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Estado de Minas POLÊMICA

Ao criticar vacina obrigatória, defensor público cita Djokovic e Hitler

"Jesse Owens foi aquele negro, ganhou quatro medalhas olímpicas nas Olimpíadas de 1936 em Berlim, tudo sendo assistido por Hitler", disse Jovino Bento Júnior


18/01/2022 17:41 - atualizado 18/01/2022 18:14

O defensor público, Jovino Bento Júnior, durante reunião para decidir sobre a obrigatoriedade de vacinação nas dependências da Defensoria Pública da União
O defensor público, Jovino Bento Júnior, durante reunião para decidir sobre a obrigatoriedade de vacinação nas dependências da Defensoria Pública da União (foto: Reprodução)

O defensor público Jovino Bento Júnior causou revolta durante reunião do Conselho Superior da Defensoria Pública da União (CSDPU), na sexta-feira (14/1), quando citou o tenista sérvio Novak Djokovic e o líder nazista Adolf Hitler para criticar a obrigatoriedade da vacinação contra a COVID-19.


O conselho se reuniu para decidir sobre a exigência da vacinação para ter acesso às unidades da Defensoria Pública da União (DPU). Jovino é contrário à proposta e usou como exemplo a Austrália, que recentemente vetou a entrada de Djokovic no torneio de tênis Australian Open, pelo fato do atleta se recusar a receber a vacina contra a doença.

O defensor alegou que a Austrália agiu de forma pior que Adolf Hitler ao não permitir a participação do tenista, já que o alemão não expulsou o atleta negro Jesse Owens, nas Olímpiadas de Berlim em 1935.

"Nem Hitler fez com Jesse Owens na Alemanha o que o governo da Austrália está tentando fazer com Djokovic. E é exatamente isso. Jesse Owens foi aquele negro que ganhou quatro medalhas olímpicas nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, né, tudo sendo assistindo por Hitler. E Hitler não o impediu de competir, de entrar no país, como começa a se ver hoje nos países", declarou.

Alguns participantes da reunião se revoltaram com a comparação do defensor público, classificada como "absurda". O conselheiro Antonio de Maia Pádua afirmou ser "inadmissível" a fala do colega. Segundo ele, nada que tenha sido defendido por Adolf Hitler deve ser considerado como bom exemplo.

"Não se pode admitir que alguém acorde cedo, se prepare, ponha um terno e uma gravata para vir elogiar a conduta de Hitler perante o Conselho Superior da Defensoria ou qualquer outro lugar! Ou qualquer outro lugar! Não... Nada que venha dali é paradigma, é exemplo, é algo a ser imitado. Nada", afirmou.

Não vacinado e polêmica anterior

Ainda durante a reunião, Jovino explicou que não recebeu o imunizante contra a COVID-19 por fazer parte do "grupo com contra indicação à vacina".

Ele ressaltou também que o Ministério da Saúde, gerido por Marcelo Queiroga, não apoia a obrigatoriedade da vacinação no país, ainda que a vacina seja o meio mais eficaz de combater o coronavírus e atenuar os sintomas da doença.

O defensor também afirmou não ser negacionista e disse que a proposta da Defensoria é uma forma de "punição".

Jovino Bento Júnior já se envolveu em outra polêmica em 2020, após ir à Justiça contra o Magazine Luiza por um programa de trainee dedicado a jovens negros.

A proposta de autoria do defensor Russel Brandão Cavalcanti, que determina a exigência da vacinação nas dependências da DPU, foi acatada pelo Conselho.

*Estagiária sob supervisão


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