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Estado de Minas ECONOMIA

Dono do Madero demite 600 funcionários após prometer manter empregos durante crise

Junior Durski confirmou demissões em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo


postado em 02/04/2020 00:35 / atualizado em 02/04/2020 01:12

(foto: Divulgação/Madero)
(foto: Divulgação/Madero)
A rede de restaurantes Madero demitiu 600 funcionários nesta quarta-feira, 1º de abril, nove dias depois de o proprietário Junior Durski prometer a manutenção de todos os empregos durante a crise econômica mundial causada pela pandemia do novo coronavírus. A informação dos desligamentos foi repassada pelo próprio empresário ao jornal O Estado de S. Paulo.

Durski argumentou que a maior parte das dispensas foi de colaboradores recém-contratados. Eles estavam em fase de treinamento para atuar em restaurantes a serem abertos pelo grupo.


No dia 23 de março, o dono do Madero causou polêmica ao se manifestar contra o regime de isolamento recomendado pelas autoridades médicas para evitar o aumento exponencial do número de infectados. Segundo ele, o Brasil sofreria consequências muito maiores em sua economia do que as mortes provocadas pela COVID-19.

“Sei que temos de chorar e vamos chorar por cada uma das pessoas que vão morrer com o coronavírus. Vamos cuidar, vamos isolar os idosos, as pessoas que tenham algum problema de saúde, como diabetes, vamos! É nossa obrigação fazer isso. Mas não podemos, por conta de cinco ou sete mil pessoas que vão morrer…”.

No vídeo publicado no Instagram, Junior Durski havia se comprometido a não demitir nenhum dos mais de oito mil funcionários, pois, conforme ele, o Madero tinha caixa suficiente para sustentar “três, quatro, cinco ou seis meses de crise”.

“Quero dizer aos meus funcionários, às 8 mil pessoas que trabalham conosco, vai ser duro, vamos juntos, vamos trabalhar forte. eu deixo aqui o meu compromisso, a minha palavra, de que nós vão vamos demitir ninguém. Que a gente vai junto tocando essa parada pra frente.Vamos resolver isso. é a minha obrigação, a obrigação do meu time, cuidar dos nossos 8 mil funcionários e nós vamos sair dessa”.

Durski é muito ligado a Jair Bolsonaro, a quem sempre direciona elogios em postagens nas redes sociais. O presidente da República, que chegou a tratar o coronavírus como “gripezinha” e “resfriadinho”, mudou o discurso no pronunciamento mais recente, no 31 de março, e ressaltou da necessidade de criar um “pacto” de combate à pandemia.

Com relação ao Madero, o valor estimado de mercado é de R$ 3 bilhões. Em 2018, Junior Durski e seus sócios receberam R$ 700 milhões do fundo norte-americano Carlyle pela venda de 22,3% de participação na rede, que conta com 148 restaurantes em 18 estados brasileiros, além da sede administrativa em Curitiba e uma fábrica de hambúrgueres em Ponta Grossa, no interior do Paraná.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

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