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Estado de Minas POLÍCIA FEDERAL

Mulher acusada de fraudar cota racial em concurso diz: 'sou negra, sim'

Glaucielle Dias foi aprovada no concurso da Polícia Federal em 2018. Imagens comparando sua aparência no exame de heteroidentificação e nas redes sociais começaram a circular na internet há alguns dias


17/09/2020 22:56 - atualizado 17/09/2020 23:10

Glaucielle publicou um vídeo no perfil do Instagram de seus advogados(foto: Reprodução/Internet)
Glaucielle publicou um vídeo no perfil do Instagram de seus advogados (foto: Reprodução/Internet)
Glaucielle da Silva Dias, também conhecida como Glau Dias nas redes sociais, divulgou, nesta quinta-feira (17/9), um vídeo no qual se defende da acusação de ter fraudado a seleção de cotistas em concurso da Polícia Federal em 2018. Na gravação, ela diz ser "negra parda" e que não fez "nada de errado" (assista abaixo).
 

Há alguns dias, começou a circular na internet uma foto que mostra Glaucielle no exame de heteroidentificação, que serve para constatar que os candidatos inscritos para as vagas de cotistas são, de fato, negros. A aparência da influenciadora digital na ocasião foi comparada com outras imagens, colhidas de suas redes sociais. Por ela aparecer, na foto tirada pela banca do concurso, com o cabelo ondulado e a pele mais escura, internautas a acusaram de ter fraudado o sistema de cotas.

Após as imagens viralizarem, Glaucielle publicou um vídeo no perfil do Instagram de seus advogados. Na filmagem, que dura 12 minutos, ela nega que tenha fraudado o exame e que, quando passou a atuar como policial federal, aproximou-se de outros candidatos cotistas aprovados, sendo dela a iniciativa de criar o grupo de WhatsApp que os reúne. "Nunca me escondi de nada nem vou me esconder, porque eu sei que nunca fiz nada de errado", afirma.

Ela diz que a foto que circula nas redes foi tirada pela própria banca examidora, a Cespe/UnB, e que cinco pessoas estavam na sala no momento e que coube a eles autorizá-la a disputar uma das vagas de cotistas. Ela chama de absurda a afirmação de que se pintou e diz que as fotografias podem alterar a cor de pele das pessoas. Ela, então, mostra fotos de familiares para mostrar que a mãe e a avó são negras. Diz ainda que vem de uma família pobre, que sempre estudou em escolas públicas e que sofreu preconceito racial durante toda a vida.

Teria sido o preconceito que a fez não gostar de sua aparência, o que a levou a alisar o cabelo e a fazer plásticas, inclusive no nariz. "Sempre sofri preconceito com minha aparência, com meu cabelo, meu nariz. É meu direito mudar meu cabelo e meu nariz", argumenta. Glaucielle diz ainda que negros não são apenas aqueles retintos, de pele mais escura.

"Eu sou negra sim. Negro não é só o retinto. Se você sofreu preconceito, sofreu discriminação em algum momento da sua vida, você é sim. Eu nunca vou falar pra mim que sou branca. Eu não sou. Isso seria renegar minha origem. Sou negra parda", afirma Glaucielle, que ainda cita o jogador Neymar e a cantora Beyoncé como exemplos de pessoas negras que aparecem com a pele mais clara em fotos.

Exoneração

Ela também nega que a fraude tenha levado à sua exoneração. Glaucielle diz que ela e o noivo decidiram sair do serviço público para se dedicar a uma empresa familiar. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 3. No documento, consta que o desligamento ocorreu a pedido.

Por fim, ela diz que tomará medidas legais contra os que a ofenderam. "Quando você ofende aquele meu cabelo, você ofende meu cabelo de verdade"

O Cespe-Cebraspe, banca organizadora do concurso disse, em nota, repudiar qualquer tentativa de fraudar o sistema de cotas e que sua função é, em caso de suspeitas de ilegalidade, encaminhar os dados para a autoridade policial, que deverá fazer uma investigação.


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