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Estado de Minas

Após neto ser morto no Rio, Neguinho da Beija-Flor diz que vai deixar o Brasil

Gabriel Ribeiro Marcondes, de 20 anos, foi baleado em ação policial que ocorreu em Nova Iguaçu, enquanto trabalhava na montagem de um baile funk. Sambista disse que 'no Brasil, basta nascer negro para ser suspeito'


21/10/2020 23:17 - atualizado 21/10/2020 23:22

O artista não informou a data em que pretende deixar o país(foto: Reprodução/Instagram)
O artista não informou a data em que pretende deixar o país (foto: Reprodução/Instagram)
O sambista Neguinho da Beija-Flor afirmou que o assassinato do neto Gabriel Ribeiro Marcondes, de 20 anos, no último domingo (18/10), num baile funk, intensificou sua vontade de deixar o Brasil em busca de oferecer outras condições de vida para a filha Luisa Flor Morena, de 12 anos. “No Brasil, basta nascer preto para ser suspeito. Por isso, estou metendo o pé do país”, desabafou o cantor ao jornal Extra. 
 
 
Gabriel, que trabalhava na montagem do evento, e outros dois homens foram baleados e mortos em uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos no Morro da Bacia, no Ambaí, em Nova Iguaçu. O neto do sambista chegou a ser socorrido pelos policiais militares e levado ao Hospital da Posse. No entanto, não resistiu aos ferimentos. O sepultamento ocorreu nesta segunda (19/10), no Cemitério de Nova Iguaçu.
 
Durante o velório, o cantor comentou que a família está "arrasada" desde a morte do jovem. Neguinho falou, ainda, sobre a truculência nas abordagens policiais a moradores de comunidades e que, se um dia a pena de morte for implantada no Brasil, "não sobra um negro". Ao desabafar sobre o acontecido, o sambista disse que o filho Paulo Cesar Marcondes, pai de Gabriel, vai processar o Rio de Janeiro.
 
“Meu filho vai processar o Estado. A justificativa é a seguinte: ‘Seu neto estava no lugar errado, na hora errada’. Queria que ele estivesse onde? Num shopping na Barra? Aqui em Copacabana? Se todo lugar no Rio é perigoso. É muito fácil fazer justiça em cima do negro sem defesa. Uma vez perguntei a um amigo, um grande jurista, sobre o que aconteceria se a pena de morte fosse aceita no país. Ele disse: ‘Só vão viver os brancos, vão matar todos os negros’. Negros já nascem suspeitos. Em negro, atiram primeiro para depois saber quem é”, ressaltou.

Mudança

O artista não informou a data em que pretende deixar o país. A ideia, no entanto, não é nova. Os planos foram interrompidos pela chegada da pandemia causada pelo novo coronavírus.
 
“(Penso) há muito tempo. Só não aconteceu com a pandemia. Sem show, tive que gastar tudo, só saiu. O suporte que eu tinha, com essa finalidade, foi tudo. Não vou criar minha filha aqui depois do que aconteceu com o Gabriel. Não vou mesmo”, afirmou o cantor.


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