
O painel, que tem como um dos líderes o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), inclui estudos basedos em cálculos de soroprevalência, imunização e subnotificação da pandemia no Brasil e avalia cenários do mundo todo.
O estudo da BCG busca entender o nível de imunização da população e o grau de subnotificação de casos de covid-19. Conforme a análise, a média brasileira de subnotificação está em 10 vezes, mas pode variar em algumas regiões e bairros do país. Na Rocinha, por exemplo, esse número chega a 62.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro diz que a Resolução nº 4.331, de 17/03/2020, normatiza o preenchimento dos formulários de notificação, combatendo, assim, a possibilidade de subnotificação. De acordo com a secretaria, é preciso levar em consideração também a parcela de cidadãos contaminados, mas assintomáticos, que podem não ser notificados em função da ausência de sintomas, comportamento que não é exclusivo das comunidades. “Portanto, não se pode afirmar que seja maior a subnotificação em comunidades do que em outros locais”, conclui a pasta.
Pela análise da BCG, o grau de imunização no Brasil está entre 1% e 2% da população. No entanto, áreas mais atingidas pelo vírus já têm taxas melhores, como, por exemplo, bairros altamente expostos de São Paulo, onde o percentual chega a 10%. Na Rocinha, 25% da população do bairro já pode estar imunizada.
Pesquisa epidemiológica
Na cidade do Rio, termina nesta terça-feira, o trabalho de campo da Fase 2 da pesquisa epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde em comunidades e outros bairros do município, que vem sendo feita desde o dia 1º. Segundo a secretaria, o resultado da primeira fase mostrou que o maior percentual de casos positivos nas seis regiões pesquisadas ocorreu na Cidade de Deus (28%). Em seguida, vieram Rio das Pedras (25%) e Rocinha (23%).
O percentual de letalidade, resultado do número de mortos em relação ao total de infectados, ficou em 0,2% em Rio das Pedras; 0,3% na Maré e na Rocinha; 0,4% na Cidade de Deus; 1,2% em Realengo e 1,8% em Campo Grande.
Na avaliação dos sintomas, entre os que tiveram resultado positivo em testes para o novo coronavirus, o índice que prevaleceu foi o de assintomáticos. “As pessoas que tinham o vírus, mas não apresentaram sintomas foram 52%. Apenas 1% dos entrevistados e testados relataram ter apresentado todos os sete sintomas averiguados: febre, cansaço, dor no corpo, dor de garganta, tosse, dispneia (falta de ar) e diarreia”, acrescentou a secretaria.
Segundo a pasta, é relevante o fato de o percentual de casos positivos, mas sem sintoma, ter sido maior entre os mais idosos. A incidência ficou em 67% entre os que tinham de 80 a 89 anos, em 50¨% entre os que tinham de 30 a 39 anos e de 45% entre os com idade de 40 a 49 anos.
Testes
Conforme a secretaria, na primeira fase foram testados 3.210 moradores das comunidades da Maré, Rocinha, Cidade de Deus e Rio das Pedras, Campo Grande e Realengo. A fase dois da pesquisa epidemiológica foi nas seis comunidades já testadas. Nessa etapa são mais 3.200 testes, coletados por equipes de Atenção Primária da pasta. “Os dados serão analisados e confrontados com os resultados da primeira fase”, informou a secretaria.
Foram intensificadas as orientações para a população atendida nas clínicas da família e nos centros municipais de Saúde e que moram em comunidades. “As unidades oferecem tratamento e acompanhamento de casos leves, além do monitoramento dos grupos de risco, por telefone”, completou a secretaria.
A prefeitura do Rio inaugurou centros de imagens em comunidades, ampliando o acesso ao exame que auxilia no diagnóstico precoce da doença e início do tratamento. A secretaria reforçou, junto aos seus profissionais e às instituições privadas, a necessidade e a importância da correta notificação de casos suspeitos, confirmados ou óbitos decorrentes da pandemia.
