrum, geram oportunidade de aprendizado a jovens e crianças(foto: Vale/divulgação.)
Projetos apoiados pela Vale, como o Batucabrum, geram oportunidade de aprendizado a jovens e crianças (foto: Vale/divulgação.)

Batucabrum 


Outro projeto envolvendo a comunidade é o Batucabrum. Antes voltado apenas para crianças de Córrego do Feijão, foi estendido a adultos, que participam de aulas de canto, coral e violão. As atividades ocorrem no contraturno escolar e ajudam crianças e jovens a lidar com as perdas do rompimento e a transformar a realidade vivida. Além disso, oferece reforço escolar e suporte para uma alimentação saudável. O projeto tem hoje a participação de cerca 120 alunos e 17 professores.

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