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Estado de Minas

Ministério Público de Goiás pede prisão preventiva do médium João de Deus

João de Deus é alvo de mais de 200 denúncias de abuso sexual em seu centro espírita, em Abadiânia (GO)


postado em 12/12/2018 18:11 / atualizado em 12/12/2018 18:50

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Abadiânia (GO) — O médium João de Deus, acusado de abusar sexualmente de mulher em atendimentos espirituais, teve a prisão preventiva decretada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), nesta quarta-feira (13/12).

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do religioso, que não comentou a decisão dos promotores. O Correio não localizou o advogado Alberto Thoron até a publicação desta reportagem.

Desde a última sexta-feira (7/12), João tem sido alvo uma série de denúncias de violência sexual. Mulheres de 10 unidades da Federação denunciaram ao Ministério Publico de Goiás (MPGO) 206 abusos. Uma delas procurou a Polícia Civil em Abadiânia. Para preservar a mulher, os detalhes do caso estão em sigilo. Duas delas são do exterior: uma dos Estados Unidos, outra, da Suíça.

Nesta quarta-feira, João fez sua primeira apariação pública após as denúncias. Às 9h40, o médium chegou a Abadiânia para atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola. Minutos depois, ele deixou o local amparado por advogados, funcionários e pessoas que se identificaram como médicos, segundo os quais ele passou mal durante o início dos trabalhos espirituais.  
 
Dentro da casa, o médium goiano disse que está à disposição da Justiça brasileira. "Irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da Justiça. O João de Deus ainda está vivo", declarou. 
 

Repórteres e cinegrafistas que aguardavam João de Deus no local foram agredidos com socos e até mordidas. Alguns fiéis ameaçaram os profissionais de imprensa. "Vocês terão câncer e voltarão todos aqui para se curar. Você se arrependerão do que estão fazendo", gritava uma mulher. "Lamentamos o que aconteceu, não é de nosso costume, mas foi uma situação que saiu do controle", comentou Cláudio Prujar, voluntário da Casa Dom Inácio que ficou responsável por atender a imprensa.  

João de Deus deixou Abadiânia logo após o almoço. Acompanhado de assessores, seguranças, advogados e de pessoas próximas, ele deve retornar ao município nesta quinta-feira. Existe a possibilidade de ele conceder uma entrevista coletiva. Os detalhes ainda não foram acertados. 

O religioso está medicado e sendo acompanhado por médicos. "Ele está muito abalado. Não está acostumado com esse tipo de agitação. Graças a Deus ele tem boa saúde, mas está muito abalado", destaca um interlocutor do médium, que pediu para não ter o nome divulgado. 

Mesmo com a presença dele, não houve movimentação em sua casa, em um bairro no centro do município. A organização da Casa de Dom Inacio de Loyola já prepara um plano para a segurança dos atendimentos de amanhã. Uma das ideias é não liberar o acesso da imprensa. 

 


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