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Estado de Minas

Ministério confirma primeiro caso de coronavírus no Brasil

Contraprova do paciente, um homem de 61 anos que mora em São Paulo e viajou à Itália, deu positivo. Primeiro exame foi feito no Hospital Albert Einstein


postado em 26/02/2020 10:44 / atualizado em 27/02/2020 15:53

(foto: Youtube/reprodução)
(foto: Youtube/reprodução)

O Ministério da Saúde confirmou, nesta quarta-feira (26), o primeiro caso de coronavírus no país. Realizada pelo Instituto Adolfo Lutz, a contraprova atestou a infecção do paciente - um homem de 61 anos, residente na capital paulista. 



Ele esteve na Itália, na região da Lombardia, sozinho, a trabalho, entre 9 e 21 de fevereiro. O período coincide com a explosão de casos no país europeu, onde há mais de 220 pessoas infectadas. Por enquanto, o viajante apresenta sintomas leves, como febre, tosse seca, dor de garganta e coriza. Além dele, há outros 20 casos em investigação. Cinquenta e nove suspeitas já foram descartadas.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o protocolo adotado pelo ministério até o momento não será alterado, uma vez que o governo já havia elevado a classificação de risco do Brasil do nível 2 (perigo iminente) para o nível 3 (emergência de saúde pública) desde o dia 4 de fevereiro. 

A decisão foi tomada após a repatriação de 58 brasileiros da China. Os cidadãos cumpriram quarentena até o útimo domingo (23) na Base Aérea de Anápolis (GO). Nenhum dos integrantes do grupo foi diagnosticado com o novo coronavírus durante o período na instalação militar.

"Não tem como fechar fronteiras. É uma gripe. Como todo vírus, a medida de melhor controle é por etapas, é termos agilidade (no diagnóstico)", afirmou Mandetta. "O sistema brasileiro fez tudo com muita agilidade", completou.



Sem quarentena

O ministro reforçou ainda que há pacientes assintomáticos que transmitem a doença, e não há eficácia na testagem de temperaturas. “Agora é que vamos ver como este vírus vai se comportar em um país tropical, durante o verão. Vamos acompanhar como vai ser o padrão de comportamento deste vírus, que é novo e pode manter o mesmo padrão de transmissão que apresentou no hemisfério Norte" explicou. 

A Anvisa já teria identificado os passageiros transportados no mesmo voo em que o paciente infectado estava. Mandetta disse que essas pessoas não serão submetidas à quarentena. "Não existe quarentena porque não existe eficácia nesse tipo de situação", afirmou. A ideia, esclareceu o ministro, é monitorar os passageiros a partir da poltrona onde o paciente viajava duas fileiras à frente e atrás, além dos lados direito e esquerdo.

A expectativa do ministério é de que o volume de casos suspeitos deve crescer no Brasil, uma vez que houve aumento do número de países com mortes registradas.

"Estamos na fase de contenção, que é evitar que o vírus se espalhe. Caso se espalhe, vamos para a fase de mitigação", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira.



Na noite de terça, o paciente infectado havia testado positivo para o vírus no Hospital Israelita Albert Einstein, situado na em São Paulo. As amostras de sangue foram, então, enviadas ao Instituto Adolfo Lutz para contrapova. O resultado, que confirmou a infecção pelo Covid-9, saiu em três horas. A média de conclusão do exame é de três dias. Com a confirmação, o Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina a registrar a doença, que já fez 2708 vítimas fatais no mundo todo.

Outros três casos suspeitos são investigados em São Paulo - dois na capital e um em Bauru. De acordo com a secretaria de saúde paulista, são todos adultos, viajantes que estiveram de algum dos países que entraram na lista de vigilância do Ministério.


Mundo em alerta

Os alertas globais sobre a doença se intensificaram nas últimas semanas. Nesse domingo (23), os ministros das finanças do G20 e presidentes de bancos centrais afirmaram, em comunicado, que o novo coronavírus representa risco para a economia global e concordaram em adotar políticas sobre o caso.

A Itália decretou toque de recolher em 11 cidades com pessoas infectadas, medida que atinge cerca de 60 mil pessoas. As autoridades também cancelaram o famoso carnaval de Veneza, numa tentativa de conter a propagação do vírus. 

O surto teve início em dezembro na cidade de Wuhan, região central da China. Já são mais de 80 mil casos registrados pelo mundo. 

Previna-se

Chamada de Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus apresenta gravidade de moderada a leve, segundo o Ministério da Saúde. Cada contaminado pode infectar de duas a três pessoas. Em alguns casos, até sete. De acordo com a Organização de Saúde (OMS), o período de incubação varia de 0 a 14 dias. As principais orientações de prevenção são: 

  • Cobrir a boca e nariz ao tossir ou espirrar;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Limpar regularmente o ambiente e mantê-lo ventilado;
  • Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos com água e sabão ou usar antisséptico de mãos à base de álcool;
  • Evitar deslocamentos enquanto houver sintomas
  • Evitar contato pessoas ou animais doentes, vivos ou mortos

Nota do Hospital Albert Einstein

"O Hospital Israelita Albert Einstein informa que recebeu na noite do dia 24 de fevereiro, na Unidade Morumbi, em São Paulo, um paciente com sintomas semelhantes aos do Covid-19, sendo confirmada a infecção viral pelo novo coronavírus após a realização do teste PCR em tempo real. Na manhã do dia 25 de fevereiro o caso foi notificado à Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.

A equipe assistencial do Pronto Atendimento seguiu com rigor todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS) e Centers for Disease Control and Prevention (CDC-EUA), para oferecer o atendimento apropriado e garantir a segurança do paciente e de todos os profissionais envolvidos.

O paciente encontra-se em bom estado clínico e sem necessidade de internação, permanecendo em isolamento respiratório que será mantido durante os próximos 14 dias. A equipe médica segue monitorando-o ativamente, assim como as pessoas que tiveram contato próximo com ele.

Desde o início da epidemia mundial, o Hospital Israelita Albert Einstein mantém uma agenda ativa de monitoramento do avanço de novos casos e evolução do cenário mundial. O Hospital, que conta com os mais avançados recursos diagnósticos e assistenciais para os atendimentos que se fizerem necessários, inclusive os mais graves, vem atuando no treinamento intensivo de seus colaboradores com o objetivo de assegurar a oferta de atendimento adequado, bem como a segurança de pacientes, familiares e funcionários.

O Hospital Israelita Albert Einstein reforça que os padrões de conduta em todas as situações têm como foco preservar a segurança de todos os pacientes da instituição e manter a excelência nos atendimentos de qualquer natureza"


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