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Estado de Minas editorial

Vidas e capital humano perdidos

Quanto as vítimas da COVID poderiam produzir e gerar de rendimento com base nas expectativas de vida estimadas no Brasil?


19/05/2021 04:00

Há múltiplos significados na busca de esclarecimentos de erros e omissões no combate à pandemia da COVID-19 que levaram à tragédia de 436.537 brasileiros mortos até a última segunda-feira pela doença respiratória. Além do respeito a quem teve interrompido o direito à vida, a seus familiares e amigos, a recuperação da economia não faz sentido sem o valor da vida, entendida como motor do consumo, fonte de conhecimento, produção, emprego e renda. Identificar e corrigir rumos poupam vidas e braços para o crescimento de que o país tanto necessita.
 
Os economistas Claudio Considera e Juliana Trece, integrantes do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, se lançaram a esse desafio, de medir o valor econômico das perdas para o novo coronavírus no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo durante mais de um ano de pandemia. As referências principais do estudo foram indicadores de rendimento e da educação, partindo do pressuposto de que as pessoas com até 69 anos mortas pela COVID-19 ainda poderiam dar sua contribuição à sociedade produzindo e gerando renda. As informações sobre a pandemia se referem ao período entre a segunda quinzena de março de 2020 e meados deste mês.
 
Além da falta que as vítimas vão fazer do ponto de vista humano, de convivência com seus familiares e amigos, elas representam o que os economistas chamam de capital humano: tinham conhecimento, habilidades adquiridas em seu amadurecimento e no exercício profissional que ainda transmitiriam por longo tempo, fazendo a engrenagem da economia girar e produzir avanços e renda.
 
Considerando-se o rendimento médio por hora do trabalho no Brasil, a primeira conclusão foi que a soma dos vencimentos mensais totais de 216,6 mil brasileiros com idade entre 20 e 69 anos vitimados pela COVID-19 era de R$ 492 milhões, quer dizer R$ 5,9 bilhões por ano. O número de óbitos que embasou o estudo foi de 430 mil.
 
Outras 211 mil pessoas mortas tinham idade acima de 70 anos, e, nesse caso, foi estabelecido o rendimento médio mensal real de aposentadoria e pensão estimado pela Pnad Contínua do IBGE de 2019. Para esse grupo, os economistas da FGV chegaram ao cálculo do rendimento mensal total de R$ 413,8 milhões, o que significaria R$ 5 bilhões ao ano. Outro cruzamento de dados complementar no estudo indica que, ao se avaliar o rendimento mensal dos idosos a partir dos 70 anos somado aos vencimentos mensais provenientes do trabalho daquelas pessoas de até 69 anos, estratificados por nível de instrução e sexo, o valor final seria de R$ 10,4 bilhões por ano.
 
Centenas de municípios brasileiros têm produção de bens e serviços, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), inferior à quantia estimada pelos economistas do Ibre/FGV. Por fim, uma pergunta justa e que não poderia deixar de ser feita em respeito aos mortos por COVID-19 é quanto essas vítimas poderiam produzir e gerar de rendimento com base nas expectativas de vida estimadas no Brasil.
 
A resposta seria, segundo Claudio Considera e Juliana Trece, um rendimento total de R$ 182,6 bilhões até a morte de pouco mais de metade dos brasileiros que não resistiram à COVID-19, grupo de 217 mil pessoas com idade entre 20 e 69 anos. Pode ser que diante do elevado desemprego no Brasil, grave problema para o país antes mesmo da crise sanitária, parcela das pessoas mortas desde março do ano passado não estivesse mais trabalhando durante esse período.
 
No entanto, algumas das mortes resultaram e resultarão em pagamentos de pensão. De um lado, isso significa pressão maior sobre a conta da Previdência Social; mas, de outro, dinheiro em circulação capaz de compensar parte das perdas. São considerações prementes e que não têm mobilizado os governos e os parlamentares. O país teria tantas vidas perdidas se tivesse havido campanhas de esclarecimento sobre a gravidade da doença respiratória, alertas efetivos para a importância da prevenção, além de decisão e agilidade na contratação de vacinas no momento certo? Não haverá recuperação efetiva da economia sem o controle da pandemia.


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