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Estado de Minas CARTEIRADAS DA PANDEMIA

Desembargador sem máscara que humilhou guarda coordenou área de saúde de tribunal

À época, 'prevenção' de doenças estava sob sua responsabilidade no TJSP


19/07/2020 11:35 - atualizado 19/07/2020 15:54

Siqueira em dois momentos: humilhando o guarda e em pose como coordenador da área de sáude do TJSP(foto: Reprodução/ Redes Sociais e TJSP)
Siqueira em dois momentos: humilhando o guarda e em pose como coordenador da área de sáude do TJSP (foto: Reprodução/ Redes Sociais e TJSP)
As cenas do desembargador Eduardo Siqueira humilhando um guarda municipal são impressionantes em si. “Você vai ver com quem está se metendo”, ameaça, ao ser abordado por descumprir a regra do uso de máscaras em público, em Santos (SP). Mas o currículo de Siqueira torna o episódio, gravado em vídeo, ainda mais surreal.

Ele foi coordenador da área de saúde do Tribunal de Justiça de São Paulo.


O episódio tornou-se a nova 'carteirada da pandemia' - mais uma dentre as cenas que revelam descaso de brasileiros diante da fiscalização de novas regras de comportamento social. 

"Você sabe ler?" e "Estou aqui com um analfabeto" são algumas das agressões que Siqueira dirige à equipe da guarda municipal durante o vídeo. O tribunal informou que vai apurar o ocorrido.

Abordagem humanística

Em uma notícia publicada no site do TJSP em 2017, um trecho chama a atenção: “O desembargador Eduardo Siqueira contou que a SAS (Secretaria da Área da Saúde) tem como objetivo diagnosticar, monitorar e implementar ações para a prevenção e rastreamento de doenças e promover a readaptação de servidores”.

As autoridades ouvidas no texto da equipe de comunicação do TJ louvam a “abordagem humanística” do trabalho coordenado por Siqueira. Ele não exerce mais a função, de acordo com o tribunal.

O uso de máscaras sanitárias é uma das principais medidas preventivas adotadas em todo o mundo, para conter a pandemia do coronavírus.

Como se trata de uma doença respiratória e altamente contagiosa, a medida, que pode ser considerada “humanística”, serve justamente para a “prevenção”.
 

O que diz o tribunal

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que, ao tomar conhecimento, determinou imediata instauração de procedimento de apuração dos fatos; requisitou a gravação original e ouvirá, com a máxima brevidade, os guardas civis e o magistrado.

A nota da assessoria de imprensa completa que o TJSP não compactua com atitudes de desrespeito às leis, regramentos administrativos ou de ofensas às pessoas.


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