Publicidade

Estado de Minas artigp

A árvore da boa-fé

Erradicar a fome, combater doenças, proteger o meio ambiente, proporcionar acesso à educação são frutos bons


13/07/2021 04:00





Wagner Dias Ferreira
Advogado criminalista

A frase de Jesus “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21) continua exigindo de cada pessoa uma reflexão sobre como se posicionar perante os clamores do mundo.

O próprio Cristo foi perseguido e crucificado. Seus discípulos foram perseguidos e martirizados, passando a exercer sua fé de forma clandestina. Na clandestinidade, a confiança entre os cristãos era fundamental. A quebra nos sigilos dos locais de reunião era a morte. A fé cristã exigia uma autenticidade muito aguda, já que a proclamação dessa fé se afiançava com a própria vida.

Na época de Constantino, o cristianismo foi aceito. E a fé não carecia mais de sigilo. Aliás, a afeição do imperador pelo culto elevou seus participantes a uma condição de prestígio. Modificando completamente as relações entre os cristãos. Agora, não mais se precisaria afiançar a fé com a própria vida. E a aparência era a melhor amiga.

A legislação processual civil brasileira considera litigante de má-fé aquele que deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso, alterar a verdade dos fatos, usar o processo para conseguir objetivo ilegal, opuser resistência injustificada ao andamento do processo, proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo, provocar incidente manifestamente infundado, interpuser recurso manifestamente protelatório (artigo 80 do CPC).

Assim, o que se espera de uma pessoa de boa-fé é que ela faça coisas de acordo com a lei e a verdade, mantendo sempre à frente objetivos em conformidade com a lei, buscando cooperar da melhor maneira possível com a solução das controvérsias.

Mais do que nunca, está necessário atribuir consequências fortes às pessoas que não se comportam com boa- fé. E não somente nos processos judiciais, mas na vida.

Falar alguma coisa e quando é cobrado pelo que falou refazer o discurso para produzir o efeito que muitos reportam como “deixar o dito pelo não dito”. Procedimento muito comum entre políticos contemporâneos. Principalmente, políticos que acreditam gozar de certa credibilidade por se autodeclararem cristãos. E com isso acreditam que suas afirmações e compromissos não precisam ser aferidos. Os cristãos, aos quais se poderia atribuir esse tipo de credibilidade de fé, são os primeiros cristãos, que morriam por isso.

Melhor é usar o critério de Jesus, “pelos seus frutos os conhecereis, sabendo de antemão que o fruto tem a mesma natureza da árvore” (Mt 7, 16-17). E nesse sentido, os objetivos do milênio podem oferecer um excelente critério de análise.

Se o político gerou atrasos ou dificuldades para o combate à fome e à miséria, se não combateu doenças ou retardou o uso de meios eficazes para combatê-las, se não investiu adequadamente na educação e na ciência e se não protegeu o meio ambiente. Esse é um político de morte.

Se o político trabalhou para atender aos objetivos do milênio estabelecidos por toda a humanidade, erradicar a fome, combater doenças, proteger o meio ambiente, proporcionar acesso à educação, podemos dizer que seus frutos são bons. Esse se parece mais com Estevão.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade