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Aos engenheiros que continuam Uber

Pelo quarto mês consecutivo, temos um saldo positivo na contratação de engenheiros, e as empresas irão precisar de engenheiros com alta produtividade


postado em 21/01/2020 04:00

Ronaldo Gusmão
Presidente do Ietec e da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME)

Quase todos já tivemos a experiência de usar um aplicativo para nos locomover, e muitos já pegaram um Uber que tinha como motorista um engenheiro. Isso aconteceu comigo pela primeira vez em dezembro de 2016, durante uma viagem ao Rio de Janeiro. Tive a oportunidade de utilizar por algumas vezes esse aplicativo e me deparei com inúmeros engenheiros que trabalhavam como motorista para sobreviver. Fiquei indignado de como o país estava perdendo mão de obra qualificada e com tantas carências em infraestrutura etc. Eu tinha que fazer algo!

Mas o que mudou de 2016 pra hoje? De 2015 a 2016, o Brasil já havia perdido mais de 35 mil postos de trabalho para engenheiros, e de janeiro de 2017 a outubro de 2019, mais 11 mil, totalizando 46.906 postos de trabalho perdidos para os engenheiros. A situação se agravou ainda mais.  Nesse mesmo período formaram-se mais de 400 mil engenheiros no Brasil, que chegaram ao mercado de trabalho e não encontraram trabalho na engenharia.

As crises política e ética descobertas pela Operação Lava-Jato, e a crise econômica sem precedentes que vivemos nos últimos anos atingiram em cheio as empresas de engenharia, afetando, assim, toda uma importante cadeia produtiva do país.

No mercado de trabalho, hoje em dia, também acontece uma situação disruptiva, causada pelo avanço tecnológico, que torna obsoletas várias funções por meio da automação e, simultaneamente, possibilita o surgimento de novas funções. Essa situação afeta profundamente as relações entre trabalho (serviço) e capital (aplicativo) dos profissionais liberais, como os engenheiros. O que era ou deveria ser um bico, a uberização, virou uma opção de sobrevivência para dezenas de milhares de engenheiros, criando assim uma dependência econômica sem as devidas contrapartidas sociais.

Fazer uma transição de dependência econômica para renda complementar será o maior desafio de todos os que se encontram nessa situação. Somente com uma tomada de consciência e uma força de vontade extraordinária as pessoas deixariam uma renda garantida para voltar ao seu verdadeiro mercado de trabalho, se requalificar, fazer uma atualização tecnológica, adquirir novos conhecimentos e desenvolver as novas habilidades que o novo mercado de trabalho demanda. E você está preparado ou está se preparando para essa mudança? Você tem se responsabilizado pela sua autogestão de carreira?

Os sinais da retomada econômica começaram a aparecer no final de 2019. Depois de 52 meses seguidos com perdas de empregos na engenharia, começamos a enxergar uma luz, ainda no início do túnel. Pelo quarto mês consecutivo, temos um saldo positivo na contratação de engenheiros, e as empresas irão precisar de engenheiros com alta produtividade.

Voltando ao início, eu tinha que fazer algo! Reunimos algumas dezenas de colegas engenheiros e arquitetos também indignados com a situação da engenharia e do desenvolvimento em nosso país, renovamos a mais representativa entidade da engenharia em Minas Gerais, a Sociedade Mineira de Engenheiros. Renovação nas práticas associativistas, na cooperação e na conexão entre quatro gerações de engenheiros. Vitalizamos a entidade com a promoção de dezenas de debates, seminários e encontros realizados na associação e outros locais.

Esse foi o propósito que nos moveu, que também poderá mover milhares de engenheiros para a construção de uma engenharia forte e, principalmente, engenheiros trabalhando como engenheiros para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira.


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