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Estado de Minas editorial

Mais inflação e mais arrocho

Diesel e energia elétrica movimentam o campo e a indústria e impactam diretamente nos custos desses setores


22/06/2022 04:00




Todo o barulho em torno da tentativa de demonização da Petrobras feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados no Legislativo e no Judiciário não resultou, até o momento, em nenhum efeito prático para os consumidores. Pelo contrário, com o reajuste anunciado na sexta-feira, de 5,18% para a gasolina e de 14,26% para o diesel, o que se vê é o valor da gasolina chegando perto de R$ 9 nas capitais, e em algumas cidades o preço do diesel superando o valor do que abastece os veículos leves. Além disso, os preços da gasolina estão sendo reajustados acima dos R$ 0,20 de acréscimo nas refinarias, apesar de o combustível vendido nos postos ter de 25% a 27% de etanol, ou seja, após a mistura, o reajuste da gasolina no total equivale a R$ 0,15 conforme o aumento da Petrobras. Impostos, ainda sem alteração, e margem de lucro pesam na correção de valor nas bombas de abastecimento.

Com o aumento do diesel, caminhoneiros já voltam a falar em paralisação e estimativas indicam reajuste de 5% no valor dos fretes. É mais inflação no horizonte no momento em que o IPCA deu sinal de desaceleração em maio. E não são apenas os combustíveis. Consumidores de Minas Gerais e do Paraná vão pagar mais caro pela energia elétrica. Nas residências mineiras, a conta de luz fica 5,52% mas cara a partir de hoje – para as indústrias, a alta é de 14,31% –, enquanto os consumidores paranaenses terão alta de 1,58% para residências, de 4,90% para comércios e de 9,32% para as indústrias.

Os aumentos, muito inferiores aos anunciados até agora, foram beneficiados pelo aporte de R$ 5 bilhões da Eletrobras na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e pelos créditos de PIS/Confins devolvidos aos consumidores. Índices menores do que os autorizados em abril para consumidores do Ceará (24,8%), da Bahia (20,54%), do Rio Grande do Norte (20,36%) e de Pernambuco (19,98%), para citar apenas alguns, não deixam de representar mais inflação.

Diesel e energia elétrica movimentam o campo e a indústria e impactam diretamente nos custos desses setores. E o diesel, que já acumula alta de 47% este ano, fica mais caro exatamente no momento em que a demanda aumenta por causa da colheita de parcela significativa da safra de grãos brasileira. É aumento de custos na produção no campo que vai significar mais inflação na mesa do brasileiro, que por sua vez precisará de mais tempo para se livrar dos reajustes frequentes.

Tentativas de controle de preços, de suspensão de aumentos, de corte de impostos não devem ter efeito de longo prazo pelo que reconhece o Banco Central na ata da última reunião do Comitê de Política Monetário (Copom), divulgada ontem. “A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, se mostrando mais persistente que o antecipado”, diz a autoridade monetária para justificar a elevação da taxa básica de juros para 13,25% ao ano na semana passada, antes dos aumentos do diesel e da energia elétrica.

Prevendo que não atingirá o centro da meta de 3,25% para o próximo ano, o Banco Central revela que o ciclo de alta das taxas de juros será estendido e a Selic permanecerá elevada por mais tempo. “A estratégia de convergência para o redor da meta exige uma taxa de juros mais contracionista do que o utilizado no cenário de referência por todo o horizonte relevante”, descreve a ata do Copom. Embora reconheça que as medidas tributárias aprovadas e em discussão no Congresso possam ter impacto na inflação deste ano, o BC vê elevação nos preços “no horizonte relevante de política monetária”.

Bolsonaro e o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PL-AL), gastam tempo com ataques que afetam as ações da empresa e geram desconfiança nos investidores sem indicar claramente o que pretendem, uma vez que demonizar lucros e eleger a petrolífera como inimiga da nação não contribuem em nada para reduzir os preços do petróleo e do diesel no mercado internacional. Governo e Congresso podem mudar a política de preços da Petrobras, podem criar um fundo para compensar a diferença entre preços internacionais e os praticados no mercado interno, podem efetivamente adotar medidas e não apenas disparar contra preços e lucros. Por ora, para os brasileiros só há mais inflação e mais arrocho.


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