Marco Melo
Ginecologista, especialista em reprodução assistida e diretor da Clínica Vilara
A relação do sol com a vitamina D e a fertilidade movimenta o cenário científico na medicina. O astro é fonte de diversos benefícios para a saúde e bem-estar, já que a exposição aos raios ultravioleta do tipo B proporciona a síntese da vitamina D no organismo, equilibrando o mineral e estimulando o funcionamento regular de mais de 250 genes. A deficiência da vitamina provoca sérias consequências, como dores nos ossos e depressão, passando pela imunidade baixa, cansaço excessivo e, inclusive, infertilidade. O estudo relacionando o sol e a fertilidade está sendo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos com grande interesse público, uma vez que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta cerca de 8 milhões de brasileiros como inférteis.
A causa da infertilidade pode ser genética ou consequência de distúrbios hormonais e doenças, como endometriose e a síndrome dos ovários policísticos. Os tratamentos podem ser eficazes em alguns casos e, em situações mais sérias, a maternidade assistida se torna uma das opções. A pesquisa de identificação de novas maneiras para aumentar a fertilidade é considerada urgente.
A possibilidade de a vitamina D prevenir a infertilidade é cogitada, pois exames com taxas menores da vitamina ocorrem em mulheres com endometriose e ovários policísticos, doenças que dificultam a gravidez. As hipóteses estão sendo avaliadas e a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) apresenta alguns estudos que não revelaram melhorias significativas, mas as pesquisas seguem.
A melhoria foi observada entre quem está em tratamento ou passando por reprodução assistida. A explicação pode estar no fato de a vitamina D reduzir o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, baixo peso ao nascimento, prematuridade e hemorragia pós-parto grave. Contudo, a SBRA informa que não há nada comprovado e que a melhoria ainda é uma hipótese.
A limitação do estudo está na necessidade de um ensaio clínico para comprovar o efeito benéfico da vitamina D, embora algo tenha sido identificado. O processo requer cautela com os resultados para não gerar forte impacto entre as pessoas interessadas no sucesso da gravidez e que, com a notícia, passem a ingerir, de forma excessiva, suplementos de vitamina D, sem ter certeza dos efeitos e com risco de overdose.
A recomendação para quem quer aumentar os níveis de vitamina D é consultar um médico especialista para orientações adequadas, conforme cada caso. O Instituto Linus Pauling, de pesquisa de micronutrientes para a saúde, da Universidade do Estado de Oregon, indica a aquisição natural da vitamina com a exposição solar diária, por 5 a 10 minutos, durante o período de menor intensidade. Os nutricionistas indicam uma alimentação rica em ovos, queijos, salmão e cogumelos.
As pessoas interessadas devem acompanhar a atualização dos estudos sobre a fertilidade e a vitamina D. É importante consultar médicos para acompanhamento e considerar que os tratamentos são soluções e ações eficientes para realização do sonho de aumentar a família.
